Slider

Veggie places: Paladar Zen




É incrível como estudei cinco anos em Lisboa sem, ao longo desse tempo, ter experimentado um único restaurante vegetariano. E que tenha passado mais um ano, em que já não estudando ia semanalmente a Lisboa espairecer e ao cinema, metida nos Burger King e Pans desta vida. E a quantidade de espaços veggie que há! Entre restaurantes veganos, vegetarianos e veggie-friendly são mais que muitos, e se agora já visitei alguns a minha lista não para de aumentar, entre aqueles que descubro e os novos que vão surgindo (o mais recente é o Ohana by Naz, no Parque das Nações, que ando a morrer para visitar). O Paladar Zen foi o primeiro que conheci, e por uma combinação de fatores - proximidade, relação qualidade/preço, o facto de ser buffet - é aquele a que mais tenho regressado. 


Num espaço simples, que é sóbrio sem ser antiquado, encontramos um restaurante vegetariano com opções veganas (sem queijo/ovos/mel). Só as bebidas e as sobremesas estão no cardápio - o  restante do serviço é buffet (que podem repetir as vezes que quiserem), com sopa, 12 variedades de saladas/pratos frios (há sempre sushi vegano), e entre 4 a 6 pratos quentes. Das minhas visitas fiquei com a ideia de que, para os pratos quentes, o restaurante aposta em versões veggie de pratos tradicionais portugueses, o que ficou ainda mais claro na mais recente visita, com coisas como arroz de feijão, cozido à portuguesa, pataniscas e açorda de tomate e coentros.  E eu, que não sou a maior admiradora do nosso estilo de cozinha, gostei muito da maioria destes pratos (da maioria, porque só muita fominha me faria comer arroz de feijão). Ainda assim, os pratos frios são os meus favoritos, e o sushi é de repetir várias vezes. Faltam-me provar as sobremesas, mas os sumos naturais são variados e saborosos, como cabe a um restaurante vegetariano.






Desde que me tornei vegetariana, a minha relação com a comida melhorou a olhos vistos, ao ponto de, gradualmente, ter passado de ver as refeições como forma de combustível a adorar comer. Do alto dos meus 46 kg, acho que como mais que a média (quanto mais não seja porque não restrinjo calorias), o que me faz preferir os restaurantes buffet aos à la carte. Além disso, gosto que as minhas refeições sejam compostas principalmente por hidratos de carbono, algo que é muitas vezes difícil encontrar nos menus. Buffet wins - e este é muito, muito bom. Super recomendo, para vegetarianos, veganos e curiosos.


(O Paladar Zen fica na Av. Barbosa du Bocage, no Campo Pequeno. Encerra aos domingos e feriados. O custo do buffet, para adulto, varia entre os €8 e €10, dependendo do dia da semana. Se quiserem saber ao que vão, podem consultar a ementa diária no site, Facebook ou Instagram do Paladar Zen. Tem também opção de take-away.)

Allô!

Cinco meses! A quem perguntou por mim noutros blogs (sim, que estou desaparecida daqui mas com um olho em todo o lado), deixou comentários neste e me mandou mensagens, fica a explicação: quando eu morrer, ninguém me há-de lembrar como uma pessoa multitarefas, cheia de ocupações, capaz de, na agenda para o fim-de-semana, encaixar uma maratona, uma noite de cinema e um saltinho ali a Madrid. Prezo muito a calma, a preguiça, e se é verdade que podia planear um post a cada viagem de autocarro que faço por dia (que ainda são puxadotas, pouco menos de 1h30 para cada lado) estou ocupada a tirar sestas. Se quero conciliar trabalho, namorado (uh ooh) e tempo livre de qualidade, alguma coisa terá que ficar um bocadinho esquecida, e calhou a fava ao blog. Não necessariamente por ser demasiado trabalhoso preparar um post, mas pelo desgaste daquelas coisas que também fazem parte, nomeadamente planear a frequência de publicações e comentar em outros blogs, que quando alguém me lê e comenta sinto-me mal se não retribuir. Quando o comecei tinha toooodo o tempo do mundo, ajudava a preencher os meus dias e vocês eram a minha companhia numa época em que passava seis dias por semana em casa. E foram bons tempos, mas muito mudou desde então.


No entanto, e como gosto mesmo de escrever, de partilhar ideias e da interação proporcionada por estas plataformas, dou muitas vezes por mim a anotar no telemóvel ideias para publicações, coisas sobre as quais tenho vontade de falar. Assim sendo, não faço promessas, e certamente não publicarei com a mesma frequência de antigamente, mas vou -tentar- estar mais por cá. E como isto não é como andar de bicicleta, aceito sugestões de posts - se há qualquer coisa que ficou por falar sobre os assuntos do costume, estou recetiva a sugestões. Beijinhos, pessoas queridas!

Ora vamos lá ver...



Estará aí alguém? É que, caso esteja, eu também estou, com coisinhas para dizer. :)

Christmas Veggie Challenge // Entradas

Se acompanham o Instagram do blog (se não acompanham, talvez seja uma boa altura para começarem) já terão visto algumas fotografias das receitas que tenho andado a preparar para o Christmas Veggie Challenge. Quanto a vós não sei, mas a última coisa que quero no Natal (ou, a bem dizer, noutro dia qualquer) é passar horas infindáveis na preparação de pratos que desaparecerão em duas horas, e por essa razão decidi que todas estas receitas seriam fáceis e rápidas. Quando digo fáceis, é porque são mesmo: poucos ingredientes, pouca louça utilizada, pouca preparação. Tinha um interesse especial em criar as entradas por ser algo algo que, por falta de ocasião oportuna, nunca tinha feito anteriormente. É claro que encaixam perfeitamente num jantar de Natal: as outras pessoas estão a comer os seus patês e o seu marisco, não faz sentido que o desgraçado do vegan esteja de fatia de pão na mão à espera de passar ao prato principal. E, havendo entradas que praticamente se fazem a si próprias, não há desculpa. Vamos, então, a isso?


Patê de cogumelos portobello 





INGREDIENTES 

- 350g de cogumelos portobello

- 2 colheres de sopa de manteiga de soja 

- Sumo de meio limão 

- 1 colher de sopa de tomilho seco 

- Sal q.b.

-  Cebolinho (para decorar) 

- Tostas integrais 


PREPARAÇÃO 

- Lavar e cortar os cogumelos em quartos; 

- Numa frigideira em lume médio, fritar com uma colher de sopa de manteiga os cogumelos temperados com sal e tomilho, até que fiquem bem castanhos; 

- No processador de comida, ou com a ajuda da varinha mágica, picar até obter uma pasta uniforme. Adicionar o sumo de limão e o restante da manteiga, envolver e deixar repousar no frigorífico durante uma hora; 

-  Retirar, decorar com cebolinho picado e servir em tostas integrais. 



Rolos de chouriço e massa folhada




INGREDIENTES


- 1 embalagem de massa folhada (a do LIDL é vegan-friendly

- 1 chouriço de soja 



PREPARAÇÃO 

-  Pré-aquecer o forno a 220º;

- Cortar o chouriço em rodelas finas (mas não demasiado, para que não quebrem); 

- Cortar a massa em tiras com a mesma largura das rodelas de chouriço; 

- Enrolar o chouriço na massa folhada e levar ao forno durante cerca de 20 minutos, ou até a massa folhada adquirir um tom dourado. 

Christmas Veggie Challenge: Os bloggers

Na semana passada apresentei aqui a minha proposta de um desafio de Natal, uma coisa muito simples: cada blogger que assim decida irá fazer e partilhar uma receita à base de alimentos de origem vegetal para a ceia de Natal. Pouco importa se são eles próprios vegetarianos - a ideia é, também, mostrar como a comida veggie pode ser deliciosa para todos. Entretanto, uns e-mails enviados, outros recebidos, pessoas muito recetivas, e chegámos a este grupo para lá de espetacular. Nos próximos dias podem espreitar cada um destes blogs, caso queiram ver as primeiras publicações dedicadas ao desafio, nas quais poderão conhecer, por exemplo, o que lhes motivou a participação (sem contar com o meu charme natural e elevados poderes persuasivos, evidentemente). Lembrando sempre que, se só estiverem a ver o post agora e quiserem participar, basta que me enviem um e-mail para perdidaemcombate.blog@gmail.com, que o objetivo disto é o contrário de ser um clube exclusivo. Quantos mais, muito melhor. 


CREME DE AVELÃS 

ELA E ELE, ELE E ELA 

MESSY HAIR, DON'T CARE 

PEQUENAS VONTADES 

POR ONDE ANDA A SOFIA?

SIMPLES ASSIM

THE BRUNETTE'S TOFU 

THE FANCY CATS 

THE PINK ELEPHANT SHOE

TREZE MUNDOS 

VIVER A VIAJAR


Entretanto, deixo-vos com a mini-amostra do que vão poder ver aqui nas próximas duas semanas:



(Se acham que tem bom aspeto, esperem pelos cupcakes.)

A minha cirurgia estética - segunda parte

Passaram mais de dois meses desde que partilhei aqui a decisão de me submeter a uma cirurgia estética. Não recebi um único comentário que não fosse encorajador e fiquei com a certeza (se dúvidas houvesse) de que este blog só é lido por malta fixe. Mas apercebi-me também de que posso ter passado uma ideia um pouquinho desfasada da realidade sobre a minha relação com o meu nariz, que não foi sempre saudável. É verdade que falo sobre este assunto com naturalidade, mas isso é porque a cirurgia sempre me pareceu o caminho "natural" para solucionar o meu problema, e por isso não sinto, de forma alguma, que esteja a ser corajosa quando falo sobre isto em público. Mas o problema em si incomoda-me diariamente, e requer um esforço contínuo - não de aceitação, porque não é algo que queira (ou consiga) aceitar, mas de paciência. 


O meu nariz não foi sempre assim. Parece óbvio, porque todos nascemos com mini-narizes, mas em alguns casos este torna-se desproporcional em idades precoces, o que serve de catalisador para os bullies deste mundo. Não é, aliás, incomum que se decida fazer uma rinoplastia depois de anos de a ser-se gozado pelo tamanho ou a forma do nariz. Comigo não se passou assim, e foi só com a puberdade que começou a mudar: cresceu, ganhou uma bossa, tudo coisas boas. E, como foi uma característica que fui adquirindo, e não algo que tenha nascido comigo, houve uma altura em que a realidade bateu, em que percebi "caramba, este é o meu nariz". Esse foi o início do período difícil. Não será surpresa que isto tenha surgido num contexto mais alargado de insegurança. A minha pele resolveu começar a ser acneica, tinha começado o mestrado e o ambiente e expectativas eram diferentes daqueles da licenciatura, estava interessada numa pessoa com quem só falava através do Facebook e cuja perspetiva de conhecer pessoalmente causava uma ansiedade terrível. No meio disto tudo, o nariz foi o bode expiatório - devo acrescentar que acho que, de entre todos os "defeitos" físicos que podemos ter (excluindo, obviamente, deficiências e coisas que prejudiquem ou decorram de problemas de saúde) o nariz é o mais suscetível de ser um incómodo constante, porque está no meio da cara, sem chance de esconder. Comecei a usar óculos em vez de lentes de contacto para camuflar a bossa, tirei mil fotos de perfil na esperança de encontrar uma em que não me parecesse tão mau, culpei o universo porque "até as pessoas feias têm narizes normais e eu estou aqui encalhada com esta coisa". Sei que isto parece idiota e um bocadinho petulante, mas era assim que eu pensava nessa altura. 


Sabia, mesmo enquanto estava a acontecer, que me encontrava no limiar de um caso clínico de dismorfia corporal (um transtorno psicológico), e tomei a decisão consciente de não me prolongar nesses sentimentos. Comecei então a fazer o que podia para atenuar visivelmente o impacto do meu nariz, por um lado, e para manter a minha mente afastada dele, por outro: abandonei o estilo demasiado girly e procurei um mais cool por achar que combinava melhor, adotei pequenos truques como manter o cabelo afastado do rosto e usar rabos-de-cavalo altos, proibi-me de tirar fotografias de perfil e de me olhar propositadamente ao espelho em maus ângulos, etc. Fundamentalmente, abandonei a maioria das técnicas para esconder o meu nariz (exceto os óculos de sol, uma bóia de segurança demasiado tentadora para abdicar dela) que, assim como assim, nunca funcionaram, e aprendi a contrabalançar o seu peso no meu rosto, na medida do possível. O que nunca fiz foi tentar obrigar-me a aceitar o meu nariz, porque isso seria mudar algo que me é central - o facto de ser uma pessoa muito direcionada para a estética. Tentar encontrar alguma beleza no meu nariz (uma beleza alternativa, por exemplo) seria, na minha perspetiva, uma forma idiota de auto-ilusão. E isto não é self-hate, porque da maneira como vejo as coisas este nariz não é meu, é um apêndice que está aqui provisoriamente até que eu possa "ir buscar" aquele que deveria ter tido à partida. É isto que quero, que me desculpe a malta defensora de que somos só essência se não tenho vontadinha nenhuma de iniciar uma viagem espiritual, ir viver para uma comuna e fumar mescalina até atingir o nirvana e menosprezar a existência do corpo.


Perdi a conta às vezes que li e ouvi, nos mais variados contextos, a frase feita de que os humanos nunca estão satisfeitos com o que têm. E li muitas mais vezes a mesma afirmação dirigida às mulheres e à sua aparência. Percebo que essa seja a realidade de muitas, devido à rigidez dos padrões de beleza, mas nunca foi o meu caso. Sou, desde sempre, a minha melhor amiga e defensora - acho até que chego a ser um tudo-nada autocentrada, de forma que só algo manifestamente inestético e desproporcional foi capaz de me provocar uma reação diferente. A minha personalidade, bem como o facto de, ao contrário do que acontece frequentemente em casos semelhantes, nunca ter sido vítima de bullying ou comentários inapropriados a respeito do meu nariz, permitiu-me nunca duvidar de que estou a fazer isto por mim - o que, por mais cliché que seja, é muito importante. Sou confiante ao ponto de dizer com sinceridade que o meu ideal de corpo é o que tenho e que a única pessoa com quem me quero parecer é a melhor versão de mim própria. Ao contrário de muitas pessoas que procuram uma cirurgia estética, não vou levar para a minha primeira consulta fotografias da celebridade tal que tem o nariz perfeito - se levasse algumas, levaria as minhas aos onze anos, quando ainda tinha o meu nariz perfeito. 


Tenho conseguido (exceto, obviamente, durante aquele período de crise) ser confiante na minha aparência porque, na autoimagem fixada na minha mente, tenho o nariz que deveria ter, não este. Mas é também por esta razão que, por vezes, encontro uns dias mais difíceis - porque quando, por acidente, apanho no espelho ou na câmara um ângulo menos favorecedor, não estou, genuinamente, à espera de ver o que vejo. Se tudo correr bem, é isso que, daqui menos de um ano, irá mudar com a minha cirurgia: poder ver no espelho a imagem de mim própria que vejo na minha cabeça. E vai ser muito, muito bom.

Christmas Veggie Challenge - quem alinha?


Desde que, em março, organizei o My Fit Self Challenge que tenho vontade de voltar a propôr algo do género. E agora, com a aproximação do Natal, volto com uma ideia um bocadinho diferente, mas que me é igualmente querida. Quem passa por cá sabe que a forma como escolho comer é mais que uma dieta. E tenho tentado usar esta plataforma para fazer alguma diferença, pequenina mas nunca insignificante, partilhando informação e normalizando a alimentação à base de produtos vegetais. É sobre esta segunda vertente que vos falo hoje. Nos últimos tempos, tem-me deixado muito feliz ver que as pessoas, mesmo consumindo produtos de origem animal, estão cada vez mais abertas e disponíveis a conhecer -e provar- o outro lado. Mas em épocas festivas, como o Natal, a tendência é (compreensivelmente) a de não arriscar além daquilo que se conhece. E é aqui que acho que poderíamos fazer alguma diferença: convido-vos a preparar, para a ceia de Natal, um prato de origem vegetal, que pode ser uma entrada, prato principal ou uma sobremesa. Levem para o jantar de família, vejam as reações e partilhem-as nos vossos blogs, bem como a receita que fizeram. Ao longo de Dezembro, vou publicar receitas como exemplo para cada uma das categorias, sempre coisas simples (e boas, é preciso dizer?) e, na maioria, com produtos que poderão encontrar em qualquer supermercado. Se têm um blog e querem participar, basta que me enviem um e-mail para perdidaemcombate.blog@gmail.com até domingo, dia 4. Conto convosco! =)

Kill Your Barbies chega ao séc. XXI... e ao Instagram



Cheguei a esta festa com uns cinco anos de atraso, mas acho que ainda venho a tempo. Nuns meros quatro dias já consegui perceber que não sou grande fã do "ambiente" do Instagram, lá com aquela malta que segue-para-ser-seguida-e-depois-deixa-de-seguir (vá, não levem a vida tão a sério), mas noto que ter um espaço para partilhar fotografias faz com que esteja mais atenta às coisas e menos absorvida pela música no fone do ouvido, por melhor que esta seja. Gosto disto, pronto. Se quiserem seguir (que era um gesto bonito da vossa parte, just saying), cliquem aqui. Não prometo muito, mas prometo fotos de gatos giros.

© Kill Your Barbies. Design by Fearne.