A minha experiência académica: Primeira parte

É impossível passar por dezassete anos de experiência escolar e académica sem ficar com a certeza de que existem vários tipos de inteligência. Não acho que toda a gente seja genial e há, sempre, pessoas mais interessadas, curiosas e despertas que outras, mas a inteligência não é um fenómeno linear. Admiro quem é um aluno bom e consistente desde a escola primária, mas não foi o meu caso. Pelo contrário, o meu percurso escolar e académico foi-se tornando mais fácil a cada novo grau, ao ponto de poder dizer, sem exagero, que escrever uma dissertação foi tarefa mais leve e menos frustrante que estudar para os testes de final de período no ensino básico. Curiosamente, e até ao 12º ano, as disciplinas a que tinha melhores notas eram aquelas para as quais não sentia necessidade de estudar. No secundário descobri a primeira disciplina que me parecia familiar e que terminei com dezanove apenas com uma revisão da matéria antes de cada teste: Filosofia. Trouxe emprestado um livro da biblioteca da escola intitulado O Mundo de Sofia que comparava o mundo a um gigante coelho branco e defendia que nós, terráquos, que nascemos na ponta dos pêlos do coelho -prontos a sermos maravilhados e a questionarmos tudo- vamos com a socialização descendo para a base do pêlo. A Filosofia ajuda-nos a fazer o caminho de volta, trepando até ao topo do pêlo para contemplar a realidade maior. 


Mesmo agora, acho que sou uma filósofa em primeiro lugar e uma antropóloga em segundo, mas quando chegou a altura de pensar num curso universitário eu não sabia para onde me virar. Acho perfeitamente natural e penso que nestas situações a melhor solução é tirar um gap year. Mas em 2009 a perceção da crise financeira (que é mais uma viragem deliberada para um paradigma neoliberal que uma crise) não era tão clara, e ainda subsistia a ideia de que um curso universitário era, por si só, uma vantagem e uma necessidade. Por isso matriculei-me, completamente às cegas, em Gestão de Recursos Humanos (no ISCTE), que fora a minha primeira opção. Detestei. Não gostava das disciplinas, não entendia os professores, não me identificava com os colegas. Eram, professores e colegas, pessoas com aquele ar empresarial típico das áreas de Gestão, que falavam, pensavam e se comportavam de maneira diferente de mim (se estudaram numa universidade com uma variedade considerável de áreas do saber, conhecem decerto este fenómeno: os alunos de diferentes cursos são subespécies diferentes). Não me lembro de quantas semanas aguentei lá, mas o interesse pelas matérias era tão pouco que acabei a trocar, por diversas vezes, a sala de aula pela do cinema. Não estou, bem entendido, a tentar enxovalhar o curso. Simplesmente, percebi mais tarde, Gestão de Recursos Humanos é um curso destinado a formar trabalhadores, e eu precisava de me formar enquanto pessoa e cidadã. Hoje, acredito que deva ser essa a principal função das universidades - formar pessoas que saibam pensar, que questionem, que sejam curiosas, cidadãs ativas e interessadas. Mas na altura só sabia que não gostava daquele curso e, ainda no mesmo ano -na 3ª fase-voltei a concorrer. Também meio às cegas, escolhi e entrei em Antropologia no ISCTE - a par da FCSH, o melhor sítio para se estudar Antropologia em Portugal. 


Já todos ouvimos que os anos académicos são os melhores, e foram os melhores que tive até agora. Talvez pareça uma afirmação estranha, especialmente se disser que não fui à praxe, a um único jantar de curso ou festa universitária, que continuei a viver em casa e que não fiz amigos para a vida. A minha experiência académica foi apenas uma experiência de aprendizagem e auto-conhecimento, e cada dia, cada aula, cada livro, cada professor era uma descoberta entusiasmante. E o meu interesse era grande: as aulas começavam às 13h, mas pelas 10h, todos os dias, já estava na biblioteca a estudar. A primeira aula a que assisti foi uma realidade completamente diferente de tudo o que conheci no outro curso - durante as duas horas, o professor falou, falou, falou. Nós ouvíamos e tirávamos notas - com o tempo, aperfeiçoei esta arte e os meus apontamentos chegavam a ter várias páginas de escrita corrida. Lembro-me até do tema dessa primeira aula: o Kulauma troca cerimonial de bens observada pelo mítico Malinowski nas Ilhas Trobriand. Ali estava, fascinada, a ouvir sobre como aqueles indígenas faziam um circuito anual entre ilhas para trocar colares e braceletes de conchas que ajudavam a regrar a sua vida social, e a pensar sobre como se pode ser profundamente humano de uma forma tão diferente da nossa. 


Ao contrário de muitos cursos que são constituídos por disciplinas de várias áreas do conhecimento, todas as unidades curriculares que constituem o curso são de Antropologia. Tínhamos cadeiras dedicadas aos fundamentos gerais da disciplina, aquelas centradas no objeto de estudo original da Antropologia - os "primitivos" - e, a partir daí um leque variado (e de onde podíamos escolher, decidindo que optativas queríamos integrar na nossa formação). Tive disciplinas como Antropologia da Educação, Antropologia depois do Colonialismo, Debates Teóricos Contemporâneos, Contos Populares Europeus, Antropologia e Imagem, Género, Família e Parentesco, Museus e Coleções, Antropologia Urbana, Ritual e Performance e Antropologia e Psicanálise. A avaliação seguia, na maioria das unidades curriculares, um mesmo método: um primeiro trabalho pequeno, individual ou em grupo, e um trabalho final, ficando a época de exames para quem preferisse o exame ao trabalho ou para quem tirasse nota negativa neste. Em certos casos, o trabalho final compreendia 80% da nota da unidade curricular, tornando-o o elemento crucial da avaliação. Para fazer um bom trabalho final (geralmente, um ensaio de entre seis a doze páginas) era necessário escolher um tema com base no programa da disciplina, ler muito (o máximo que li, para um trabalho final, foram quatro livros complementados por textos isolados), e construir o nosso próprio argumento, de forma a provar conhecimento aprofundado e refletido. Com cinco trabalhos agendados para um curto espaço de tempo, a altura de avaliação era sinónimo de exaustão, mas também de satisfação: mesmo com pausas apenas para comer e dormir, tirava de todo o processo um enorme prazer, ainda que por vezes tivesse vontade de arrancar os cabelos e desatasse a rasgar papéis. Pensar de forma despudorada sobre qualquer assunto e construir uma ideia que era só minha -sendo por vezes surpreendida pelas ideias que chegavam ao papel- era imensamente recompensador.


Ao longo deste texto, deixei de fora, propositadamente, o mais importante: os professores. Os professores e professoras foram, cada um deles, as pessoas mais interessantes que tive oportunidade de conhecer. Sábios e intelectuais mas gentis, sem manias idiotas. Foi devido à qualidade do corpo docente que nem sequer ponderei fazer o mestrado noutro sítio que não o ISCTE. Isso, bem como as considerações sobre se deveremos estudar antropologia -carimbada com o terrível cunho de uma área sem saída- fica para outro texto.


42 comentários

  1. Nem sabes o quanto me identifico com as tuas palavras. Compreendo o facto de não te teres identificado com os alunos e professores de gestão do ISCTE - já assisti a conferências e tive a oportunidade de conhecer alguns alunos de gestão e economia e nenhum concebe o mundo da forma como o pessoal das ciências sociais percepciona. É tudo muito metódico, rígido, focado em resultados concretos, no "retorno". Também para mim a faculdade foi o melhor momento da minha vida, ainda que nunca tenha ido a praxes e afins – e, pasme-se: fiz grandes amigos sem precisar desta coisa. Adorava estudar, porque escolhi exactamente o que queria. O curso por seu lado precisava de uma reformulação, mas ainda assim era o que gostava e, apesar dos vários momentos de stress ao longo dos 5 anos, faria tudo novamente. Enfim, "sem saída" está quase tudo neste momento, ainda que as ciências sociais tenham, desde sempre, um lugar especial nesse pódio, haha - mas que se lixe, valeu a pena pelo que aprendi.

    Aonde (não) estou | blog

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  2. Gostei muito de ler o teu texto! Acho interessante ver como outras pessoas encararam os anos universitários. Ao ler o teu texto, não me identifiquei em quase nada e isso chamou-me a atenção!
    Há sempre aquela ideia de que quando vais para a faculdade é tudo desta e daquela maneira, mas ao ler este género de publicações conseguimos aperceber-mo-nos de que cada pessoa encara essa fase de maneira diferente!
    Quase que fiquei com vontade de partilhar o meu testemunho também! :)
    xx, Ana

    The Insomniac Owl Blog

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  3. Muito bom, o teu texto!
    O que importa é que te sintas feliz!

    Beijo e um dia feliz
    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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  4. Essas disciplinas parecem-me interessantes e tenho pena que tudo o que seja relacionado com o passado seja cada vez mais esquecido (parece-me a mim). Ao contrário do que ouço por aí a faculdade foi o mais difícil para mim, mas tal como tu não fui à praxe, nem jantares, nem ralis de tascas, e só fiquei com uma amiga para a vida.

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    1. Sim, é imprescindível que se estude o que passou. Mas Antropologia não é História :)

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  5. Gostei especialmente de perceber que, ao contrário da maioria das pessoas, referes estes anos como os mais importantes não pelas festas, pelos amigos, pelas vivências, mas pelo crescimento pessoal. Eu encaixo-me nas pessoas que viveram estes anos de estudo como os melhores para criar memórias de pessoas, de momentos, fiz amigos que espero mesmo serem para a vida, vivi intensamente a praxe...e só agora ao ler-te me apercebi que foram anos realmente bons também pelo crescimento e amadurecimento que isso me proporcionou!

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  6. Adorei ler este texto! E atenção escreves muito bem!
    Ritissima Blog

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  7. Que bom de ler! Fiquei a babar-me para o teu curso...sou uma eng. civil com costela de sei lá o quê de Humanidades. E é bom saber que não estou sozinha nisso de não levar os anos de universidade para a loucura das festas. A vida é tão mias do que isso!

    Jiji

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  8. Gostei imenso do texto e percebo-te perfeitamente. Acho que somos parecidas em várias coisas.
    Também afirmo que para mim, o percurso académico vai ficando cada vez mais fácil. A licenciatura, foi um tempo maravilhoso para mim. Além de ter tido a oportunidade de ter um gap year, escolhi sociologia porque acreditava que precisava de um curso amplo. E acertei. Tive cadeiras de áreas distintas entre as quais antropologia e acho que entendo o teu fascínio.
    Deve ser mesmo um curso magnífico de conhecer e absorver conhecimento.
    Adoro conhecer o testemunho de pessoas que acertaram completamente o que estudar! Fico feliz que tenhas sido uma dessas pessoas!

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    1. Acertei MESMO :)
      Ah! Agora estou a recordar que no primeiro ano tive uma cadeira meio de Sociologia, muito centrada no Durkheim.

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  9. Adorei ler este texto. Senti amor em cada uma das palavras. E tenho 'pena' por não poder escrever algo assim.
    No meu caso, o melhor da faculdade foi mesmo a praxe, os jantares, as festas académicas e as (poucas) pessoas que fui conhecendo. Hoje olho para trás e percebo que, infelizmente, foi isso que me fez continuar. Porque eu não gostava do curso, nem dos professores, nem de nada. Pode parecer inconcebível para algumas pessoas eu dizer isto, mas é a verdade. Aqueles quatro anos só tiveram de bom o que havia para lá das aulas em si. Só gostei de duas cadeiras: psicologia e sociantropologia da saúde. De resto, era mais um sacrifício do que outra coisa. Foi aí que a minha ansiedade se manifestou. Foi durante esse tempo que comecei a ter compulsões, primeiro materiais, depois com a comida. Havia semanas em que vomitava todos os dias antes de ir para as aulas ou para o estágio. E quando chegava a casa empanturrava-me com tudo o visse à frente. E perguntas tu e toda a gente: 'mas porque é que não desististe?' Porque tinha uma cabeça pequena e ainda formatada. Pensava que perder um ano era o fim do mundo. Afinal, tinha de continuar a ser a menina boa aluna e bem comportada que não fazia nada errado. Escusado será dizer que hoje sou completamente infeliz com a profissão que tenho (quer dizer, neste momento nem sequer a exerço e se algum dia vier a exercê-la será numa área muito específica, que é a única suportável para mim e que me dá algum alento). E ainda não tirei da cabeça a ideia de voltar a estudar. Preciso, apenas, de reunir as condições financeiras para isso. Gostava de estudar literatura, ou estudos lusófonos, ou mesmo sociologia.
    Desculpa o desabafo. Aquilo que quero transmitir com tudo isto é que, quando não se gosta de algo, mais vale parar e recomeçar. E perder um, dois ou três anos não é mal nenhum. Mal é viver, depois, uma carrada deles infeliz.
    És grande miúda! (já desconfiava, mas isto só vem confirmar! e quando digo miúda é com carinho eheh) :)

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    1. Catarina,

      não consegui resistir a responder ao teu comentário. Acho que deve haver milhares de pessoas como tu; pessoas que foram forçadas a tomar uma decisão demasiado cedo, e que tiveram o azar puro de não acertarem à primeira, e que continuaram por uma série de razões forçadas (a "cabeça formatada" que mencionas). Eu defendo muito o "mudar quando não se está bem". Mesmo que signifique desperdiçar um ou mais anos; as pessoas têm que começar a perder medo disso. O que é perder um ano quando comparado com a alternativa, que é perder uma vida inteira num trabalho que se detesta (ou que, na melhor das hipóteses, não se odeia assim tanto)?

      Muito, muito boa sorte para ti. Espero que não desistas do que te faz feliz e que em breve tenhas condições para persegui-lo activamente :)

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    2. Percebo perfeitamente que seja difícil desistir ao final de dois ou três anos, quando já há tempo, dinheiro e expectativas investidas. Eu mudei logo no início porque não suportava o curso e vi que se lá ficasse seria uma péssima aluna, mas tenho a certeza de que se tivesse passado mais tempo não seria tão fácil. Espero que consigas voltar a estudar e que desta vez seja aquilo que queres, e aí vais ver a maravilha que é. É mesmo tudo de bom! Até eu fico com vontade de continuar a estudar só de pensar nisto, ahah!

      Beijinhos <33

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  10. Gostei imenso de ler o teu texto principalmente pela diferença que se nota. Que a experiência académica te estimulava por si só, sem necessidade de praxes, jantares, etc. Gostei imenso querida!
    THE PINK ELEPHANT SHOE | FACEBOOK | INSTAGRAM |

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  11. Este teu texto deixou-me a sonhar com Antropologia. É um curso que eu gostaria imenso de fazer, acho que ia dar-me muito prazer (e muito trabalho!) e muita satisfação pessoal. Oh well, fica o sonho, por agora...

    (Nádia, por favor considera fazer um post com sugestões de blogs de que gostas. Gostaria de conhecer bons blogs novos e a ideia é: como gosto muito do teu, certamente vou apreciar as tuas sugestões :)

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    1. Para quem já tem formação, é um curso ótimo para se tirar como complemento. Quando eu lá andava havia uma turma de pós-laboral, a maioria pessoas bem adultas, com trabalho e algumas com estudos superiores, que andavam lá para aprender mais um bocadinho. Entretanto o ISCTE anda a acabar com os cursos que dão pouco retorno à instituição (que aquilo agora é uma espécie de empresa, ugh) e deixou de haver turno da noite.

      Obrigada pela sugestão (e pelo elogio, és uma querida!) mas a verdade é que não acompanho muitos blogs. Talvez porque só comecei a lê-los quando criei o meu, de facto ainda não explorei realmente a blogosfera.

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  12. Como é bom reviver! Obrigado por este momento Nádia!!! Saudades das aulas, achava eu que era uma chatice. Mas sim ensinou-me. E por mais que digam aconselho a faculdade, abre tanto a mente! Independentemente do que conseguimos depois, porque ainda não desisti!!! beijinhos

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    1. Cátia! Foram anos tão bons :) Até as minhas viagens intermináveis pelos corredores para ver se via tu-sabes-quem, ahah! E sim, é mesmo chato termos este conhecimento em stand-by (só em parte, porque acima de tudo aprendemos a pensar e isso não se perde) quando podíamos estar a fazer coisas tão interessantes. Só agora é que estou um bocadinho chateada com isso, quando acabei o mestrado pensei que estava a ficar farta de estudar... agora tenho pena que não tenha dado em nada.

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    2. Saudade boa! E acredita não se perde mesmo! Mas vai dar acredita!!!

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  13. Escreves tão bem Nádia! Identifiquei-me um bocadinho contigo na forma de viver a universidade, também nunca fui de grandes festas, praxes e afins. Nunca me puxou muito para isso é um facto.
    Sou da área das ciências e engenharia, mas tenho uma grande parte que se interessa mais pela área de Humanidades. Na altura de escolher, escolhi mais pela estabilidade do que outra coisa. Se soubesse o que sei hoje sem dúvida que não era assim. Acho que tirares o que verdadeiramente gostas é mais importante que tudo o resto. As oportunidades virão :)

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    1. És uma querida :)
      Concordo que vale a pena estudar o que queremos. Assim como assim, já poucas áreas oferecem estabilidade. Mas olha que para optar pela estabilidade aos 18 anos é precisa muita maturidade, também me parece corajoso :)

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    2. Não foi aos 18, mas foi quase aos 20. Andava perdida sem saber o que fazer na altura. E com a obsessão de entrar em medicina, só andava a tentar melhorar a média do secundário. Quando desisti, decidi ir para o que me poderia beneficiar mais em termos futuros. Na altura achei corajoso, agora num mestrado de uma engenharia acho que não foi muito inteligente. Fazer um curso díficil sem nos identifcarmos a 100% com aquilo que estamos a fazer é penoso muitas vezes. Mesmo que se consiga ter a capacidade de visualizar que no fim poderá valer a pena. O que não é bem o meu caso. Mas sou teimosa e tudo terá de se fazer :P

      Por isso te digo, estudar o que gostamos faz uma diferença gigante. Acredito que faz uma diferença brutal na profissional que te tornas. E como dizes, actualmente, nenhuma profissão é garantia de emprego, pelo menos cá.

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    3. É verdade, eu tive um pequeno vislumbre do que é estar num curso difícil de que não se gosta (não que Gestão de Recursos Humanos seja super difícil, mas para mim que vinha de Ciências Sociais e Humanidades as cadeiras de Finanças eram um inferno) e é mesmo frustrante. E depois da universidade também não deve melhorar, nos casos em que o emprego é na mesma área que se estudou e pela qual não se sente afinidade. Por outro lado, eu tive cinco anos felizes a estudar aquilo que gostava e provavelmente também vou acabar por trabalhar no que não gosto. Estamos todos lixados, de uma maneira ou outra!

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  14. Bem, não posso dizer que a minha experiência académica tenha sido igual. O meu curso é bastante objectivo e científico, deixando muito pouco espaço à imaginação =P Por outro lado, concordo que os anos académicos são os melhores de sempre. Adorei a faculdade, sempre soube que era aquele curso que queria tirar. Se voltasse atrás no tempo, apesar da história do "sem saída", apesar de ter emigrado, voltava a tirar o mesmo curso (;

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  15. Por isso eu adorei o meu curso de Ciências da Comunicação - muita prática, muita conversa, debate... a teoria foi toda no primeiro ano!

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    1. Eu pelo contrário nunca gostei muito de falar. As apresentações orais escapavam, as participações espontâneas nas aulas e as conversas não eram para mim. Penso melhor a escrever :)

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  16. Ia-te mesmo perguntar quais as saídas profissionais de Antropologia, nunca conheci ninguém com esse curso, por isso mesmo fico à espera de um próximo texto, fiquei super curiosa. Como tu também mudei de curso mas por razões distintas. De Ciências da Comunicação passei para Comunicação e Design Multimédia por sentir necessidade de algo mais prático e técnico. Mas uma grande parte de mim inclinava-se para História da Arte por ser uma apaixonada de história e por querer saber mais sobre o assunto. Claro que deixei o meu lado racional tirar partido e escolhi algo com "mais saídas profissionais". A verdade é que continuo no desemprego.

    Ps: Tu és imenso Ravenclaw, não me admiro :p

    http://venus-fleurs.blogspot.pt/

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    1. As saídas profissionais andam à volta de ONG's, departamentos de marketing e de estudos de mercado qualitativos. Eu tinha a ambição de trabalhar em investigação no meio académico; como isso não resultou ando meio perdida porque não só não há nada de que goste mesmo como não há emprego em coisa nenhuma... História da Arte também me parece um curso fascinante.

      P.S. Serei sempre uma Slytherin honorária!

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  17. Belo texto! Eu entrei em Engenharia Fisica Tecnologica no Tecnico e,rapidamente,percebi que nao tinha nada a ver com aquela area e aquela gente. Mudei para Medicina e,agora sim,estou no meu mundo! Acabo o curso em Junho proximo!Yeah😊

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    1. Que bom! Estás numa posição rara: no curso que gostas e sabendo que vais poder exercer aquilo para que estudaste. Quem me dera :)

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    2. Vamos la ver se fico em Portugal! So abrem vagas para Medicina Geral e Familiar e eu quero Cirurgia!

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  18. Gostei imenso da tua retrospetiva, depois de ver o Ossos fiquei sempre com uma certa curiosidade sobre Antropologia (embora tenha noção que a série não tem muito a ver com esse curso). Tenho particular curiosidade pela Psicanálise, acho uma área de estudo fascinante e que está completamente fora do meu alcance ahah.
    Senti-me mesmo inspirada pelo teu post, gostava de partilhar também a minha experiência na faculdade, embora tenha sido o oposto completo da tua :P Fui às praxes, batismos e outras coisas que tais nos primeiros anos e atualmente deixei-me disso. Mas de resto não posso dizer que tenha sido uma vivência verdadeiramente inspiradora, muito menos os melhores anos da minha vida. Não sei, talvez faça uma reflexão também, passaste-me o bichinho :P

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    1. Ah sim, a Bones é antropóloga forense, que tem a base na Antropologia Biológica. A "minha" Antropologia é a Social/Cultural. Também adorei a minha cadeira de Antropologia e Psicanálise, foi uma das que mais gostei em todo o curso :)

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  19. Adorei ler este texto! Achei deliciosa a forma como falaste do teu curso e fiquei de coração cheio por perceber que tiveste uma experiência universitária tão diferente da minha mas tão positiva na mesma! :D Mal posso esperar pelos outros textos!
    Beijinho*

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  20. Uau... O meu interesse quer por antropologia e filosofia nunca passou de superficial mas depois deste texto, estou aqui pronta para ir já a correr tirar uma licenciatura ;) Quanto ao carimbo «isso não tem futuro» been there done that. Quando me falam nisso eu só digo que arranjei trabalho no 2º ano de faculdade na área ;)

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    1. Oh, que comentário querido :)
      Eu ainda não tive essa sorte, mas valeu a pena ainda assim.

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  21. Gostei tanto de ler este post! É que a cada frase dá para perceber como te identificas e gostas mesmo da tua área de formação. Se eu escrevesse um post sobre a minha vida académica (nomeadamente na altura da licenciatura) ia ser bem diferente do teu: um curso que foi escolhido por exclusão de partes, que gostei mas que não me apaixonou, mas rodeada de pessoas que ainda hoje são importantíssimas na minha vida.
    És daquelas pessoas que sabe bem a área para a qual tem vocação e que te realiza... espero que tenhas o teu lugar nessa área!
    nem mais nem menos | Facebook | Instagram

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  22. Acho que não me poderia rever melhor do que nas primeiras frases do teu terceiro parágrafo. Realmente aquela experiência universitária, de prazes e festas e jantares e isto e aquilo, só vivi mesmo no meu Mestrado e quando fui para o estrangeiro fazê-lo. Cada experiência é como cada qual, cada faculdade é como cada qual, mas agora a olhar para a minha licenciatura de fora, porque já a acabei há um anito e tal, digo-te que pareceu-me mais do mesmo. Aquilo foi como que uma continuação do Secundário, sem grandes alterações. A única mudança foi que passei a gostar de 75% das disciplinas (vá cadeiras) que estava a fazer, enquanto que no Secundário se gostei de duas ou três disciplinas já foi muito.

    Se quiseres mais alguém para se juntar à lista de cursos sem saída, eu ofereço-me que isto de Arqueologia também não tem muita perspectiva de emprego, a não ser que alguém queira um trabalhito precário e mal pago, que isso temos para oferecer às dezenas. Ao longo da minha licenciatura fomos falando de algumas coisas de Antropologia e o meu Mestrado têm um pouco de Antropologia lá pelo meio, uma vez que nós como arqueólogos vamos literalmente buscar conhecimento a todas as outras áreas das Ciências. Numa outra vida não me importaria nada ter estudado Antropologia, embora as suas disciplinas mais próximas que fiz no Secundário foi muito mal dadas.

    Vê-se que gostas mesmo desta área e isso é óptimo. Quando uma pessoa está na sua área certa, tudo à sua volta torna-se muito mais fácil e interessante.

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  23. Parabéns pelo teu sucesso. Somos de áreas completamente diferentes, estando eu a formar-me em farmácia mas tenho o meu mundo à parte. De teorias loucas e ideias ainda mais loucas.

    Beijinhos!

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