O padrão e a beleza

Créditos da imagem: x



Deparei-me com um belo texto sobre aceitação pessoal que enfatiza a necessidade de interiorizarmos que, no que concerne à aparência física, todos temos defeitos. Neste sentido, seria sensato não nos determos nas características indesejadas, seja porque a aparência não é o mais importante ou porque a certeza das inseguranças de todos deveria aliviar as de cada um. Apesar de considerar louvável a mensagem positiva, dei por mim a discordar da ideia subjacente - a de que somos todos defeitos. Em vez disso, diria que só somos defeitos na medida em que não possuímos a totalidade das características do estereótipo de beleza atual. 


Não partilho da conceção da beleza como algo inteiramente subjetivo. Tão-pouco acho que todas as pessoas são lindas. Para lá dos padrões, há características historicamente estáveis no consenso que reúnem, particularmente ao nível do rosto. A simetria é apreciada, a concordância de proporções idem. Ninguém (pelo menos, ninguém no seu perfeito juízo) chamará feia à Angelina Jolie. Quando muito, diremos não apreciar o seu tipo de beleza. Mas essa é só metade da questão, e não é a metade mais importante. Não somos todos lindos, mas somos muito mais que os padrões de beleza querem fazer parecer. Se virem este vídeo percebem como, ao longo da História, diferentes formas corporais foram elevadas como ideais. Não precisamos recuar ao Renascimento, em que a mulher ideal seria hoje uma modelo plus-size: basta notar que o padrão dos anos 90 - o heroin chic - é hoje ativamente combatido. Os padrões chegam e depressa reinam absolutos, ao ponto de todas as características que se lhes desviam serem um defeito que podemos escolher aceitar ou modificar.



Defende-se hoje uma magreza "saudável". A figura feminina ideal existe no difícil balanço de magreza e voluptuosidade - não mais a Kate Moss mas a Gigi Hadid, um tipo de beleza mais próximo ao das super-modelos dos anos 80. Ser mulher hoje é quase garantia de que, se tiveres peito pequeno, vais desejar maior. Se o tiveres muito grande também não vais gostar. Se ninguém está satisfeita com o que tem (uma frase demasiadas vezes repetida e raramente refletida) é porque, sendo o padrão tão limitativo, é altamente provável que a esmagadora maioria das mulheres não se enquadre em pelo menos uma característica. E é surpreendente que não nos seja concedido tempo para percebermos se gostamos do nosso corpo antes que a sociedade nos bombardeie com estes estereótipos. A sociedade, claro, somos também nós. Somos avaliadas e avaliamos. Tendo propensão para me colocar à margem do pensamento normativo, fui ao longo dos anos percebendo os condicionamentos daqueles que me rodeiam. Lembro-me perfeitamente de, na altura do lançamento do filme Avatar, alguém comentar a figura da Zoe Saldaña com um "olha, está de costas" ou "coitadinha, sai ao pai". Recordo-me também de afirmar que achava bonito e ser olhada como uma extraterrestre. O mesmo aplica-se, em maior ou menor grau, quando digo que gosto dos pixie cuts, ou que não aprecio unhas compridas. 




Gostava, mas gostava mesmo, que as mulheres percebessem que ter o peito pequeno, ou grande, ser alta ou baixa, ter coxas volumosas ou pernas magras, não são, em si mesmos, defeitos nem qualidades: são características. E é triste que a bitola pela qual decidimos se gostamos ou não dessas características raramente seja a nossa, mas sim a do padrão de beleza vigente. Reitero que não acho que sejamos todos perfeitos e defendo a liberdade para desgostarmos de alguma parte do nosso corpo ou rosto. Sou completamente a favor da cirurgia plástica estética e sei desde os dezasseis anos que, assim possa, irei corrigir um elemento que não gosto no meu rosto. Que não aceito -e que acho que não tenho que aceitar- mas com a plena noção de que não são os padrões que me motivam.




É, claro, muito difícil fazermos esta dissociação. A partir do momento em que nascemos, somos atiradas para um mundo que nos diz como devemos ser com base nas características atribuídas ao género. É difícil separar as nossas ideias daquelas da sociedade, e perceber quais são realmente nossas. Talvez nenhumas sejam inteiramente nossas! - mas isso não significa que não devamos tentar. Aceitarmos que somos todos defeitos é um atalho que, muito embora bem intencionado, pertence ao quadro mental da padronização dos corpos. Não temos que incorporar o padrão como cânone e tomar os pontos em que divergimos como defeitos que temos que aceitar. Gostava que, em tendo os vossos corpos alguma característica da qual não gostem, refletissem nas razões para tal. Mesmo que concluam que continuam a não gostar, perceberão talvez que aquilo que julgavam ser um defeito é, afinal, uma característica, que só é boa ou má à luz de padrões na sua essência voláteis. 


28 comentários

  1. Gostei muito da tua opinião, acho completamente pertinente. Eu defendo que todas as pessoas são bonitas, existem é pessoas que se cuidam mais do que outras, e isso é inegável. O conceito de beleza é todo ele muito subjetivo, o que agrada a uns, desagrada a outros e portanto como é que se pode esperar consenso em relação ao tema? E quem decide qual é o padrão de beleza do momento, um grupo de estilistas e a sociedade segue toda atrás? É certo que nós mulheres todas temos características que gostaríamos de mudar, e estamos no nosso pleno direito, mas devemos defender-nos quando alguém tenta impor sobre nós o seu conceito do que é belo e dizer-nos para mudar o que quer que seja. Somos todas bonitas, cada uma à sua maneira :)

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  2. Excelente texto e grande análise que fazes aqui! Concordo contigo, não somos todos perfeitos no sentido em que somos tod@s lind@s e maravilhos@s, mas acho que quem luta por essa ideia defende mais o direito de gostarmos de nós mesm@s seja como for, sem termos que ceder à ideia de beleza ditada pela sociedade, do que propriamente de nos convencermos que somos Angelinas.

    Falo por experiência própria, a questão dos padrões deu-me uma adolescência complicada: peito pequeno, um bocadinho de barriga, peluda, sobrancelhas enormes, e uma confiança que roçava o chão. Felizmente, à medida que cresci fui percebendo que sou muito mais do que a minha imagem ou do que as críticas que me faziam, o que me trouxe a confiança suficiente para gostar de como sou e por batalhar pelo que quero mudar, mas sem me odiar pelo caminho. E acho que o importante é isso: independentemente de querermos mudar algo, não sermos obcecad@s com isso, e vermos para além do que nós consideramos serem defeitos.

    Jiji

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    1. Claro que sim, estou certa de que a intenção de quem diz que todos somos perfeitos é a melhor! Só acho que temos a ganhar se formos mesmo à fonte do problema em vez de circularmos em torno dos conceitos normativos.

      Pelo que disseste, o teu caso ilustra bem isso: disseste que percebeste que és mais que a tua imagem, e isso é fundamental para qualquer pessoa, mas fica subentendido que vês essas características que enumeras como defeitos que tiveste que aprender a aceitar. Eu acho mesmo que ter peito pequeno, um bocadinho de barriga e sobrancelhas enormes não são defeitos em si mesmos (basta veres o vídeo que refiro no texto). O que defendo é que deixemos de nos alimentar da ideia de perfeição ditada pelo padrão vigente - é a diferença entre aceitares ter o peito pequeno porque não tens outra alternativa e gostares de ter o peito pequeno porque achas bonito. Ou não gostares - também não defendo que adoremos cada característica só porque sim, apenas que a avaliação que delas fazemos esteja liberta dos padrões arbitrários.

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    2. Sim, eu percebi, e concordo totalmente contigo - o meu "aceitar" passou por perceber que ter o peito pequeno não é defeito (e hoje em dia dou graças aos céus por tê-lo assim, gosto muito dele pequenito), passou por passar a não torturar as minhas sobrancelhas e adorar a moldura que dão ao meu rosto e a sua força, mas por exemplo, a questão da barriga, que ainda me vai chateando, já não é algo que me faça infeliz embora não se enquadre naquilo que eu gostaria mesmo de ter, percebes? Umas coisas passei a ver como coisas boas, embora não sejam o "ideal da sociedade", e defendo-as com unhas e dentes, e as outras simplesmente aceitei como minhas, e já não lhes dou um valor fulcral, mas sim acessório :)

      Jiji

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  3. Acima de tudo o importante é gostarmos de nós próprios e de vestir a nossa pela dia após dia. Se não gostamos de algo e se podemos mudar, força. Mas que seja sempre porque realmente não gostamos e queremos mudar e nunca porque a sociedade acha que o nosso corpo devia ser assim e não assado.

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  4. Quando escrevi o "Somos todos defeitos", nunca imaginei que alguém fosse encarar o assunto para lá de um desabafo e admito que até estou satisfeita pelo facto de teres sido aquela pessoa que apareceu para me ensinar mais uma lição de vida. Sejam defeitos ou características, a verdade é que cada um de nós deve ser aquilo que quer ser. Sempre haverá aquele ou outro ponto que nos frite o cérebro, mas que isso não sirva de desculpa para que deixemos de tratar de nós por nós mesmos...
    É o que estou constantemente a dizer, muita coisa em mim mudou, principalmente a forma de pensar e de encarar o meu papel nesta dita sociedade. Se já me deixei influenciar pelos padrões de beleza incutidos na cabeça de muitas pessoas? Já e não tenho problemas de o admitir. Se por vezes ainda me sinto em baixo por ter muito amor próprio por conquistar? Claro, mas ao menos apercebi-me de que é esse amor que eu devo conquistar, principalmente.
    Agradeço-te por teres dado importância ao texto que escrevi, trazendo-nos este aqui. Tenho a dizer que está espetacular!

    Beijinhos,
    avidadelyne.blogspot.pt

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    1. Como disse, a tua mensagem é de louvar, não só porque é claramente positiva, mas porque faz pensar (fez-me a mim, pelo menos).

      Olha, eu tive a sorte de nunca ter considerado atraente o padrão de beleza física vigente, e por isso nunca me afetou negativamente enquadrar-me ali mais nos 60's que nos 2000, de acordo com o vídeo =P Mas vejo tanta gente a reproduzir estas ideias e a odiar o seu corpo por causa de padrões arbitrários e idiotas que acho que a melhor forma de nos libertarmos está em desconstruir o estereótipo. Não é sequer a beleza que está em questão, é o apego da sociedade a uma imagem de beleza que ela própria cria porque sim (e que muda década após década) e leva as pessoas a entranhá-la como intrinsecamente boa... é surreal.

      Beijinhos e obrigada!

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  5. Passando para desejar um bom fim de semana.

    Beijo.

    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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  6. Li com bastante atenção os dois texto e posso dizer que concordo mais com a tua abordagem. Não me parece que sejamos todos defeitos, somos sim levados a observar e acentuar essas características pessoais negativamente.
    É lógico que os padrões sociais são regras de como vemos as pessoas, mesmo sem uma consciência plena, no entanto acredito, num plano mais geral e abrangente, que vivemos num período de uma profunda mudança de paradigma social. E esta mudança vê-se também na aceitação e proliferação de ideais mais abrangente no que diz respeito à beleza. Acredito que hoje, as novas gerações não estarão tão coladas a uma modelo único de beleza e acredito que as futuras gerações estarão ainda menos. Claro, que como disseste, há padrões de beleza muito gerais, mas num plano mais particular acredito numa libertação de valores.

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    1. Gostava de poder dizer que concordo, mas estamos no centro dessa mudança e não consigo perceber se é de facto uma libertação ou a imposição de novos padrões.

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  7. Eu continuo a achar que a beleza deveria ser um conceito relativo. Claro que isto é quase utópico, uma vez que, desde pequenas, somos bombardeadas com estereótipos de beleza. Não é fácil lidar com essa pressão. Acho que o segredo está na aceitação de nós próprios, na nossa auto-estima. É um trabalho duro e contínuo. Há sempre coisas de que não gostamos no nosso corpo, temos é de aprender a conviver com isso ou mudar, se nos for possível e se nos fizer sentir bem. O importante é que nos sintamos em paz com o nosso corpo, independentemente daquilo que os outros digam.

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    1. A mim custa-me encarar a beleza como um conceito totalmente relativo. Ao nível do corpo, e pela diversidade de padrões de beleza através da história, aceito prontamente esse caráter volátil. Quanto ao rosto, noto que a estabilidade do que foi considerado belo através da História é enorme. Acho que democratizar o belo é levar o politicamente correto demasiado longe, porque no final do dia há rostos que toda a gente classifica como mais bonitos que outros. No entanto, o politicamente correto nunca matou nem magoou ninguém, já os padrões irreais... Por isso incomoda-me pouco que se diga que toda a gente é bonita, apesar de não poder concordar.

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  8. Beleza é uma coisa difícil. O importante é gostarmos do que somos e, se queremos mais ou melhor, fazer porque queremos e não porque é moda!

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  9. Infelizmente é a ditadura da beleza :/

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    1. Janny, a ditadura da beleza existe, mas o meu texto não é sobre isso. Seria uma crítica à ditadura da beleza se eu reconhecesse que a beleza equivale ao atual padrão de corpo feminino, que é o exato oposto do que fiz neste texto.

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  10. Não somos todos lindos, os bebés não são todos lindos, ninguém é perfeito. Parece duro ouvir não é? Mas é a verdade. Eu não me considero uma pessoa linda,longe disso! desde que me vejo todos os dias ao espelho e reparo que o meu cabelo cada vez me falta mais percebi que não vale a pena dramatizar, não somos todos iguais e muito menos somos mais do que alguém, temos que nos aceitar como somos. Mas a verdade é que todos temos uma característica que nos vai distinguir das outras pessoas e isso é sem dúvida o mais importante. Belo texto! Adorei...

    Um beijinho,
    Lifestyle & Co.

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  11. Infelizmente, acabámos sempre por achar que há algo em nós que não está bem. O nariz, os braços, as pernas, a barriga, a anca... Nunca vemos as qualidades. Que texto tão bom!

    Beijinhos,
    http://princesasemtiara.blogs.sapo.pt/

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  12. Adoro o teu ponto de vista e não poderia de deixar de concordar contigo porque penso exatamente assim. Quando era pequena gozavam muito comigo porque tinha as bochechas vermelhas e agora enchem-se de blush para as terem assim...
    Por incrível que pareça, foi na universidade que me colocaram (sim, não fui eu, foi outra pessoa) mais problemas com o meu peito. sei que não é grande mas também nunca o quis grande logo passei uma adolescência normal, mas na universidade tinha uma colega de casa super baixa com peito enorme e tava sempre a inferiorizar o meu. Um tempo mais tarde começou a queixar-se de dores nas costas, que o peito era muito pesado. Pois é, o meu pequenino, a minha tábua de engomar com a qual ela tanto implicava não comprometia a minha saúde... Se ela gostava dele grande muito bem, mas eu prefiro pequeno, não porque o tenho assim, mas porque é realmente como gosto. Claro que também não tem a forma exata que eu gostava que tivesse mas aceitei-o assim!
    Temos que nos aceitar a nós e não deixar que os outros e as suas opiniões nos afetem (o karma encarrega-se disso :) )

    http://fashionunderconstruction.blogspot.pt/

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    1. Quando gostamos à partida das nossas características (o que não é fácil, porque a sociedade encarrega-se de nos condicionar desde cedo) esses comentários valem zero. Desde o ensino básico ouvi gente a chamar-me coisas menos simpáticas por ser magrinha, mas eu sempre ignorei porque adorava. Ainda hoje se alguém me diz com aquele tom condescendente "ai, estás tão magrinha" tenho vontade de agradecer o elogio (e baralhar a pessoa que o disse em tom depreciativo, ahah!).

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  13. Sim, somos condicionados pelos padrões de beleza da sociedade e sim, a aparência conta. COnta para a nossa vida em geral, no entanto, concordo, temos de nos aceitar como somos e ver os nossos "defeitos" não como defeitos mas sim como caraterísticas. Adorei o texto. Beijinho :)

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  14. Texto muito bom. Acima de tudo, o que importa é gostarmos de nós mesmos e sermos saudáveis com um corpo mais ou menos atlético.
    Beijinhos.

    misscokette.blogspot.pt

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  15. Adorei o texto! We flawless!
    http://diaryofalittlebee.blogspot.pt/

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  16. Adorei muito o post!
    Nomeei-te para responderes à Tag Amo/Odeio, se o quiseres fazer o link está aqui:http://mmlbycf.blogspot.pt/2016/02/tag-amoodeio.html Beijinhos

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  17. Já li este teu texto umas duas ou três vezes. Quando o escreveste, durante o fim de semana e agora que vim comentar. Vai muito de encontro ao que eu penso mas que nunca soube como o transmitir!
    Todos os 'defeitos' que vemos em nós, muitas vezes são só coisas que nos tentaram atirar à cara. Mesmo que não quisessemos saber, aparecia alguém a apontar uma característica como defeito ou um simples anúncio televisivo... Se há coisas que me irrita, são os anúncios de rádio da Nutribalance. Não sei se já ouviste mas basicamente apontam um monte de coisas como defeitos. Do género 'gostava que a balança não tivesse um número tão alto?', 'gostava de usar calças de número mais baixo?', 'gostava de deixar as camisolas largas?'. Este género de publicidade irrita-me, tira-me do sério! É como se obrigasse quem é mais gordo a sentir-se mal com isso! Mas e se a pessoa aceitar isso como o normal e for feliz e orgulhosa da sua imagem? Tem de estar constantemente a ouvir coisas destas?
    No meu caso pessoal, passei pelo contrário. Sempre fui magra, tendo atingido o peso que queria ao longo destes últimos 3/4 anos. Apesar de achar que queria ter mais peso, sempre gostei das minhas proporções. Aliás, é o que mais gosto em mim. No entanto, havia sempre quem gostasse de salientar que as minhas pernas eram 'demasiado magras'. E eu olhava-me ao espelho e não via problema nenhum, gostava delas! Mas ouvir aquilo constantemente deixou-me um 'trauma'. E não usei saias, calções ou vestidos durante anos! Só há bem pouco tempo voltei a pegar neles. Agora olho para trás e penso: 'quão ridículo é reduzir-mo-nos à opinião dos outros ou a um padrão de beleza?' Não faz sentido... Também não sou apologista do 'somos todos bonitos', não somos. Mas as opiniões e os gostos diferem muito de pessoa para pessoa. Eu pessoalmente sou um caso um pouco aparte no que toca a ideais de beleza, sejam de homem ou de mulher. O que é bonito para mim, pode não ser para ti e isso é perfeitamente normal. Quão aborrecido seria se fossemos todos iguais e com os mesmos gostos? :p
    xx, Ana

    The Insomniac Owl Blog

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    1. Acho que acaba por ser uma ideia difícil de transmitir, e ao ler os comentários temi não me ter expressado bem porque nem toda a gente percebeu... mas é mesmo isso que dizes; concordo sem reservas. Também eu perdi a conta às vezes que ouvi que era muito magra, ou que as minhas pernas eram muito magras. Por alguma razão (que não sei mesmo qual, porque fui tão exposta a estes disparates como qualquer pessoa) sempre processei bem esses comentários e não me afetaram em nenhum momento. Aliás, se antes tinha o corpo que tinha porque sim, hoje até me esforço por continuar a ter esse mesmo corpo porque realmente gosto. Da mesma maneira, é perfeitamente legítimo que alguém goste de vestir um 44 e não simplesmente que aceite que veste um 44 (consta que a Marilyn Monroe vestia um 12 americano, o nosso 42).

      Escrevi o texto porque sei como o meu caso é raro: a maioria das mulheres que gosta do seu corpo gosta porque está de acordo com os padrões atuais e a maioria das que não gosta sente-se mal na medida em que devia dos padrões. As pessoas não têm tempo nem espaço para perceber o que pensam realmente, e acabam por ficar descontentes e inseguras por um disparate. Sabendo como os padrões de beleza física (acho mesmo que o rosto é um assunto à parte) são voláteis, é surpreendente como lhes damos tanto crédito. Como disse num outro comentário, este não é um texto sobre a ditadura da beleza mas sim sobre a criação arbitrária de um ideal único.

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  18. Minha cara,
    Não são as mulheres que têm de ser convencidas a gostarem de si mesmas tal como são São os media, a indústria da moda e da beleza!!!!!!

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