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É possível gostar de animais e não ser vegetariano?





Há dias, recomendaram-me que respondesse a este post sobre vegetarianos, não-vegetarianos e o amor pelos animais. Abre com uma declaração de compatibilidade entre gostar de, e comer, animais, mas acaba por abordar temas que são comuns a discussões sobre este tema. Este post parte da leitura desse, sem ser uma resposta ponto por ponto. Antes de começar, impõe-se uma advertência: não tenho a pretensão de agradar a toda a gente através de um discurso zen-fofinho. Ninguém me ouvirá dizer que, ainda que não coma animais, não me incomoda que outros o façam. A minha posição é a de que comer animais é errado de um ponto de vista ético. Isto não é um ataque a quem os come, é uma defesa daqueles que não têm voz. E o facto de não respeitar a vossa escolha não invalida que vos respeite enquanto indivíduos e humanos. Amigos como antes, sim?


Começemos pela justificação mais singela, que é, de certa forma, a mais sincera: gostar de carne. OK, percebo perfeitamente. Se determinada prática nos é querida, socialmente aceite e enraizada pela força do hábito, para quê aboli-la do nosso quotidiano? Só que eu não conheço nenhum vegetariano que não gostasse de algum produto de origem animal. Eu fui grande admiradora de coisas tão ecléticas como cozido à portuguesa, sardinhas assadas no pão ou Grana Padano. Mas apreciar um sabor perde peso quando percebemos que os nossos apetites são uma futilidade quando do outro lado da balança está a vida de um ser senciente. O que para mim era uma refeição, para eles era o fim da existência. Quando comecei a minha transição para o vegetarianismo, mal conhecia a cozinha vegetariana. Nunca tinha ido a um restaurante específico, não sabia cozinhar nem se algum dia iria gostar. Mas isso não era relevante, porque eu sabia que não tinha o direito de dispor das vidas daqueles animais para agradar as minhas papilas gustativas e os meus hábitos enraizados. Saber que continuaria saudável bastava-me (uma dieta vegetariana adequada é considerada saudável em todas as fases da vida. Ver, por exemplo, aqui e aqui). Mudamos porque é o nosso dever ético, não por não gostarmos dos sabores com que crescemos. 



Comer carne não é o problema. Precisamos apenas de reduzir a quantidade e alterar os métodos de produção. Quando dizemos que comer carne não é errado de um ponto de vista ético, estamos a dizer que podemos justificar eticamente o abate de um animal não-humano saudável sem que exista uma necessidade real para tal (e, se estão a ler este texto na parte ocidental do globo, é pouco provável que tenham uma necessidade real de matar um bovino, um suíno ou outro animal cujo consumo é socialmente aceite). É dar o nosso cunho de aceitação a que se mate alguém (alguém, não algo) que sente dor, medo e stress. Eu acho que qualquer mudança é positiva. Se reduzirem o vosso consumo de carne para duas vezes por semana, já estão a fazer alguma coisa, no mínimo, pelo planeta e pela vossa saúde. Mas esta posição perpetua a visão dos animais não-humanos como bens que estão à nossa disposição ao invés de indivíduos com o direito básico à vida. Quando afirmamos que basta reduzir o consumo e criar melhores condições para os animais da pecuária, estamos a dizer que é correto matar alguém que não quer morrer. 


Os animais carnívoros também matam para comer e isso não é imoral.  Certo. Do mesmo modo, também não é imoral quando um leão mata as crias de machos rivais, mas isso não não significa que um macho humano possa andar por aí a matar as crias de outros homens. O que quero dizer com isto é que há uma tendência para usar o argumento da natureza conforme mais nos convém. Defendemos que podemos comer animais porque também somos animais, ao mesmo tempo que atribuímos um valor inigualável à espécie humana porque somos diferentes dos outros animais. Ora, a espécie humana só existe como tal por ser um híbrido de natureza e cultura. É impossível regermo-nos pelos padrões dos animais não-humanos, e estou certa de que a maioria das pessoas que justifica comer animais porque "é a natureza" não quereria ver a mesma lógica aplicada a outros assuntos. 


Uma dieta vegetariana é mais dispendiosa. A resposta concisa é "não". Talvez fiquem com uma ideia mais clara que disser que gasto entre quinze a vinte euros no supermercado numa semana normal. Às vezes gasto mais porque quero (assim como um omnívoro pode comprar um bife mais barato ou outro muito mais caro), e é engraçado notar que a que minha dieta é mais saudável quando gasto menos, porque significa que como menos alimentos processados, que são aqueles que elevam o custo de uma dieta vegetariana. 


As plantas também são seres vivos. Esta é uma justificação que traz implícita a ideia de que matar, por exemplo, um bovino, equivale a arrancar uma alface do solo. Mas reparem que, se consideram que a vida humana tem mais valor que a vida de um bovino, daí decorre, numa ordem de pensamentos lógica, que devem considerar a que a vida de um bovino tem mais valor que a de uma alface. Se vêem a atribuição do valor da vida como um continuum, é certo que algumas das características que encontram num humano e que tornam a sua vida superior à de um bovino se encontrarão de forma mais expressiva num bovino que numa alface. Se, ainda assim, quiserem colocar as plantas no mesmo patamar que os animais não-humanos tradicionalmente usados na pecuária, reparem que, para que que vocês comam a vossa carne, os animais tiveram que comer plantas, e em maior quantidade que aquelas que vocês comeriam. Assim, se estiverem realmente preocupados com os níveis de senciência das plantas, o passo lógico é comê-las e não aos animais que as comem, eliminando, assim, um elo da cadeia do sofrimento. 


Tens que respeitar a minha escolha de comer animais. Este argumento assenta no pressuposto de que a vida humana é tão superior à vida de um animal não-humano ao ponto de os animais não terem o direito de não serem mortos, enquanto que os humanos que os matam têm o direito a nem sequer ser confrontados com as consequências das suas escolhas. Quando um vegetariano afirma que comer animais é desrespeitar os mesmos, estamos a falar de tirar vidas. Quando alguém que come animais se queixa que um vegetariano não respeita a sua escolha, está em causa o questionar da validade de uma conduta. É só isso, a vossa vida não está, de forma alguma, ameaçada. Queiram desculpar-me se estou mais preocupada com ser uma voz para aqueles que não têm voz que em ferir a vossa sensibilidade. Dito isto, parece-me evidente que o ataque pessoal não é uma forma eficaz de ativismo. Mas afirmar que é impossível respeitar uma escolha que tira vidas não é um ataque - é um ato de respeito para com as vítimas.


Comer carne não faz de mim melhor pessoa, seres vegetarian@ não faz de ti melhor pessoa. Concordo até certo ponto. O conceito de "boa pessoa" é algo muito lato e certamente que todos fazermos coisas certas e erradas, pelo que é difícil avaliar quem é "melhor" ou "pior" com base num único comportamento. No entanto, se considero eticamente reprovável comer animais, daí decorre que se a pessoa X deixa de comer animais, todos os seus outros comportamentos se mantendo, a pessoa X é melhor pessoa que anteriormente. Isto é, acho que qualquer pessoa que deixe de comer animais se torna melhor face a uma versão de si própria que os coma. 


No final, estes argumentos só são possíveis porque quem os faz parte do pressuposto enraizado da intocabilidade da vida humana versus o estatuto contestável da vida não humana. Só que a ideia do caráter único da vida humana só é justificável se acharmos que existe um Deus que nos criou à sua imagem. Porque, na verdade, entre as características (mais ou menos arbitrárias) que usamos para definir o valor da vida, existem poucas que todos os seres humanos possuam e, aquelas que são comuns a todos, são também partilhadas com animais não-humanos. Não fui eu quem descobriu isto, foi Peter Singer. Notem também que os argumentos acima expostos e que procuram justificar o ato de comer animais parecem ser apenas válidos para alguns animais - os animais explorados pela atividade pecuária. Dificilmente alguém dirá que respeita a vossa escolha de não bater no vosso cão, mas que espera que respeitem a sua escolha de maltratar o seu. Se é possível gostar de animais e não ser vegetariano? Talvez, dependendo do significado que atribuirmos a este gostar, e de que animais estejamos a falar. Muitas vezes dá-se o caso de que as pessoas que afirmam gostar de animais gostam, na verdade, de cães, gatos, e do leque de espécies que compõem a megafauna carismática. E parece-me à partida muito redutor falarmos em animais como se estes formassem uma entidade unificada, quando as espécies existentes são contabilizadas em milhões - neste sentido, a terminologia humano/animal serve para perpetuar a dicotomia nós/eles, fortalecendo conceptualmente a "nossa" superioridade sobre milhões de espécies. É muito fácil dizer que gostamos de animais quando os vemos como um construto ao invés de os encararmos como indivíduos, portanto acredito realmente que alguém possa sentir que gosta de animais, assim conceptualizados ao nível da abstração. Infelizmente, aos animais explorados pela pecuária, de pouco serve este gostar. Uma coisa é certa: enquanto eles continuarem a morrer em vão, haverá quem fale por eles.

Obrigada, 2017



Ao contrário de muitas pessoas, não vejo as resoluções de ano novo como aquela tradição que pretende marcar o início de um novo ciclo mas que nunca sai do papel. Pelo contrário, funciono bem por objetivos e tenho sempre metas a curto e a médio prazo (que o longo prazo fica muito longe e não tenho tanto controlo sobre a minha vida, principalmente profissional, que me permita traçar planos num futuro distante). Por outro lado, torço um bocado o nariz às recapitulações do ano que passou, porque acho que as fases não se delimitam com o fecho de um ano civil. No meu caso, será em meados de 2018 que fecharei a fase atual. Mas é sempre bom pensarmos no que atingimos, portanto fica aqui para a posteridade (ou para ler naqueles dias de depressão) e em ordem cronológica um apanhado das conquistas e principais momentos de 2017, que foi um dos melhores anos de sempre. 


Fui feliz no amor (mas continuei com azar ao jogo): No final de 2016, deixei-lhe um papel com o meu e-mail (porque achei que o número de telemóvel era muito pessoal, ahah) no lugar onde estava sentado na biblioteca. Ele respondeu meia hora depois e o resto, as they say, é história.


Voltei ao Algarve pela primeira vez em anos: E tomei os melhores banhos de mar do ano. Fui em trabalho, mas aproveitei todas as horas livres para me enfiar dentro de água (na piscina do hotel ou na praia) e para passear no centro histórico de Lagos. Pelo meio resgatei uma gaivota que tinha sido atropelada e, apesar de não saber o que lhe aconteceu depois de a deixar junto das entidades competentes, espero que ande por aí a voar, feliz da vida.


Viajei (também pela primeira vez em anos): E planeei uma viajem pela primeiríssima vez. Fomos só ali a Barcelona, onde já tinha estado, mas gostei de descobrir que consigo planear uma viagem no princípio ao fim, permanecer dentro do budget, fazer tudo o que planeei e não me perder. O mérito desta última conquista vai para o GPS (a melhor invenção depois das lentes de contacto e o meu amigo de todas as horas), mas as outras ninguém me tira.


Domei a minha hipocondria: Fui a diferentes médicos, fiz toda a espécie de análises e exames, e no fundo, tomei controlo sobre a minha saúde. Estamos todos carecas de saber que devemos fazer exames de rotina anualmente, de forma permitir aos médicos a deteção precoce de uma eventual doença, mas eu acho sempre que vou ser aquele caso da pessoa que descobre que está doente e é informada que só tem duas horas de vida e, se é assim, prefiro nem saber. Por ter perfeita noção de que é um pensamento irracional, esforcei-me para ultrapassar esta paranóia e prometo, a partir de agora, ir ao médico anualmente.


Fui buscar um nariz novo: Já falei tanto sobre isto ao ponto de quase esgotar o assunto, mas é o exemplo daquela coisa que sabemos que faremos um dia, apesar de toda a gente duvidar. Foi uma das melhores decisões que tomei e um processo super tranquilo. Não doeu (literalmente) e teve um impacto infinitamente positivo na minha autoimagem. 


Explorei uma cidade portuguesa: Três semanas depois da cirurgia, e ainda de olhos negros, fui passar uns dias a Évora. Pequenina, mas com boa comida vegetariana, e alguns pontos de atração histórica (com destaque para a Sé de Évora). Comi muito, descansei mais e ainda aproveitei a Black Friday. 


Ganhei uma bolsa de mérito académico: No último mês do ano, fui informada de que fui a melhor aluna do meu curso (no caso, mestrado) no ano letivo de 2013/2014 e de que, como prémio, receberia uma bolsa de mérito. Sim, foi uma atribuição tardia, mas chegou como mais uma recompensa por toda a dedicação e todas as horas ganhas (nunca perdidas) a trabalhar na minha dissertação. 


Comprei bilhete para o concerto do Bob Dylan em 2018: Sejamos honestos - o senhor já tem uma certa idade, não tarda nada só vai querer sopas e mantas, de forma que não sabemos se voltará a Portugal. Eu acho-o um verdadeiro génio e decidi não deixar escapar a oportunidade, apesar de ninguém se ter voluntariado para me acompanhar e temer ser atropelada por um multidão em histerismo.


Escrevi dois capítulos de livro e um artigo científico: Não é muito divertido, mas são provas tangíveis do meu trabalho e que servem para, aos poucos, enriquecer o meu CV. Quem trabalha no meio académico sabe que este artigo só deverá ver a luz do dia, numa publicação, lá para o final de 2018, mas é ainda assim uma conquista do ano que passou.


Passei um ano no mesmo trabalho: Antes de setembro de 2016 só tinha tido trabalhos temporários de entre dois a três meses. Apesar de, também agora, estar com contrato a termo certo, no final terei passado pouco menos de dois anos a trabalhar no mesmo projeto. O meu contrato termina em meados do ano e a incerteza acerca do futuro já me começou a tirar o sono. Se tudo descambar a partir daqui, terei sempre este post a lembrar-me que 2017 foi um ano do caraças. 


E o vocês? Conseguiram cumprir as metas que se propuseram em 2017? Espero que o vosso ano tenha sido, no mínimo, tão feliz como o meu. 💙

A Internet, a gratificação instantânea e a minha crise de leitura

Quando eu era pequena, gostava muito de ler. Primeiro banda desenhada da Disney e da Turma da Mônica, depois Harry Potter e outros livros juvenis. Lembro-me de, num verão, passar dias inteiros a ler a Ordem da Fénix, e acho que nunca chorei tanto como quando o Sirius, o padrinho do Harry, morreu. Foi como se estivesse lá e, embora não tenha voltado a ter exatamente a mesma experiência com outros livros, continuei a ler e a apreciar a leitura. Com a Lolita de Nabokov comecei a descobrir as obras dos grandes autores: Melville, Tolstói, Dostoiévski, Austen, Flaubert, García Marquez, Saramago, Steinbeck... E, a cada história, conhecia essa sensação de imergir (umas vezes mais, outras menos) num universo diferente. Acho fantástica a forma como os livros nos permitem estar fisicamente presentes num sítio, seja o nosso quarto ou o comboio, enquanto a mente está tão além que, quando alguma coisa nos força abruptamente a regressar, ficamos espantados por não termos saído de onde estávamos quando começámos a ler. Mas esta é uma sensação que já não reconheço: nos últimos anos, quando - raramente - li algum livro, não foi com entusiasmo. A culpa é da minha relação com as tecnologias digitais.


Este ano terminei apenas um livro. Não foi por falta de tempo ou de livros que me agradem. Li como quem desempenha uma tarefa, porque achava que, se forçasse, cedo entraria no ritmo. Mas, no final de cada página, tinha vontade de puxar do telemóvel. Espreitar as novidades nos grupos de Facebook de que faço parte, ver umas Insta Stories ou consultar o e-mail. Se estivesse em casa, começava a pensar que preferia estar a ver um vídeo no Youtube ou uma série. Eu, que tinha passado anos a detestar computadores e a resistir ao canto de sereia da Internet e das redes sociais, percebi que estou completamente absorvida. Acho que é mesmo a palavra acertada: a Internet é como a toca do coelho da Alice no País das Maravilhas e tem o poder (se deixarmos, claro, mas esse potencial é intrínseco à natureza da Internet) de nos absorver e manter fixados. Quem nunca se sentiu preso ao computador, ao final do dia, sem mais necessidade de o manter ligado, mas sem vontade de desviar o olhar? Eu senti, inúmeras vezes. Só mais um vídeo do Buzzfeed, só mais um episódio desta série de que nem gosto assim tanto. Temos o mundo inteiro ali, virtualmente qualquer informação que quisermos à distância de um clique. E é fascinante, e maravilhosa, a forma como nos facilita a vida de tantas maneiras e nos permite expressar a nossa criatividade e opiniões através de plataformas como o Youtube, o Blogger ou o Instagram, ou mantermo-nos ligados a amigos através do Facebook e WhatsApp. Mas é também desgastante para quem, como eu (e, acredito, cada vez mais pessoas), não se consegue desconetar. À imagem de um cyborg, é como se o smartphone já fizesse parte da nossa mão.


Na minha dissertação de mestrado, sobre a relação da mente humana com as tecnologias digitais, escrevi sobre o poder contido na Internet que pode, até, modificar a própria estrutura da nossa consciência. Um exemplo disso é o declínio de certos mecanismos de lembrança de informação: tendo toda a informação no bolso das calças, há muitas coisas que já não precisamos aprender. A Web deu-nos muito, mas acredito que também vá tirar - afinal, estamos só agora a assistir às primeiras gerações nascidas na era das tecnologias digitais, que cresceram com elas como nós crescemos com a televisão, mas que têm um poder que a televisão não tem. E vai ser engraçado ver de que formas nos irão transformar, até porque a mudança não tem que ser má, pode apenas ser... diferente. Até lá, o que gostava mesmo, mesmo, era de me enroscar com um livro à lareira (ou ao radiador, não sou esquisita) e ser transportada para outro mundo, sem a inquietação de estar ligada à rede que nos une a todos e à informação na Web.

Sim, as mulheres são más umas para as outras (e o que podemos fazer para mudar isso)

Créditos: Unsplash



Sei que falar sobre este tema é como aproximar a mão de um ninho de vespas, portanto permitam-me abrir com uma declaração de interesses: sou feminista e reparo diariamente nos efeitos que uma sociedade de cunho machista e patriarcal tem na perceção das mulheres sobre si próprias, bem como nas relações interpessoais entre mulheres e homens e mulheres entre si. As mulheres são objetificadas, frequentemente desvalorizadas em posições de liderança e avaliadas pela sua aparência física. Calma, não estou a dizer que a sociedade está numa cruzada contra o feminino e o que ele representa (pelo menos, não a sociedade ocidental e não neste momento histórico), mas julgo poder afirmar com confiança que todas as mulheres sentiram, pelo menos num momento das suas vidas, o peso do machismo. Do mesmo modo, não diria que todas  as mulheres são, a toda a hora, más umas para as outras - e ainda assim, penso que todas temos alguma experiência a partilhar sobre o assunto.


Tenho sentido essa mesquinhez de mulher para mulher algumas vezes, desde o início da adolescência, vinda de colegas e amigas. Chega, geralmente, em forma de indiretas proferidas com o objetivo de me fazer saber que não acham que seja tão gira/inteligente/inserir aqui outro adjetivo valorativo como elas julgam que eu penso que sou. E, sim, isto é, na maioria das vezes, uma atitude motivada por algum tipo inveja, que, como bem sabemos, é uma profícua geradora de despeito. Porque gostavam de ser mais confiantes de si próprias numa sociedade cujos padrões de beleza impedem que a maioria das mulheres o seja (e as pessoas mais confiantes não são necessariamente as mais bonitas), porque também gostavam de usar aquele vestido mas não se sentem à vontade por culpa das conceções irrealistas sobre como um corpo feminino deve parecer. Certamente que eu própria não serei imune a reproduzir esse comportamento. Quando vejo uma atriz de uma beleza arrebatadora, o meu primeiro (e segundo, e terceiro, instinto) é detestá-la - e é assim que tenho uma raiva mortal à Margot Robbie. Mas devíamos tentar o nosso melhor para não trazermos essa mesquinhez para a vida real, onde um comentário mal intencionado (sim, porque a intenção desses comentários é sempre desvalorizar a pessoa a quem são dirigidos, permitindo àquela que o emite uma satisfação retorcida) pode realmente afetar alguém. 


Onde é que quero chegar com isto? Se acho que as mulheres conseguem ser mesquinhas umas para as outras? Sim. Se acho que este é um comportamento que resulta de uma estrutura machista que define um conjunto de características desejáveis ao feminino, fazendo com que as mulheres compitam entre si sobre quem é a mais bonita, a mais desejada, etc? Certamente - afinal, já Bourdieu dizia que a dominação masculina (termo do sociólogo) não poderia, no Ocidente, sobreviver sem a conivência do grupo dominado. Se eu acho que a ocasional mesquinhez entre mulheres é o mais grave problema derivado do machismo? De forma alguma. O machismo produz formas de violência - violência doméstica, violência no namoro, violência sexual - que matam mulheres todos os dias. E, no entanto, não acho que esta seja uma questão irrelevante. Que uma colega de escola tenha usado a nossa autoestima como cordeiro sacrificial para aumentar a sua, não nos dá carta branca para fazer o mesmo a outra. E, assim como o "piropo" é produto de uma cultura machista mas cabe a cada homem perceber que não tem o direito de andar na rua a assediar verbalmente as mulheres com quem se cruza, também nós temos o dever de ser melhores umas para as outras. Se acham a vossa amiga bonita, celebrem a beleza dela. Se a vossa colega é a melhor aluna da turma, não menosprezem a sua inteligência insinuando que só o consegue por ser marrona. Se ela consegue comer este mundo e o outro sem engordar, não a chamem de escanzelada. No fundo, é muito fácil: basta que se lembrem que as virtudes e conquistas das outras mulheres não vos desvirtuam. Verão que não precisam de depreciar outrém para serem, também vocês, incríveis.

Cinco séries de 2017 para ver em 2018

Desde o fim de Downton Abbey que me sinto meio órfã de série. Sou muito fã de Game of Thrones (eu sei, à semelhança da quase totalidade da população terrestre), mas com temporadas tão curtas e um tempo excessivo de espera entre as temporadas, quase me esqueço que existem a Daenerys e os amiguinhos todos. Além de que já arranjaram maneira de matar um dragão e não sei se me sinto emocionalmente preparada para a eventual morte de outro. Mas adiante - ainda que este ano não tenha descoberto uma série que me tenha deixado mesmo encantada, passei bons momentos com um conjunto delas. Aquelas que vi do princípio ao fim, ou que sei que irei ver, ganharam lugar nesta lista (para trás ficou, por exemplo, Penny Dreadful, que começou muito bem mas tornou-se cansativa), e desconfio que algumas podem tornar-se "A" série para alguém.


1. THE HANDMAID'S TALE 

A minha série favorita do ano e algo de realmente novo, desafiante e inquietante. Baseada no romance do mesmo nome de Margaret Atwood, tem lugar num futuro distópico em que, face às reduzidas taxas de fertilidade, um governo totalitário força as mulheres férteis a tornarem-se servas de homens poderosos, com a finalidade de produzir filhos para estes e as suas esposas. The Handmaid's Tale segue o percurso de uma dessas servas (a quem foi atribuído o nome de Offred (literalmente, "de Fred", o homem a quem pertence) e é a história da luta contra a subjugação, o patriarcado e a coisificação da vida humana. 


Mais uma série baseada num romance de Margaret Atwood, desta feita baseado em factos verídicos. É factual que existiu uma mulher chamada Grace Marks, que essa mulher trabalhava como empregada doméstica na casa de Thomas Kinnear, que este e a sua governanta e amante, Nancy Montgomery foram assassinados em 1843, e que Grace e o outro empregado da casa, James McDemortt, foram condenados pelo duplo homicídio. A dúvida sobre se Grace seria realmente culpada é o motor principal da história e deixa-nos a pensar até ao último minuto (e talvez até depois). A atriz principal, Sarah Gadon, oferece uma performance cativante e deve-se a ela grande parte do fascínio desta série.




3. WESTWORLD 



Foi uma das séries mais aclamadas do ano e com boa razão. Não que o tema seja inovador: não só a série é baseada num filme homónimo de 1973, como já vimos a questão da inteligência artificial discutida em muitos meios e explorada na ficção. É, no entanto,  cada vez mais atual: à medida que os computadores se vão tornando mais inteligentes, os limites do humano e a própria definição de "pessoa" pedem para ser questionados. Westworld é, no seu âmago, movida por esta questão filosófica, não se passasse a ação num parque temático inspirado no Velho Oeste e povoado por robots cuja extraordinária semelhança aos humanos é o real atrativo para os visitantes, que aí podem viver as suas mais loucas fantasias. A noção de pessoa e as concepções de bem e mal são o motor desta série que promote mais e melhor para a segunda temporada.

 


4. BIG LITTLE LIES


O que esperar de uma série que junta Nicole Kidman, Reese Witherspoon e Shailene Woodley nos papéis principais? Na minha opinião, uma espécie de Donas de Casa Desesperadas, mas em muito melhor. O ponto de partida é o mesmo: donas de casa endinheiradas com vidas aparentemente perfeitas que escondem, em alguns casos, vidas não tão perfeitas assim e, noutros, situações verdadeiramente dramáticas. A série deixa-nos agarrados desde o primeiro episódio, quando é revelado que as três amigas estão envolvidas num homicídio. Não sabemos quem morreu ou quem matou, e cada episódio caminha para o desvendar desse mistério. Não será uma das minhas séries favoritas de sempre, mas com apenas sete episódios, um bom enredo e ótimas interpretações, foi uma aposta ganha.


5. GODLESS

Esta última entrada envolve um bocadinho de batota porque, na verdade, ainda não terminei a série. Interessou-me o facto de ter poucos episódios (regra geral, as séries que já têm muitas horas de screentime assustam-me), de ser um western e de ter a Michelle Dockery no elenco, a fofinha (discutível, mas eu era apaixonada) Lady Mary de Downton Abbey. Godless cruza duas histórias: a de uma cidade mineira quase exclusivamente ocupada por mulheres após uma explosão na mina ter aniquilado a maioria dos homens, e a de Roy Goode, um fora da lei perseguido pelo impiedoso Frank Griffin e o seu bando. É uma série violenta, como teria sido o Velho Oeste, mas vejo-lhe muito potencial e estou certa de que quando a terminar irá continuar no meu Top 5 de séries de 2017.


Quais as vossas séries favoritas de 2017? Digam-me se acham que há alguma mesmo boa que me está a falhar. E aproveitem para me seguir lá pelo Instagram, onde publico com regularidade 💙

A minha cirurgia estética - 5ª parte: remoção da tala

O relato da minha experiência do pós-operatório não chegaria para encher uma página. Essa que é para a maioria a altura mais temida de uma intervenção cirúrgica, no caso específico desta cirurgia, e na minha experiência, não passou de sintomas de constipação, somados a algum inchaço e olhos negros. Sim, não estava com bom aspeto, mas nunca senti dor nem qualquer tipo de incómodo depois da remoção dos tampões na manhã que seguiu a cirurgia. Nesse dia, já em casa, e nos dia seguintes, as nódoas negras ficaram mais pronunciadas (algo esperado e que, portanto, não me incomodou) e as bochechas incharam imenso (algo que não esperava e que me assustou - não porque fosse grave mas porque me fazia confusão ver-me ao espelho num estado que não reconhecia). Apesar de uma ligeira obstrução, nunca deixei de conseguir respirar pelo nariz, o que acredito ter ajudado a um pós-operatório tranquilo. Isso, e ter percebido, mesmo com a tala e o inchaço, que o nariz estava de facto mais pequeno e delicado.


Oito dias depois da cirurgia voltei ao hospital para tirar a tala e os pontos e apesar de não ter grandes expectativas (tinha acompanhado casos de rinoplastia no Youtube e o nariz parece quase sempre uma batata nos primeiros dias que sucedem a remoção da tala) adorei o resultado: o tamanho do nariz estava proporcional ao meu rosto, a bossa não estava lá, as narinas estavam mais pequenas e a ponta refinada. Estava tudo diferente, mas reconheci logo aquele nariz como meu. Julgava que levaria algum tempo a habituar-me às mudanças, principalmente porque o nariz altera a perceção geral do rosto, mas nunca senti isso. Pelo contrário, era  como se este fosse o nariz que sempre deveria ter tido, em harmonia com o rosto. Ainda está inchado, ainda vai mudar muito (e já notei mudanças desde o primeiro dia sem a tala), mas as melhorias são notórias e são testemunho do trabalho de um excelente profissional, o Dr. José Carlos Neves. Deixo um pequeno antes e depois, ainda com adesivos mas com a promessa do resultado final em breve.  




A minha cirurgia estética - 4ª parte: a cirurgia

Sim, ainda é o nariz antigo =)



Comecei a ficar nervosa duas semanas antes da data agendada para a cirurgia. Não que contemplasse a ideia de desistir (pelo contrário, tinha um enorme medo de que, por algum motivo que me fosse alheio - constipação minha, doença do médico, terremoto que destruísse o hospital, ou qualquer outra calamidade - a operação tivesse que ser adiada), mas acho que, à medida que a coisa se vai tornando mais real, é inevitável pensarmos que nos estamos a colocar numa posição de algum risco por motivos estéticos. Não senti um medo paralisante, mas foi o suficiente perceber que uma cirurgia é um caso sério e que não me sujeitaria a algo desta magnitude se só estivesse descontente com um pormenor. No meu caso, o meu nariz era algo que me incomodava diariamente, que sentia que não pertencia no meu rosto, e achei justificado o pequeno risco (presente em qualquer cirurgia) que correria e os subsequentes dias de recuperação em troca de algo que me permitiria olhar ao espelho e ver finalmentea imagem que via dentro da minha cabeça. 


Nos dias que antecederam a cirurgia, tive duas consultas: a primeira, com o médico anestesista e a segunda, na véspera, com o cirurgião. Ambas as consultas ajudaram a reduzir o pouco nervosismo que sentia, e acordei às 7h do dia marcado depois de uma noite bem dormida e confiante de que tudo decorreria tranquilamente. Até às 17h, o tempo voou: terminei de arrumar a minha mala, tomei banho com calma, cheguei ao hospital por volta das 10h, fiz o check-in e muito rapidamente levaram-me para o quarto, onde me deram a roupa que deveria vestir para a cirurgia e um comprimido para relaxar. Eram então 11h e a cirurgia estava marcada para as 12h25. Achei que faltava imenso tempo, mas pouco depois comecei a ficar com sono, adormeci e só acordei quando duas meninas da dietética me vieram visitar para personalizar a minha dieta para a estadia no hospital, visto ser vegetariana. Quando elas saíram, um enfermeiro e uma auxiliar levaram-me para o bloco operatório e uma outra enfermeira colocou-me o catéter na mão (era por essa via que seria administrada toda a medicação). A partir daí, tudo é uma confusão de rostos: como estava um bocado paranóica devido ao comprimido que havia tomado (e também porque sem lentes de contacto vejo muito mal) achava que me tinham levado para o bloco errado, pareceu-me ter ouvido a palavra "neurocirurgia" e achei que iria aparecer nas notícias por ter sido a pessoa que foi fazer uma rinoplastia e ficou sem parte do cérebro. Quando o médico anestesista chegou fiquei mais tranquila (afinal, tinha confiança total nele e no cirurgião) e deve ter começado a sedação porque não me lembro de nada durante algum tempo. 


Fui operada sob anestesia local e sedação, o que significa que estava consciente e a respirar naturalmente, mas num estado menos alerta e, obviamente, sem sentir qualquer dor. Portanto, quando acordei durante a cirurgia, não fiquei assustada. Vi o cirurgião e perguntei-lhe se já tinham começado, e fiquei feliz ao perceber que sim. Durante a cirurgia senti algum desconforto – a dada altura deixei de conseguir respirar pelo nariz e tive que começar a respirar pela boca, senti raspar o osso e o impacto das osteotomias. Ouvi conversas, parece-me ter ouvido música e alguém a cantarolar, vi que tiraram algumas fotografias ao nariz e ouvi-os trocar impressões sobre estar a sangrar mais do que o normal. No final o cirurgião introduziu um tampão em cada narina (que fez muita impressão), o anestesista levou-me para o recobro e disse-me que me tinha portado muito bem. Lembro-me de lhe dizer que não custou nada, e é verdade: o desconforto durante a cirurgia foi mínimo e certamente compensou pela ausência dos efeitos secundários mais comuns em caso de anestesia geral.


Não sei a que horas começou a cirurgia, nem quanto tempo estive no recobro, mas eram 17h quando cheguei ao quarto. Fiquei até às 19h ligada ao soro e depois deixaram-me finalmente levantar e vestir a minha roupa (claro que aproveitei para espreitar o nariz no espelho da casa de banho) e jantar. Foi a minha primeira refeição do dia, e apesar de não conseguir saborear bem os alimentos devido ao nariz bloqueado, soube-me maravilhosamente. Foi depois que a parte difícil começou: à medida em que ia passando o efeito da anestesia, a impossibilidade de respirar pelo nariz começou a incomodar-me cada vez mais. Sempre soube que o bloqueio nasal devido ao tamponamento seria desesperante, porque quando me constipo e fico congestionada fico extremamente incomodada e não descanso, nem durmo, enquanto não volto a respirar. Eram 3h quando consegui adormecer e fui acordando a cada hora, sempre que me esquecia de respirar pela boca. Numa das vezes em que acordei tive um momento de pânico por não conseguir respirar pelo nariz e a pressão que sentia devido ao tampão. Queria arrancar o tampão para poder respirar, e foi o único momento em que pensei “o que é que eu fui fazer?”. Nunca senti qualquer dor, náusea ou dor de cabeça, mas teria preferido tudo isso à sensação de nariz bloqueado. Durante uns trinta segundos, se me tivessem dado a opção de estar em casa a respirar bem com o nariz antigo em vez de congestionada com o novo, teria aceite. No entanto, acabei por conseguir acalmar-me e esperei a manhã seguinte, em que o tampão seria retirado. 


A minha cirurgia estética - 3ª parte: as consultas

Fotografia tirada dias antes da rinoplastia




Passaram quinze meses desde o primeiro post em que falei sobre a minha - então futura - cirurgia estética (e oito desde o último post aqui no blog, mas não vamos falar disso, sim?). Sempre soube que queria documentar o processo online, por dois motivos: primeiro, para mais tarde lembrar o que experienciei durante este período, segundo (e principalmente) porque a falta de abertura em relação a este tema em Portugal faz com que quem pensa fazer uma cirurgia semelhante encontre muito pouca informação sobre a cirurgia, incluindo preços, médicos, etc. E desengane-se quem ache que isto acontece porque não está estabelecida entre nós a "cultura" da cirurgia estética. Para terem um vislumbre, basta dizer-vos que o cirurgião que me operou faz entre 200 a 300 rinoplastias por ano, em Portugal, e que há outros que operam em quantidades semelhantes. 


Pode ser que este silêncio se deva tão-só à ausência de uma comunidade online de partilha de experiências, mas parece-me que parte da explicação reside em alguma estigmatização que ainda persiste acerca da cirurgia plástica. Pela minha parte, acho que é uma dádiva dos deuses e é fantástico que a medicina moderna ofereça a possiblidade de alterarmos em segurança algo que nos incomoda. Ainda assim, estes posts não serão uma apologia da cirurgia estética: o seu principal propósito será documentar o meu processo para poder ajudar alguém que pondere submeter-se ao mesmo. No dia em que partilhei o resultado imediato (ainda inchado, mas perfeitinho) da minha rinoplastia, três pessoas vieram falar comigo a pedir detalhes sobre a cirurgia e o cirurgião, portanto parece-me que há espaço para essa informação. 


A minha primeira consulta foi a 22 de Agosto. A marcação desta consulta foi antecedida por dias de pesquisa sobre cirurgiões - não é fácil encontrar alguém a quem confiar o nosso rosto, sendo esta a etapa que considero a mais importante de todo o processo. Como já tinha lido muito sobre o assunto, tinha alguns requisitos fundamentais: teria que ser um médico com formação de base em otorrinolaringologia, especialista em cirurgia facial e que fizesse mais de 200 rinoplastias por ano. Muitos cirurgiões plásticos referem a rinoplastia como a mais desafiante das cirurgias estéticas, portanto queremos alguém com experiência, prática e talento. A minha lista final tinha três nomes, e o meu plano era consultar-me com todos (e é isso que recomendo a qualquer pessoa que planeie fazer esta cirurgia), mas acabei por sair da primeira consulta com cirurgia marcada com o Dr. José Carlos Neves.


Além de uma lista de questões "técnicas" sobre a cirurgia (que tipo de anestesia, rinoplastia aberta ou fechada, etc.), a minha principal preocupação foi explicar exatamente o que não gostava no meu nariz: era grande para o meu rosto, tinha uma bossa, a ponta bulbosa e um pouco descaída e as narinas grandes, pouco delicadas. Na segunda consulta, foi a vez de explicar que resultado final gostaria de obter - considero este passo de extrema importância porque um cirurgião pode fazer um nariz muito bonito sem que este corresponda à nossa noção de estética, tornando-se portanto necessário escolher um cirurgião que partilhasse da minha visão sobre o que é um nariz bonito. O Dr. José Carlos Neves foi sempre muito realista: explicou que cada nariz é único e que terá que harmonizar com o rosto, o que significa que não podemos pedir qualquer nariz que nos agrade porque em primeiro lugar não será possível imitá-lo e porque, em segundo, é essencial que combine com as restantes feições. Assegurou-me da sua competência mas deixou claro que não poderia prometer um nariz perfeito, até porque isso dependeria de fatores que lhe são alheios, como a própria capacidade de cicatrização do meu organismo. Por todos estes motivos, decidi marcar a cirurgia na primeira consulta. Tinha a certeza de que queria fazer a cirurgia e confiava no cirurgião que me iria operar. Talvez não ficasse perfeito, mas seria certamente uma grande melhoria, o que para mim seria já um resultado satisfatório. A minha cirurgia ficou marcada para 7 de Novembro, e o mês de Setembro foi passado entre consultas de medicina geral, análises e exames para nos certificarmos de que estava apta a ser operada. A 3 de Novembro consultaria o médico anestesiologista e quatro dias depois teria um nariz novo... que apesar da cautela do cirurgião em elevar-me as expectativas, ficaria, na minha opinião, perfeito. 


(Continua..)

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