A minha experiência académica: segunda parte

Depois do que partilhei neste post, não será surpreendente se disser que a minha escolha de curso para obter o grau de mestre recaiu sobre a Antropologia. O principal motivo não nasceu de grande ponderação: estava a aprender muito, sabia que aprenderia ainda mais no mestrado e não estava preparada para deixar de ser estudante de Antropologia. A segunda razão, por seu lado, foi mais refletida. A minha prestação académica melhorava a cada semestre e queria ter a oportunidade de desenvolver plenamente o meu potencial. Neste sentido, via o mestrado -e, em particular, a dissertação- como o momento que estabeleceria se tinha a capacidade requerida para trabalhar em investigação, a um nível académico ou aplicado. Achava eu, na minha ânsia de acreditar, que bastava ter um desempenho francamente bom para todas as portas se abrirem. Pois, não. Mas já lá vamos. 


Gostava de poder dizer que a experiência foi tão bonita e simples quanto a da licenciatura, mas não foi. Embora o grau de dificuldade das aulas não tenha aumentado, o formato mudou. Uma turma pequena (cerca de quinze pessoas inscritas e frequentemente menos de dez nas aulas) criava um ambiente mais descontraído, com a maioria dos professores a incentivar a participação e o debate. Se na licenciatura costumava ser bastante participativa (tinha o hábito de ler os textos recomendados e, por isso, era frequente ter alguma coisa interessante a acrescentar ou uma pergunta a colocar), este ambiente adulto e informal das aulas de mestrado intimidava-me. Este primeiro problema foi rapidamente seguido por outro, provocado pela necessidade premente de escolher uma problemática de dissertação. Para mim, a dificuldade não esteve no período de escrita, mas antes no bloqueio mental que me impedia de começar. Soube, ao falar com colegas na mesma situação -alguns dos quais não conseguiram ultrapassar este bloqueio, desistindo ou adiando a dissertação- que é uma fase muito comum. Não desisti, mas pelo caminho tomei algumas decisões arriscadas: não frequentar, no primeiro ano, uma disciplina dedicada à elaboração do projeto de tese e não reunir com o meu orientador. Não tendo ainda um projeto definido, sentia que não teria nada a dizer, tanto nas aulas como ao orientador. A cadeira fi-la no ano seguinte, quando já tinha o primeiro capítulo da tese alinhavado. Com o orientador nunca viria a reunir - e, em boa verdade, não achei necessário.


Bem entendido, eu estava, no que diz respeito ao progresso do trabalho, numa situação semelhante à dos meus colegas. Uma dissertação é, para a maioria dos estudantes de mestrado, o primeiro esforço de escrita longa, e todo o processo é trabalhoso e potencialmente frustrante. Hoje, o meu conselho a quem estiver no segundo ano de mestrado é que não fiquem à espera de inspiração, seja para escolher uma problemática de dissertação, desenvolver o projeto ou escrever a tese. É preciso ultrapassar a confusão inicial lendo, pensado e fazendo e, em muitos casos, só quando já tiverem feito parte do caminho é que vão começar a trabalhar com assertividade e segurança. Quando me obriguei a começar por algum lado, tornou-se tudo mais claro e consegui completar a dissertação em pouco mais de trinta dias.


A nível intelectual, a minha experiência de mestrado foi marcada pela viragem para uma vertente filosófica da Antropologia. Não tomo crédito por isso: como forma de pensar algumas questões antropológicas, dois docentes introduziram-nos, logo no primeiro semestre, a nomes como Gadamer e Heidegger. Desde aí a Antropologia deixou de me bastar, tendo encontrado na Filosofia um veículo mais puro para pensar aquelas que considerava as "grandes questões". A Antropologia é uma ciência social definida, em larga medida, pelo método etnográfico: o ato de conviver, analisar e escrever sobre um processo social, uma comunidade, uma localidade, etc.  - qualquer ambiente humano e o que lhe seja particular. Assim, as dissertações em Antropologia são maioritariamente construídas sobre esse trabalho de campo. Mas o terreno parecia-me contrário à elaboração de um estudo substancial e sólido, abrangente e profundo. Foi um processo custoso - pensar num tema, construir um projeto, descobrir a ideia central. Foi, como já perceberam, marcado por alguma ansiedade e bloqueios vários. Mas no final, a tese valeu-me um vinte, bem como terminar o mestrado com a melhor nota do meu ano. Semanas depois, comecei a planear a candidatura a uma bolsa de doutoramento. 


Quando, no último semestre da licenciatura, escolhi continuar a minha formação em Antropologia, essa decisão equivaleu a afirmar que acreditava poder vir a trabalhar em investigação - conseguir uma bolsa de doutoramento e, depois, um contrato com um centro  de investigação ou universidade. Com os meus resultados académicos, não era uma esperança totalmente infundada. E de facto, quando concorri à bolsa para um doutoramento em Filosofia da Ciência, com um projeto de tese em que me propunha a pensar o potencial da biotecnologia para reconfigurar a experiência humana, o professor que seria meu orientador assegurou-me da qualidade do projeto que submeti. No entanto, sem experiência de investigação, foi uma aposta perdida. Devido à experiência desgastante do mestrado, os resultados do concurso proporcionaram-me um minuto de desilusão, seguido de um grande alívio em coexistência com uma interrogação: o que é que faço agora? E é nessa fase que ainda me encontro. Em alguns meses de procura de emprego, já me apercebi da importância de uma rede de contactos (alguém encontra, mesmo, emprego nos sites existentes para esse fim?) que não tenho e reforcei a certeza de que não quero ser engolida por um trabalho sem propósito para mim. É tremendamente aborrecido saber que, à semelhança de milhares de pessoas, tenho competências, talentos e valências que não estão a ser aproveitados e rentabilizados. Mas nunca será tão aborrecido quanto seria não ter seguido a minha vocação. E tenho aqui um diploma todo giro que diz que sou Master of Science.



33 comentários

  1. Bom post. Acho que tens uma perspectiva muito saudável sobre o que a educação pode fazer por nós, é mesmo bom de ler. Pena que agora estes nesse limbo...eu consegui arranjar emprego através do centro de emprego, mas tive uma sorte dos diabos. Se em Eng. Civil está mau, imagino na tua área...boa sorte!

    Jiji

    ResponderEliminar
  2. Eu odiei escrever a tese de mestrado mas, sendo o curso mestrado integrado, não tinha hipótese, se o queria acabar. No fim acabou por correr bastante bem! Não tive nenhum bloqueio, porque na minha área não tens muito espaço para a imaginação, tens que analisar dados científicos e tirar conclusões.

    Quanto à procura de emprego, sei bem o quanto pode ser frustrante... dei muitas vezes por mim a pensar "mas porque é que me esforcei tanto? Porque é que fui tão boa aluna? Para estar tão mal como os outros?". Imagino que estejas farta de ouvir isto, mas as coisas acabam por se irem arranjando... comecei como assistente ("voluntária", que foi o que me chamaram para não terem de me pagar, apesar de eu não me ter voluntariado para nada) duma cadeira da faculdade, depois os empregos começaram a aparecer (e sim, a maioria foi graças aos sites de emprego!) e a coisa foi melhorando... apesar disso, nunca me senti plenamente satisfeita e acabei por decidir emigrar. Agora acho que tenho o emprego perfeito (= e tenho a certeza que, seja onde for, vais acabar por encontrar o teu emprego perfeito. Infelizmente, em Portugal, as coisas estão como se sabe, mas a tua oportunidade há-de aparecer (;

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu não estou de forma alguma desesperada, mas não acredito que a oportunidade certa apareça sempre. Até posso vir a trabalhar numa área de que goste, mas dificilmente será naquela que estudei. Em parte a responsabilidade é minha, que ao contrário de ti não tenho a vontade necessária para procurar melhor noutro sítio.

      Eliminar
  3. O teu curso parece mesmo interessante ou então é mesmo a tua paixão a descrevê-lo que o torna interessante. É uma pena que não tenhas emprego e sim, acho que ninguém arranja emprego nos sites existentes para esse fim. É mesmo necessário uma rede de conhecimentos, mas há sempre excepções. Espero que encontres aquilo que procuras e precisas. Beijinho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não, é o curso que é mesmo interessante :)

      Eliminar
  4. Gostei muito de ler o teu percurso académico, é realmente impressionante :) E um 20 na tese, uau, quem me dera! Quanto à procura de trabalho, não consegues falar com o teu orientador para te dar uma ajuda? Não é fácil conseguir uma carreira em Antropologia em Portugal, mas com as tuas competências de certeza que consegues. E não sei como te sentes em relação a ir para o estrangeiro, mas já pensaste em candidatar-te a um doutoramento lá fora?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Já. Mas ao contrário do que pensava, as condições das bolsas de doutoramento fora de Portugal não são muito boas. A maioria das bolsas para o Reino Unido cobre apenas o valor das propinas, no caso de candidatos da UE. E depois eu, apesar de não ser nada apegada e este país, não me imagino a ir sozinha para outro sítio - é assustador!

      Eliminar
  5. Fizeste-me suspirar. Licenciei-me em Filosofia e logo a seguir comecei a frequentar o mestrado em Filosofia Contemporânea. Adorava aquilo e ainda adoro. Decidi avançar para o Mestrado porque também acreditei que se calhar até teria jeito para seguir uma carreira académica. Durante o primeiro ano também não me reuni uma única vez com a minha orientadora porque tal como tu ainda não tinha nada que gostasse de discutir porque basicamente andava perdidamente apaixonada por tudo e consequentemente à deriva. Depois, mais tarde, decidi que a minha tese seria acerca da consciência e de forma bastante resumida centrava-se na recusa de que aquilo a que chamamos de consciência não poderia nunca ser apenas e unicamente explicada recorrendo a fenómenos mentais porque tanto eu como outros filósofos achávamos que explicar a consciência dessa forma era deixar de parte o lado subjectivo do sujeito e consequentemente da consciência. Como poderíamos explicar coisas como gostos e sentimentos recorrendo apenas a fenómenos mentais? Bem, não me vou alongar mais nisto, até porque acho que já percebeste a ideia :P
    Também eu depois de terminar o Mestrado desejava continuar. Não tinha a certeza se quereria prosseguir para o doutoramento sem antes trabalhar/ fazer algo na área e por isso quando soube de um concurso para uma bolsa de investigação no Instituto de Filosofia da FLUP pensei "porque não?" e candidatei-me. Não consegui entrar e acabei por não me candidatar a mais nada. Entretanto mandei tudo às urtigas e decidi mudar-me de malas e bagagens para o Reino Unido. Procurei bolsas de investigação aqui, mas todas se encontravam ligadas a programas doutorais e eu continuava a achar que entrar num Doutoramento era um passo maior do que aquele que eu queria dar naquele momento. Continua a ser. Entretanto descobri uma nova paixão: a pastelaria e por mais incrível que possa parecer descobri que é no meio da farinha, dos ovos e dos açúcares que sou realmente feliz e onde me sinto realizada. Engraçadas as voltas que a vida dá :)
    Fiquei de coração cheio ao ler estes teus textos acerca da tua paixão tanto pela Antropologia como pela Filosofia. É tão raro "ouvir" alguém falar de Filosofia dessa forma, sem qualquer ponta de ironia... O projecto de doutoramento ao qual te candidataste tinha tudo para ser fascinante e incrível, mas não desistas! Se queres mesmo continua a candidatar-te. Na FLUP não fiquei com a ideia de que era preciso ter experiência em Investigação para te candidatares ao Doutoramento, mas verdade seja dita que não li toda a informação necessária acerca disso.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Fiquei super interessada pelo bocadinho que descreveste, e acho que as nossas dissertações de mestrado têm uma base em comum. Já leste alguma coisa do Tim Ingold? Percebo bem que tenhas encontrado realização noutra área, porque também gosto de outras coisas para além destes interesses académicos. Que bom :)

      Infelizmente, não me serve de muito continuar a candidatar-me. Por exemplo, se me candidatasse este ano ao mesmo programa de doutoramento, o resultado seria o mesmo: não ia mudar o projeto porque este estava bom, e tenho a mesma experiência que tinha há um ano. Não é preciso ter experiência para concorrer ao doutoramento ou à bolsa, mas a avaliação da candidatura contempla quer a experiência profissional, quer a experiência académica. Como não a tenho, fico com um zero nessa parte da avaliação, tornando quase impossível conseguir a bolsa.

      Eliminar
    2. Não, não li e para ser totalmente sincera acho que nunca ouvi o nome dele antes. Foca-se em que assuntos? Aconselhas a ler algo em especifico?

      Eliminar
    3. O Ingold (vê por exemplo The Perception of the Environment) é antropólogo, mas tanto ele quanto um filósofo chamado David Abram (The Spell of the Sensuous) vêem a perceção como uma coisa que não pode ser limitada ao cérebro, estendendo-se às relações com o corpo e com o ambiente em que este está inserido. É o argumento contrário ao do Daniel Dennett e o Douglas Hofstadter, cuja ideia geral está explicada no filme/documentário Victim of the Brain (http://www.imdb.com/title/tt0096382/?ref_=nm_flmg_slf_18). Achei que o tema da tua tese insere-se de certa forma neste debate.

      Eliminar
    4. Ui tenho que ver isso tudo :D sim, pela descrição parece estar relacionado. Acho o Daniel Dennett um filósofo super interessante e em certas alturas até o acho engraçado apesar de não concordar com muitas das ideias dele.

      Eliminar
  6. Escrever a minha tese foi um processo agridoce: a parte teórica fluiu muito bem, era o que eu gostava mesmo de fazer, o tema era super interessante (para mim, claro) e adorei ler tudo e mais alguma coisa; mas a parte prática consistia em fazer análise estatística (que eu odeio e não entendia nada) e foi o desespero total. Na minha faculdade, as reuniões com o orientador são quase obrigatórias (depois cada um gere a relação como quer, mas normalmente os orientadores marcam muitas reuniões), fui tendo algum acompanhamento, mas não tanto como os meus colegas. Sei que, no final, a sensação de alívio foi enorme. Fiz um projeto de que gostava, esforcei-me imenso, fiz tudo quase sem orientação nenhuma e superei-me. Mas depois, lá está, fico aqui igual aos outros: não há emprego! Não quero perder as esperanças já e deixar já de tentar algo na minha área, mas por outro lado é muito desanimador ver o tempo a passar e nada...

    ResponderEliminar
  7. é simples :P ao inicio também deu um nó, mas depois até papelinhos usei para servirem de pessoas :p

    tu envias 1 (para a pessoa que me desafiou), é certo...
    ao arranjares 6 pessoas, essas 6 vão enviar para mim (continuas a n receber ainda...)
    essas 6 vão cada uma arranjar 6 pessoas que terão de enviar para ti (porque foi de ti que pegaram o desafio) (6x6 =36) ao todo 36 pessoas vão enviar 1 livro para ti... fiz-me entender agora?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ahh, sim! Essa dos papelinhos é tão eu, ahah.

      Eliminar
  8. Em resposta ao teu comentário:

    Eu também achava que não era muito apegada a Portugal, mas acho que quando emigrei, também aprendi a apreciar mais o meu país e agora tenho que confessar que há imensas coisas das quais sinto muita falta! As maravilhas de ser emigrante, enfim =P

    Quanto à formação universitária, tal como tu, eu não sou contra. Disseste, e muito bem, que é uma mais valia. O que eu acho é que é preciso deixar de lado a mania do "sôdotor". Não vale a pena tirar um curso só porque sim. Portugal precisa de um plano, precisa de formar mais pessoas nas áreas em que há mais necessidades e menos nas áreas que já estão sobre lotadas. Não sou contra a formação universitária, só sou contra a má gestão que se tem feito dela e que tem resultado em pessoas com formação que nunca vão conseguir dar uso àquilo que aprenderam...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu acho que a mania do "sôdotor" é uma coisa muito residual. Já ninguém tem tratamento especial só por ter formação académica. A mim faz-me mais confusão ouvir que "doutores só os médicos", quando doutor não é um título de tratamento mas um grau académico.

      Sim, concordo que depende das áreas. Uma licenciatura em Antropologia ou Filosofia é útil a qualquer pessoa, quer trabalhe na área ou não. Já a formação numa área mais técnica como a tua não faz muito sentido sem perspetivas de emprego.

      Eliminar
  9. Mais uma vez, a minha experiência de mestrado foi em grande parte semelhante à tua. Ainda que a tese me tenha demorado mais a escrever, ter escolhido rapidamente o tema sobre o qual me queria debruçar não me impediu de ter um bloqueio de meses. Trabalhei nela um ano, escrevi-a em 3 meses. E sim, o difícil foi começar. A relação com o orientador foi quase nula, mas o resultado da tese foi excelente e com fortes incentivos por parte do júri para continuar para doutoramento. No entanto, não penso em candidatar-me este ano. Em primeiro lugar porque não tenho um tema definido, não tenho algo que me "apaixone" e me leve a quatro anos de trabalho intenso; depois, porque sei bem que a FCT já não dá bolsas por dar e que enquanto não tiver um ou dois artigos publicados com peer review, mais vale estar quieta. Como a minha área tem uma vertente que não está completamente ligada à investigação, vou aproveitar este ano para a desenvolver, enquanto escrevo uns artigos. Estive uns tempos sem saber o que fazer, mas agora sinto-me bem com esta decisão: trabalhar dentro da minha área (mesmo que não exactamente no que quero), reflectir, escrever qualquer coisa e pensar num tema que goste para, daqui a um ano, tentar o derradeiro concurso. E ter esperança que a situação do país melhore um pouco. Não é um plano excelente nem é o que sonhava, mas é um plano - o que já não é nada mau, considerando que há uns meses estava completamente sem saber o que fazer.

    Aonde (não) estou

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É verdade! Ter artigos publicados é muito importante para uma candidatura bem sucedida. Não me parece um plano nada mau :)

      Eliminar
  10. Hoje em dia é frustrante olhar para o percurso académico, ao qual te dedicaste e ver que não te leva a lado nenhum sem teres essa rede de contactos.
    Não tenho nehum desses problemas porque formei-me no que queria, e acabei a fazer o que acahva que nunca iria gostar e que hoje em dia adoro, mas percebo esse "buraco" em que estás e de achares assustador a mudança para outro local sozinha (sou igual) mas se calhar, como tudo, só custa o ínicio...
    Espero que chegues a alcançar o que tanto desejas ou então que, de alguma forma, te sintas realizada em outra coisa qualquer ;).
    Beijinhos e boa sorte.

    misscokette.blogspot.pt

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não leva a lado nenhum? Claro que leva! O conhecimento que adquirimos é nosso, e ninguém faz um curso destes apenas a pensar no mercado de trabalho.
      Obrigada e beijinhos :)

      Eliminar
  11. Mais uma vez, adorei ler este texto. Lamento imenso que (ainda) não tenhas conseguido acesso à bolsa de doutoramento. Talvez se eles mudassem os critérios de admissão tudo fosse mais fácil (e, quem sabe, mais justo). Agora fiquei curiosa em relação à tua tese, deve estar assim algo de muito bom (adorava ler, confesso. sim, eu sou aquele tipo de pessoa que gosta de ler coisas tão estranhas como teses)!
    Eu nunca ponderei sequer a ideia de fazer um mestrado, nem mesmo uma pós-licenciatura/especialidade. Prolongar os estudos numa área que pouco me diz era mais masoquismo do que outra coisa. No entanto, há uns dias atrás falaram-me num mestrado relacionado com sociologia em saúde. Fui pesquisar e pareceu-me deveras interessante. Mas não sei se estou para aí virada. A ver vamos.

    ResponderEliminar
  12. Desde já parabéns pelo vinte na tese. Não é algo impossível de atingir como muitas vezes fazem-nos crer, mas é sem dúvida um feito extraordinário. A área de investigação é um bocado lixada, às vezes. Por experiência própria, que também quero enveredar por esta área - que à segunda seja de vez, para mim - não só é preciso ter "connects" (e nisto professores e outros investigadores são uma bela de uma ajuda) como precisamos de ter teses, cujos temas sejam "out of the box". É um mercado de emprego paralelo que também tem muita competição. E se há coisa que tenha entendido é que acima de tudo precisamos de nos destacar pela positiva e pela originalidade.

    Só me resta desejar-te boa sorte para os próximos tempos. Espero que consigas encontrar um emprego, sejo no que for, no qual te sintas realizada. E que acima de tudo, seja nesta área, porque não há mais frustação de não conseguirmos fazer aquilo que realmente queremos. Força!

    ResponderEliminar
  13. Eu compreendo os teus bloqueios, também me revejo nas tuas palavras. Felizmente comigo quando decidia escrever a primeira palavra depois parecia que jorrava todo um texto. Por razões psicológicas o meu percurso académico não foi o melhor e muitas vezes pensei se seria por isso que ainda não arranjei emprego, mas vejo muitos colegas a arranjar quando foram bem piores que eu... Só te posso desejar sorte para o teu futuro e que encontres algo em que te revejas :)
    Beijinho

    http://fashionunderconstruction.blogspot.pt/

    ResponderEliminar
  14. Não tirei mestrado - pelo menos ainda não tirei - porque não me acho na capacidade de desenvolver de forma consistente uma dissertação. Quero esperar antes de me matricular, ganhar experiência e ritmo. Para além de que não sei bem que área seguir (sei que é Comunicação Web mas há tantas variantes da mesma), ao contrário de ti. Admiro a tua determinação e a tua força e sei que por isso mesmo acabarás por encontrar algum emprego que te encha as medidas e te faça sentir completa. Os sites de emprego nem sempre valem a pena mas se não fosse o indeed.pt não sei o que seria de mim :p

    http://venus-fleurs.blogspot.pt/

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Isso é precisamente o que eu penso sobre a tese de doutoramento - também não sei se sou capaz dessa consistência. Transformo-me num pequeno monstrinho ansioso nessas situações académicas tão puxadas. Mas se tiveres essa vontade sei que vais arranjar maneira de contornar quaisquer problemas.

      Ahh, eu também ando no Indeed todos os dias, mas até agora niente.

      Eliminar
  15. O teu curso pareceu-me bastante interessante. Apesar de ter passado a maior parte do meu tempo a dormir nas aulas de filosofia (e ainda consegui um 14), a verdade é que conhecer melhor o funcionamento do ser humano sempre me fascinou. Sendo a partir de pequenas pesquisas ou quando alguém me explica algo, é maravilhoso!
    Apesar de ainda não estares a trabalhar, o importante é que tiraste O teu curso, algo com que te identifiques. E, mesmo que não vá seguir o mesmo curso que tu, agradeço enquanto estudante e leitora o facto de partilhares connosco a tua experiência académica e, de certa forma, carregada de dicas! Não percas a esperança, porque se não for aqui, será noutro local!

    Beijinhos.
    A Vida de Lyne

    ResponderEliminar
  16. Nádia, gosto imenso de ler o escreves e o teu percurso académico não é excepção. Apesar de não ser desta área (sou mais de números, o oposto), conseguiste-me pôr com imensa curiosidade sobre o curso e para aprender mais sobre filosofia e antropologia. Quando andava no secundário li um livro que já referiste "O mundo de Sofia", que me lembro perfeitamente de não ter percebido e de o ter deixado quase de lado porque já me bastavam as aulas de filosofia! Apesar disso, até gostava de estudar para filosofia e tirava boas notas. Mas nunca me puxou para ir mais além. Com isto, a minha vontade de reler o livro voltou (já a tinha tido algures no tempo, mas não tinha passado disso). Talvez me mate um bocadinho a curiosidade e avance para outras leitures.

    E as coisas irão compor-se. Se não tens pressa para trabalhar, tenta procurar primeiro realmente na área que mais gostas. Acredito que seja díficil, mas com essas notas, estão-te realmente a desperdiçar! Boa sorte :)

    ResponderEliminar
  17. Nádia, é um prazer ler-te falar desta área porque não é comum ver-se uma paixão tão grande! Tenho de te dar desde já os parabéns pela nota da tese! A fase da tese foi a pior altura do meu mestrado, não gostei nada de escrevê-la nem fiquei particularmente feliz com o resultado final mas estava mesmo decidida a fazer e a terminar o mestrado por isso não me pus a adiar à espera da inspiração. Espero que encontres o teu caminho!
    nem mais nem menos | Facebook | Instagram

    ResponderEliminar
  18. Nádia, escreves muito bem. Dá gosto ler o que tu escreves, com a estrutura e classe com que escreves.
    Deste lado, uma miúda que fez o Secundário em Humanidades e saltou em 2010 para Gestão de Empresas achando que ia encontrar estabilidade do outro lado do canudo. Não. Nem em Gestão, nem em Educação Social nem em Filosofia. Sempre estive entre os melhores alunos e quando cheguei de nariz empinado às primeiras entrevistas eles só quiseram saber do que eu tinha andado a fazer nas férias de Verão. Voluntariado? Empregada de mesa? A trabalhar para o bronze? O que lhe contava era a minha atitude. Se estava ou não parada a curtir um grande nada. Hoje trabalho numa das maiores empresas do país e estou a exercer o que estudei (fui uma das sortudas que arriscou numa área que desconhecia mas se apaixonou). Encontrei emprego sem ser através da rede de contactos, por isso é possível.
    Pronto, o que te queria deixar era um beijinho e boas energias e, mesmo sabendo que não é novidade nenhuma, cá fora valoriza-se muito a experiência, a atitude dinâmica e a vontade de fazer. É difícil que te sintas realizada no teu primeiro emprego mas pensa nisso como uma rampa de lançamento para voos mais interessantes. :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada pelo comentário, Daniela, e parabéns pelo teu sucesso!
      Em relação à experiência, é difícil obtê-la quando não nos é dada esse oportunidade. Precisamos de experiência para trabalhar, mas para trabalhar exigem-nos experiência. Eu tive alguns trabalhos pontuais durante a licenciatura e o mestrado, mas nada além disso.

      Eliminar

© Kill Your Barbies. Design by Fearne.