Os brindes do Happy Meal e as coisas mais importantes


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Quando comecei a estudar Antropologia, vi-me na posse de uma enorme riqueza: tinha-me sido entregue uma ferramenta que me permitia olhar para a sociedade sem os condicionamentos que advêm de lhe pertencer. Era como estar a olhar o mundo a partir do lado de fora, como um visitante de outro planeta. Foi uma das melhores coisas que me aconteceram e sentia-me especial por isso, mas vejo agora que esse espírito crítico está vivo e efervescente, e certos assuntos começam a receber a atenção que merecem. Mas como o pensamento crítico desperta os reacionários, lêem-se também muitas barbaridades, e os últimos dias têm sido particularmente prolíficos nisso. Para quem não sabe, a McDonald's Portugal, seguindo diretivas internacionais, abandonou a distinção por género nos brindes do Happy Meal. Os brinquedos são os mesmos, passam apenas a ser designados pelos nomes. Parece simples, correto? Uma pequena alteração, que decerto não tirou tempo de assuntos mais prementes, e que representa mais um passo na luta contra o sexismo. Como uma alteração de política tão simples pode despoletar tanta raiva (vejam, por exemplo, os comentários a esta notícia), será sempre um mistério.


As críticas a esta medida tomam, fundamentalmente, três formas: a primeira advém de uma confusão entre sexo e género, e toma geralmente a forma de "meninos e meninas são diferentes, logo devem e querem brincar com coisas diferentes". Ora é importante perceber que o sexo biológico é diferente do género, e que o género é, em larga medida uma construção social. Não está escrito no código genético que azul é masculino e rosa feminino, nem que as mulheres usam saias e os homens calças, ou que só as mulheres usam saltos altos (facto engraçado: os sapatos de salto foram originalmente criados para uso dos homens). Mas está escrito no código cultural que as meninas brincam com bonecas, mini-cozinhas e mini-fornos -como que a prepararem-se para corresponder à expectativa social de que sejam bonitas, mães e donas de casa- e que os meninos brincam com carrinhos, bolas e construções. Mesmo quando não existe uma proibição direta de divertimento com brinquedos tradicionalmente atribuídos ao género oposto, há sempre uma orientação: mal um bebé nasce, e até mesmo antes de nascer, é bombardeado com estereótipos de género. Pela parte dos pais, da escola, da família alargada, da sociedade. As crianças são moldáveis e a maioria adapta-se bem ao estereótipo: aos dois ou três anos, quando já sabem pedir brinquedos, é comum existir uma inclinação para os mais específicos ao género. Já sabem que são meninos ou meninas, com toda a formatação, peso e bagagem que vêm de apêndice.


A segunda crítica resume-se à afirmação de que as pessoas estão a começar a ver discriminação em tudo. A mim parece-me mais que as pessoas estão a acordar, e ao acordar vêem que a discriminação, o preconceito e o sexismo estão em todo o lado, pois é precisamente assim que o patriarcado se mantém: através de ínfimas ramificações que moldam a nossa perceção dos fenómenos. Talvez seja útil um exemplo: à partida, qualquer forma de abuso ou violência é condenável. Mas se a vítima dessa violência é uma mulher, muitas pessoas apoiam-se imediatamente nos estereótipos de género e começam a pensar que talvez aquela mulher esteja a exagerar (já se sabe que as mulheres exageram), que talvez ela tenha provocado a situação (já se sabe que as mulheres são provocadoras), e por aí em diante. Como sabemos, daí a culpar a vítima vai um instante. Outro exemplo é a tendência para usar o género como explicação para fenómenos específicos, reforçando o estereótipo. Assim, um homem que conduz mal é um mau condutor, uma mulher que conduz mal é uma mulher ao volante. É assim, atributo a atributo, construção a construção, que o sexismo perdura. 


Por último, o argumento comum de que há problemas maiores. Considerando fundamental o caminho para a igualdade de género, parece-me que todas as lutas são essenciais e que para erradicar o sexismo há que combater a discriminação em todas as suas formas. Neste caso específico, ao distinguir os brinquedos entre "de menina" e "de menino" estamos incentivar a entrada um mundo profundamente dividido entre feminino e masculino. E isso é nocivo porque é muito raro que alguém, homem ou mulher, se identifique na plenitude dos estereótipos criados para o seu género. Eu gosto de vestidos, mudo lâmpadas, uso maquilhagem e já montei um móvel. Acima de tudo, não sou faladora e não tenho vocação para cuidar, duas características largamente vistas como comportamentos femininos. Sim, haverá pessoas mais polarizadas, mas acredito que a maioria se situe num continuum. Todas e todos temos diferentes características e é um desfavor defini-las como femininas ou masculinas.  Um desfavor e uma pressão, e todos já nos sentimos, num momento ou noutro, pressionados a agir de acordo com as características culturalmente associadas ao nosso género, mesmo aquelas em que não nos revemos.


Bem entendido, não me parece que algum funcionário do McDonald's tenha negado o brinde de menina a um menino, ou vice-versa, que o tenha solicitado. Mas o problema começa quando dizemos que há brinquedos de menina e outros de menino, quando só deveria haver brinquedos. A nova política da cadeia de restaurantes não é uma tentativa de uniformização nem um esquema diabólico para obrigar rapazes a brincar com Barbies. É, apenas, o reconhecimento do óbvio: que um menino que brinca com uma Barbie não está a brincar com um brinquedo de menina, está a brincar com um brinquedo. Fosse tudo assim e teríamos um mundo mais simples e livre.


59 comentários

  1. Eu acho que o pessoal anda a pegar com tudo e mais alguma coisa. Por acaso à pouco tempo atrás fui ao Mc e um amigo meu pediu um Happy Meal, a menina do balcão pôs um brinquedo de menina. Eu tendo 2 boys primos pequenos lembrei-me, de ficar com o brinquedo. Era de menina, fui lá e troquei sem problema algum :)
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    1. Não me parece pegar, parece-me uma alteração que vai em linha com os esforços no sentido da igualdade de género. Não é um debate, não é uma crispação, foi uma pequena alteração de simples implementação. O interessante é ver que isso chateia muita gente.

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  2. Nunca senti essa diferenciação a não ser agora. Concordo que há coisas só de meninas e coisas só de meninos e não vejo problema algum nisso. Assim como, também não vejo problema algum uma menina fazer coisas de menino ( eu jogava ao berlinde e ao pião ) e um menino fazer coisas de menina ( o meu irmão brincou com bonecas ) e nunca nos foi dito que não o devíamos fazer porque não era comportamento de menina ou menino. Só agora é que há tanto problema de género ou de sexo ou os dois.

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    1. Como disse no texto, não acho que as pessoas estejam a criar problemas, estão é a ficar mais conscientes e ver que estas coisas estão em todo o lado. Porque é que jogar ao berlinde é brincadeira de menino?

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  3. Concordo. Sempre achei ridículo essa coisa de haver brinquedos para menina e brinquedos para menino e ai de quem fosse rebelde e fosse brincar com os brinquedos que pertenciam ao sexo oposto! Eu quando era pequena achava imensa piada àqueles carros que se raspavam as rodas no chão e depois eles andavam sozinhos. Tinha dois que eram antigos brinquedos do meu primo e aos quais ele já não ligava nenhuma. Os meus pais nunca acharam isso errado, mas lembro-me de ter um amigo que ia muitas vezes brincar comigo para casa dos meus pais e que gostava de brincar com as minhas Barbies e houve um dia em que a mãe dele viu e disse-lhe que os meninos não brincavam com bonecas. Naquela altura não percebi a reacção da senhora porque para mim estávamos simplesmente a brincar com brinquedos e acho que o rapaz também não percebeu muito bem, mas o certo é que nunca mais quis brincar com as minhas Barbies o que na altura me chateou um bocado :\ Por isso, palminhas para o McDonald's pela mudança que faz todo o sentido.

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    1. Também sempre vi meninos a quererem entrar nas brincadeiras com Barbies e bonecas, até alguém lhes dizer que os meninos não fazem isso. Enfim, go McDonald's!

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  4. Se desse para bater palmas num comentário, eu faria isso agora.
    Tenho uma amiga cujo sobrinho pede brinquedos como cozinhas, bonecas e material de limpeza, porque vê o pai (os pais são divorciados) a tratar dele e do irmão, a cozinhar, etc e quer ser como ele. Sem ser a minha amiga, a família sente vergonha em comprar estes brinquedos que o miúdo quer e tentam incentivar a comprar mais "masculinos"... Mesmo assim o miúdo já é o pai orgulhoso da Kika e do Viviane :)

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    1. Que coisa MAIS querida!!! (Excepto a reacção da família. Mas o motivo é amoroso).

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  5. Quanto ao teu texto, não me vou alargar muito. Concordo com tudo.
    E se, desde pequenos, aprenderem que não há essas limitações, melhor. Mas os "grandes" ainda têm uma mente muito tacanha.
    Ri-me com a questão da condução. O meu pai diz isso das mulheres tantas, mas tantas vezes. Faço-lhe sempre cara de enjoo, mas ele é teimoso e crê mesmo no que está a dizer. :/

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    1. Chamam-se self-fulfilling prophecies. Se uma pessoa está predisposta a achar que as mulheres conduzem mal, então vai reter cada exemplo de uma má condutora que por acaso é mulher. Por outro lado, se um homem conduz mal isso não é atribuído ao seu género.

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  6. Sinceramente acho isto tudo ridículo ! Tudo agora é racismo, tudo é sexismo, tudo é violência. Quando vamos a uma loja de roupa também temos a secção de Homem e a de Mulher, não é tudo roupa ? Um homem pode vestir umas calças da secção de mulher e eu posso ir comprar camisas a secção de homem ... Se se preocupa se com coisas ue realmente importam...

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    1. Se o sexismo é cada vez mais identificado é porque as pessoas estão, finalmente, alerta para as teias que o patriarcado teceu à sua volta. Ou achas que os salários mais baixos para mulheres se mantêm sem uma carga de preconceitos sobre o masculino e o feminino? E diz-me lá de que forma esta mudança na designação dos brinquedos atrasa a luta contra, por exemplo, a violência doméstica. Eu cá tenho tenho a capacidade para pensar em várias coisas, sem retirar importância a nenhuma.

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  7. Eu não disse que ia atrasar a luta contra a violência doméstica.. ??? Não é por agora chegar ao Mc e perguntarem à minha filha se quer a coleção da Hello Kitty ou das Tartarugas Ninjas que as crianças vão deixar de ser sexistas, muito menos os adultos. Eu cresci a fazerem me a pergunta " é menino ou menina ? " e não sou sexista por isso e muito menos vou transmitir isso a minha filha ! Até porque se a minha filha chegar ao balcão e disser que quer uma tartaruga ninja em vez da hello kitty ninguém lhe vai dizer que não pode.
    Nunca me senti que fosse menos que um homem, nunca senti que tivesse sido discriminada por ser mulher. Efectivamente o meu marido recebe mais que eu mas também tem um cargo mais elevado que o meu.
    Enfim é a minha opinião, eu nunca senti o sexismo na pele. Respeito quem luta pelas suas causas.

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    1. Desconfio sempre de quem diz nunca ter sentido o peso do sexismo, parece-me desatenção. Nunca foste assediada na rua? Nunca tiveste receio de vestir uma mini-saia em certas circunstâncias? Nunca sentiste que a sociedade espera de ti certas coisas, só por seres mulher? O sexismo combate-se em todas as frentes, nenhuma mudança, por si só, muda o mundo. Mas todas são importantes, e todo o reconhecimento da igualdade de género é um passo em frente. Agora já nenhum menino que queira uma Hello Kitty tem que pedir o brinquedo de menina (com todas as ideias que essas divisões implantam nas cabeças das crianças), até porque a Hello Kitty não é um brinquedo de menina, é um brinquedo. Não é tão melhor assim?

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    2. Sim,sim,sim, às tuas perguntas. Eu sou esposa, mãe e mulher e sim sei sem sombra de duvida que a sociedade espera de mim mais do que espera do meu marido. Mas isso só faz de mim mais forte. Faz me sentir que tenho super poderes. Nunca na vida o meu marido conseguia ser como eu sou, fazer as coisas que faço, tipo 10 coisas ao mesmo tempo. Ou passar o dia inteiro a aturar as birras da nossa filha. Mas isto é a minha visão. É a minha maneira de lidar com as coisas. Eu e o meu marido somos diferentes, temos papeis diferentes. Ele é bom numas coisas eu sou noutras. Haverá sempre coisas só de mulher e coisas só de homem.

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    3. Troca lá o sujeito por um negro em vez de uma mulher. Se um negro disser que é visto de maneira diferente pela cor da sua pele mas que isso só o faz mais forte e fá-lo sentir que tem super-poderes, tem algum sentido? Eu não quero que as tarefas de ser mãe e dona-de-casa recaiam maioritariamente sobre mim, dispenso esse tipo de super-poder. E sim, toda a gente tem aptidões diferentes, mas porque é que haveríamos de atribuir isso ao género e não a qualquer outra característica?

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  8. Concordo que a viragem para a "igualdade" na sociedade é fundamental. No entanto, há diferenças evidentes (e comprovadas) no cérebro de homens e mulheres. E essas diferenças têm vindo a ser desenvolvidas/perpetuadas ao longo dos tempos. Não compreendo onde está o sacrilégio em afirmar que o homem é um ser diferente da mulher. É normal que existam coisas direcionadas para ela e para ele. Mas há desvios? Há. Na minha opinião, o que tem efetivamente de mudar é a mentalidade e a segregação em relação a estas excepções. E quanto a isto, acho que estamos no bom caminho. Baby steps, mas estamos.
    Beijinhos ❤
    MY FASHION ODYSSEY

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    1. Não acho que existam desvios, acho que existe um continuum e que algumas pessoas podem inclinar-se naturalmente para as coisas que a sociedade rotula de masculinas e femininas, mas no geral há fluidez. Uma menina a querer jogar ao berlinde ou à bola não é uma exceção, é uma criança a brincar e a conhecer o mundo.

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  9. Na maternidade há coisas que só nós MULHERES é que podemos fazer, isso não é sexismo ?

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    1. Porque é que insistem em confundir funções biológicas com imposições culturais? Só as mulheres podem amamentar, mas os homens podem fazer tudo o resto, certo? O rácio entre diferenças biológicas e modus operandi cultural é completamente descompensado. Ou achas que coisas como lavar a louça, passar roupa, cozinhar, mudar fraldas e dar banho estão inscritas no código genético? Fico sempre de boca aberta com a forma como estas discussões vão sempre dar a diferenças inatas entre homens e mulheres, quando para cada diferença inata (como poder gerar e amamentar uma criança) há 100 práticas culturais totalmente aleatórias que se cristalizaram como naturais. E afinal, se achas que há brinquedos para meninas e meninos e que homens e mulheres são fundamentalmente diferentes, por que razão te melindra esta medida? É que seguindo essa ordem de ideias nem são necessárias divisões artificiais entre brinquedos de menino e menina, porque todos gravitariam naturalmente para os brinquedos de acordo com o seu género...

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  10. Eu acho que nem tanto ao mar, nem tanto à terra, como se cotuma dizer. Há que haver um equilíbrio e saber onde se pode e deve pegar..
    Beijinhos (enviei-te um e-mail)

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    1. Pega-se em todas as frentes do sexismo, como deve ser. De qualquer forma, passar a designar os brinquedos pelos nomes não é propriamente uma Revolução Francesa.

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  11. Eu tive a felicidade de crescer num seio familiar que me permitiu crescer livre de muitos dos rótulos. E agradeço por isso. Nenhum dos meus pais estabeleceu limites aos meus gostos e o meu quarto de brinquedos era um caos para os mais conservadores, ou idiotas.
    Tinha posteres de futebolistas lado a lado com posteres de barbies. Tinha carros ao lado de missangas para o cabelo. Tinha bolas ao lado de nenucos. Não havia imposição logo não iria haver na minha mente preconceito associado. É claro que a escola e muitos dos meus familiares confundiram todo o processo, dando-me toda a prisão cor de rosa onde o mundo decidiu prender a mulheres, mas o "estrago" estava feito e eu nunca me aprisionei a pré definições. Mas eu tive sorte. Sorte de ter um pai que me respeitou desde o momento que nasci e um mãe que me ensinou a orgulhar-me enquanto mulher.
    Infelizmente, a grande maioria não tem sorte e depois somos confrontados com aqueles comentários que nos tiram toda e qualquer esperança de evolução num futuro próximo.

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  12. Eu, como sabes, tive um post no blog, a falar do assunto de uma forma mais aligeirada. Mas, depois, apesar de manter a minha opinião, apaguei-o porque achei que era dar demasiada importância ao assunto, que, para mim deixou de ser assunto.

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    1. Sim, de facto é uma coisa tão básica que não devia ser assunto.

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  13. Comecei a ler o texto super entusiasmada e a abanar a cabeça a dizer "sim" mentalmente. Depois li os comentários da notícia que mencionaste (e que li) e penso "o que vai na cabeça das pessoas??". Acabo de ler o teu texto e continuo a dizer sim mentalmente. Leio a maior parte dos comentários e fico um pouco triste outra vez.
    De qualquer das maneiras, como uma adolescente de 16 anos que sou e que começa a ser cada vez mais bombardeada (ou começo a aperceber-me cada vez mais que existe uma diferença de tratamento e expectativas em relação aos dois sexos e por isso parece-me que acontece mais vezes) com situações e discussões sobre falta de igualdade entre géneros que existe na nossa sociedade, fico extremamente feliz com este acontecimento. Há quem diga que não tem efeito nenhum porque afinal "são só crianças", eu digo que estamos a moldar a visão do mundo e das coisas em geral de futuros adultos.
    Parabéns pelo texto!

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    1. Obrigada pelo teu comentário. Infelizmente, há muita gente ponderada que enlouquece quando o assunto é o género. Não sei do que têm medo. Fico mesmo feliz por aos dezasseis anos conseguires ver o assunto de forma tão clara.

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  14. este post é muito importante, já há algum tempo que, quando vou ao Mc, me pergunto o porque de haver distinção entre brinquedos de "rapariga" e de "rapazes", não faz sentido absolutamente nenhum e acho muito bem que o Mcdonald's tenha tido a decência de aplicar essa politica
    beijinhos :)

    http://umacolherdearroz.blogspot.pt/

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  15. Concordo com tudo aquilo que disseste, temos uma visão semelhante relativamente a este assunto da igualdade de género. E sim, acho que é desde a infância que as crianças devem ser alertadas nesse sentido. Mas sabes o que é que me choca nisto tudo, falando em termos mais gerais? É o facto de haver tanta gente (mulheres principalmente) que não dá importância a estes pequenos (grandes) passos. E que ainda se indignam. Faz-me confusão este "machismo feminino". Se calhar tenho uma visão emocional das coisas, se calhar o facto de me ser incutido o feminismo desde muito cedo me faça pensar assim. Felizmente, cresci rodeada de primos e primas e sempre brincamos entre carros e bonecas. Tantas e tantas vezes eu e as minhas primas vestíamos o meu primo com os nossos vestidos e com as nossas bandoletes, tantas e tantas vezes ele brincava com os nossos nenucos e nós com os action man dele. E nem por isso deixámos de ser mulheres nem ele deixou de ser homem.

    Agora algo que não tem nada a ver: que "inveja" (da boa, atenção!) eu tenho da tua licenciatura! Sempre quis estudar ciências sociais ou letras...e fui parar ao lado oposto :(

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    1. Catarina, mais triste que não darem importância (isso pode ser apenas por não estarem despertas para o assunto) é insurgirem-se contra estes pequenos passos, com bem dizes. Passou-se o mesmo com o assédio verbal de rua. Dessa vez, fiquei felicíssima por ter ajudado uma mulher a mudar de opinião, através de um comentário que fiz no blog dela. Mas infelizmente uma parte das pessoas está mesmo apostada em perpetuar os estereótipos, e esses vêem apenas o que querem ver.

      Quando à minha licenciatura e mestrado, ando há tempos para escrever um post sobre o assunto. Foi mesmo uma das melhores experiências que tive :)

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  16. Adorei ler este post e fiquei mesmo feliz por saber que o Happy Meal já não diferencia géneros. Quando era mais nova eu adorava brincar com barbies e o meu primo com o action man dele. Lembro-me de um dia ter pegado no action man dele e fazer de conta que ele estava numa aventura para encontrar um tesouro e a minha tia o tirar da minha mão porque "o action man não é para meninas". Nunca mais me esqueci disso e fiquei verdadeiramente confusa com isso na altura. Lá tive de fazer as aventuras para as minhas barbies o que acabou por ser bom porque acredito seriamente que me ajudou a ver as mulheres com mais força e poder. O sexismo que me foi imposto ajudou-me a perceber melhor muita coisa e acabo por ter ficado feliz pela minha tia me ter tirado o action man da mão. Descobri que as mulheres também podem encontrar tesouros.

    http://venus-fleurs.blogspot.pt/

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  17. Nádia, esse teu post resume-se apenas a isto. Não és mãe e não estás a viver com um homem na tua casa. :) Antes de começares já a disparar balas e granadas para cima de mim ouve-me :P
    Tens razão em muita coisa no que dizes, mas não percebes o fundo da questão. Sou homem, sou pai de 2 crianças, namorei 7 anos e estou casado à 9 anos. Sempre fui uma pessoa bastante observadora no que toca a relações humanas e estereótipos da sociedade.
    Nós como casal nunca tivemos interferência na escolha das cores para os nossos filhos (boy and girl) eles automaticamente e talvez também pela influência da escola, foram escolhendo as cores, nós tentamos mas eles acabam sempre por escolher as ditas coisas normais de rapaz e rapariga normalmente. A minha filha brinca com bonecas, casinhas e jogos enquanto o meu filho brinca ás lutas, grita bate nas coisas etc. tratámos sempre os dois da mesma maneira e olha o que deu. isto é o que geralmente acontece no comportamento masculino e feminino a nível estatístico.
    Acho muito bem o Happy Meal não distinguir os brinquedos para os meninos e meninas mas isso não vai resultar...
    Já existem diversos estudos sobre as diferenças entre homens e mulheres. Na escola qtas meninas brincavam ao berlinde? 1 ou 2 e eram as marias razpazes, quantos meninos brincavam ao elástico? poucos.. e eram para dar beijinhos nelas... interesse! :)
    Outros exemplos....quantas peças de roupa de homem tu usas? boxers? camisas de homem? polos? relógios? casacos? hummmmmm vais me dizer que não existe o teu tamanho.. isso num bale :P
    Já mudaste o pneu do teu carro? qtas mulheres mudam um pneu do carro????? se fazes dou-te os meus parabéns.. a maioria não o faz! porque? ahhhh os malandros dos engenheiros obrigam a fazer força para tirar as porcas da roda.... e a jante é pesada...
    O cuidado a cuidar de uma criança....acho que ficava aqui a tarde toda a escrever, e olha que eu cuidei e cuido deles todos, mas quem eles preferem???? a mãe claro. é a sociedade que incute isso? nop... vais me dizer que conheces filhos que gostam mais dos pais... claro... tb eu... mas a nível estatisco isso nao acontece.
    Detesto escrever sobre estes assuntos..... existe tanta coisa para dizer.. e falar que não consigo colocar tudo aqui para ficar bem explicadinho.
    Tens de pensar a nível estatístico.. e não em casos pontuais que saem fora do que é "normal" ai o que fui dizer Nádia... mais balas e granadas para cima de mim. :)

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    1. Sky, em primeiro lugar, acho que há aí uma confusão entre ter uma opinião firme e articulada e disparar balas. Certamente não viste isso no meu texto e comentários, certo? Depois, vais-me desculpar mas não dou crédito a argumentos que tentam descredibilizar uma opinião servindo-se de "um dia vais perceber", "se não és pai/mãe não sabes". Ou achas que uma feminista deixa de o ser quando tem filhos? Não tenho, mas sei analisar em retrospetiva o meu comportamento enquanto criança, e para além disso tenho hoje a certeza de não corresponder a metade dos estereótipos que formam a perceção cultural do meu género. Recordo-me na perfeição das brincadeiras de escola (já agora, na minha turma de ensino básico, os grupos de brincadeira não se dividiam por género e toda a gente jogava ao berlinde). Sim, há uma tendência para cada um dos géneros se inclinar para os universos respetivos, mas há por todo o lado sobreposição. Sobreposição, continuum, não exceção. Nós não podemos conhecer o peso real do sexo biológico no comportamento social porque o humano é um ser cultural, mas acredita que tanto, mas tanto do que muita gente gosta de atribuir ao sexo é na verdade o género (i.e., construção social). Poder-te-ia dar inúmeros exemplos, mas escolho pegar num que referes. Não tenho carta de condução, por isso nunca mudei um pneu. Mas não chamo nenhum homem para mudar lâmpadas, carregar sacos de supermercado ou abrir latas. E achas mesmo que essas coisas estão inscritas nos genes? Ou não será que a generalidade das mulheres aprende cedo que são coisas que não tem que fazer porque é tarefa de homem, e por isso nem sequer tenta ou à primeira falha vai chamar um homem? O homem não pode chamar ninguém, por isso sabe que tem que ser ele próprio a fazer isso.

      Honestamente, custa-me perceber porque é que as pessoas escolhem ignorar isto e como uma coisa simples e auto-evidente é capaz de criar tanta confusão, não sei do que é que as pessoas têm medo. O John Lennon teve muita razão ao escrever a mulher é o negro do mundo: em 2016 é impensável haver brinquedos para negros e brancos, mas brinquedos para meninos e meninas é tido como aceitável e até desejável. É que se cada género se inclinasse em massa para tudo quanto é gender-specific, então não seria necessário que os brinquedos para menino e menina estivessem assinalados, certo? Para que é necessária essa ajuda artificial, se os meninos são pequenos guerreadores e as meninas pequenas princesas?

      Uma última coisa, para terminar: escreveram, num comentário acima, sobre um menino que "pede brinquedos como cozinhas, bonecas e material de limpeza, porque vê o pai (os pais são divorciados) a tratar dele e do irmão, a cozinhar, etc e quer ser como ele". Não será por isso que as meninas sempre gravitaram para esse género de brinquedos? Como é que pode fazer mais sentido a alguém que as meninas gostem de brincar com cozinhas porque é conforme o seu sexo biológico e não porque é o que vêem as mães fazer?

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    2. Boas, nem sempre tenho tempo para responder, aproveitei agora um tempinho para dar mais uma opinião.
      Já sabia que ias dizer isso.... não dares crédito a argumentos no que toca "um destes dias vais ver...quando fores mãe vais ver". E podes acreditar que esses argumentos(na minha opinião) são mais válidos do que tu pensas, porque simplesmente não passaste ainda por essas situações. Não vale a pena insistir quando tens essa maneira de pensar tão vincada. É uma opinião tão válida como a minha, nem eu estou certo nem tu. Eu tenho a experiencia e tu tens os teus pensamentos e valores. Cada um é como é.
      Como já disseste em outros blogs... tudo depende dos circulos em que uma pessoa se move... e se no teu as meninas brincavam com os rapazes com os mesmos brinquedos e brincadeiras... fico feliz. Pelas escolas por onde passei raramente aconteceu isso.
      Uma coisa que te esqueces....estatisticamente é o que geralmente acontece haver separação entre coisas masculinas/femininas, sejam elas por força da sociedade ou pela parte biológica que acredita tem um peso muito grande.
      Gostas de exemplos.... lá em minha casa ambos cozinhamos.... porque é que a nossa filha quer também aprender e o meu puto só faz disparates e prefere brincar? Claro que nós damos a volta e ele acaba por ajudar também... mas sempre fomos muito rigorosos nisto.
      Tu mudas uma lâmpada, claro... mal era se não fizesses, bem como abrir latas... isso qualquer pessoa faz seja masculino ou feminino. Mas como uma comentadora mais abaixo disse... não há problema nenhum em pedir ajuda caso seja necessário.
      As mulheres de hoje em dia não são as mesmas de há 15 anos atrás. Vejo muita feminista que se vê grega em muitas situações,e por teimosia e orgulho não pede ajuda ou faz algo mal com o intuito de mostrar que é igual ao homem. Somos diferentes....e mais uma vez.. estatisticamente o homem é melhor numas coisas e a mulher noutras é por isso que se complementam!
      Para ti... é uma coisa simples e auto evidente como dizes... para mim é muito mais complicado do que tu pensas. Estás-te a esquecer de muita coisa que influencia as escolhas de um homem ou de uma mulher.
      Como disse.. escrever é péssimo para mim, adoraria falar disto ao vivo porque existem muito mais coisas para serem debatidas/discutidas, sempre num bom ambiente com partilha de experiencias vividas, porque a experiencia de vida acaba por nos mostrar um outro lado que às vezes não compreedemos.
      Até já :)

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    3. Ora, Sky, primeiro dizes que gostavas de ver uma mulher a fazer certas coisas, como mudar um pneu, eu digo-te que faço tudo e não mudo pneus porque não conduzo, e tu voltas com "não há problema nenhum em pedir ajuda caso seja necessário". Se não o fizesse era uma falsa feminista que só queria tirar benefícios da igualdade de género, se o faço deixa de ter automaticamente interesse. É o problema das profecias auto-realizáveis.

      Qualquer mulher que esteja alerta para o que a rodeia tem experiência nestes assuntos. Posso não ter a experiência de ter crianças pequenas em casa, mas tenho a experiência das minhas vivências e das pessoas com quem me vou cruzando. E sei, acima de tudo, que o machismo é um fenómeno que existe num esquema em pirâmide. Os micro-machismos, as pequenas discriminações, são precisamente o que fornece alimento aos graves problemas.

      Dizes que me esqueço que estatisticamente há separação entre coisas masculinas/femininas. É claro que não esqueço... como me poderia esquecer? É isso o género, o construto cultural edificado sobre o sexo biológico. Aprendemos muito cedo que somos homens e mulheres, e isso traz todo um universo de expectativas que informam as nossas preferências. Mas há por todo o lado sobreposição (se reparares, esta caixa de comentários está cheia de pessoas a dizer que sempre brincaram com brinquedos concebidos para o sexo oposto) e eu, embora não negue que certos comportamentos possam ser informados pela biologia, acho que a balança é completamente descompensada e que a batelada de estereótipos de género é absurda. Não acho que as meninas tenham naturalmente uma inclinação para a cozinha, Sky. E olha que não conheço nenhuma mulher que tenha real gosto em ser a única cozinheira da casa. Infelizmente, não vamos tirar teimas: o humano é um ser cultural, não podemos apanhar nenhum na natureza. Mas sei que acabar com os rótulos e com a distinção marcada entre feminino e masculino só pode ser benéfico. É como te disse no comentário anterior, se cada género se inclinar em massa para tudo quanto é gender-specific, não é sequer necessária a ajuda da sociedade a dizer o que é de menino e o que é de menina. Mas não tenho muitas dúvidas que ao acabarmos com os preconceitos e estereótipos vamos diluir as fronteiras de género.

      Li noutro blog uma comparação muito interessante a esta dos brinquedos: uma mulher que vai a casamentos e que preferia receber a lembrança que costumam dar aos homens -um charuto- em vez do sabonete ou do saquinho de pot-pourri que é tantas vezes a lembrança para as mulheres. Ora, eu não precisei de pensar muito para concluir que também preferia o charuto, apreciadora que sou de charutos e cigarrilhas. Vais-me dizer que também é coisa de homem? De que nos serve sermos tão redutores?

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    4. Acho que vamos ficar aqui durante 2 anos a falar sobre isto! :P
      Nunca disse que a mulher tem real gosto de ser a unica cozinheira em casa... porque tenho mtas pessoas que desabafam comigo a dizer que são umas escravas em casa e o marido ajuda pouco ou nada. em relação aos charutos/cigarros etc... sim..sempre foi associado ao homem pela sociedade, mas qualquer mulher pode/deve fumar o que quiser se lhe apetecer. Claro que ficas já a saber que cada vez que vejo um homem/mulher a fumar dou-lhe pontos negativos :))
      Já agora...das mulheres que conheco e que são muitas, só conheco uma que goste de charutos, mas como dizes...tudo depende do circulos de amigos que temos. Se tiver num clube de fumadores..... :P
      Nádia... não estou a falar de coisas impostas pela sociedade.. estou a falar de coisas que biologicamente o homem e a mulher têm tendencia para escolher. As meninas na escola faziam rodas e brincavam umas com as outras, os rapazes jogavam à bola e lutavam. as mulheres(no geral) quando vão às compras entram em todas as lojas e homem entra só numa. Eu que não ligo nada a essas coisas... não faço muitas coisas que as mulheres fazem. Isto é influenciado pela sociedade? duvido... mas como em tudo existem exepções...e volto a repetir.. estatisticamente e por amostragem a nível biologico, as mulheres têm certos comportamentos e gostos e os homens têm outros. Estou certo? estou errado? é a minha opinião... vale tanto como a tua.
      E em relação aos filhos.. quando tiveres (após conheceres o teu "nice guy" que tanto procuras) irás ver que a teoria é muito bonita e a prática é outra. Vais ver o quão dificil é tentares moldar uma criança da maneira como pensas. Olha que eu e a minha mulher bem tentamos...

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    5. Olá, Sky. O teu comentário não está esquecido, só não tenho vontade de falar todos os dias sobre os mesmos assuntos. Por isso tenho um blog tão generalista :) Parece-me também que a conversa chegou ao fim da linha: já disse que tanto o que estudei quanto o que tenho vivido e observado apontam para a construção social do género. O sexo biológico pode predispor a certos comportamentos, mas nunca, nunca o disparate de atribuições a cada um dos géneros que a sociedade impõe. Tal como te disse que não acho que as mulheres tenham uma predisposição para gostar de cozinhar, estendo a minha opinião à predisposição para "entrar em todas as lojas". Caramba, Sky, é completamente infundamentado. Não tratemos construções sociais como dados inatos, e não esqueçamos a História. Daqui a pouco estás a dizer que as mulheres têm uma tendência natural para se quererem depilar (é tão absurdo quanto uma tendência biológica para gostar de moda e entrar em todas as lojas), quando até a depilação das axilas é uma tendência com uns trinta anos.

      E Sky, eu não quero moldar ninguém, todo meu discurso, no texto e em cada comentário, vai no sentido oposto: libertar. Libertar as pessoas das amarras do género, começando pelas crianças. Tu achas que essa libertação é inútil porque homens e mulheres inclinam-se naturalmente para tudo quanto é gender-specific, eu não acho. Aliás, não conheço uma única pessoa (lá está a experiência, a prática que insistes em dizer que me falta) que se enquadre em todos os atributos do seu género.

      Foste tu quem assumiu que eu penso que a minha opinião vale mais que a tua, não eu. Mas lembra-te de que há uma diferença entre uma opinião a que chegamos quando dizemos a nós próprios "Ok, vou olhar para isto objetivamente, deixando a conveniência, a minha inclinação e os meus preconceitos de lado e aceitar qualquer conclusão a que chegar" e um argumento construído para justificar os nossos preconceitos e aquilo em que queremos acreditar. Não estou a dizer que és um ou outro, apenas que eu me situo no primeiro.

      Acho que ficamos por aqui ;)

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    6. Já estava a ficar preocupado, eu assim esquecido... não mereço :P
      Se achas que a conversa chegou ao fim, por mim tudo bem. Eu adoro falar horas e horas sobre estes temas, simplesmente não me canso. Mas como homem respeitador das decisões das mulheres (cof cof cof maldita tosse) eu não te vou chatear mais após este meu último comentário. :)
      Acho que vivemos em realidades diferentes só pode. Tens a tua opinião formada baseada no que estudaste, viveste e no que tens observado. Eu tenho a minha no que observo, vivo e sempre senti na pele, o que não bate certo com o que dizes. As mulheres não estão constantemente a entrar em lojas????? mas tu não vês isso? No fim de semana passado fui com a minha mulher a um centro comercial...eram 30 mulheres dentro de uma loja e os homens cá fora à espera desesperados. Eu até me meti com um que estava sentado perguntando "Quantas horas é que já está aqui à espera?" e ele riu-se à gargalhada :). Claro que fui à minha vida e quando a minha mulher decidiu o que mais queria fui ter com ela para escolher as peças de roupa. Simplesmente os homens não têm muita paciência para andar atrás de loja em loja, a não ser.. os apaixonadinhos recentes (sim que eu ctn apaixonado pela minha mulher mesmo após 7 anos de namoro e 9 de casamento) que vão sempre para onde elas vão. Não acho que estes comportamentos sejam influenciados pela sociedade, sorry, eu não ligo nada a influências e quando quero comprar roupa, entro numa loja, no máximo 3, e em 10 minutos saio cá para fora, não estou lá "horas" a experimentar roupa. isto é apenas um exemplo entre muitos para os quais ficava aqui a escrever o dia inteiro (estatisicamente). Para te ser sincero.. detesto escrever sobre isto porque fica imensa coisa por dizer e por explicar/partilhar.
      Vá, não te quero empatar mais. Continua com o teu blog que acho excelente, escreves muito bem, apesar de não concordar com algumas ideias, mas isso faz parte da diversidade cultural de cada um. Se fossemos todos iguais, não haviam debates.
      Eu vou continuando a dar umas espreitadelas por aqui :)
      Bjs

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    7. Sky, estás a falar de uma coisa 100% cultural. E isto digo com toda a certeza. Como não ligas nada a influências? Caramba, nós somos moldados desde o dia em que nascemos...! Até a história que se conta às crianças, sobre a concepção, coloca a mulher num papel secundário (o papá planta uma sementinha na barriga da mãe...)! Desde que nascemos somos tratados como meninos ou meninas, a todo o momento, por toda a gente que nos rodeia. Até o trato de um pai para um filho rapaz é, desde muito cedo, diferente daquele que dá a uma filha rapariga. E nem falo dos papéis dentro de casa ou de desporto, mas da forma como se acha adequado tratar meninas e meninos. Quando eu era criança detestava ir a centros comerciais e ser obrigada a entrar em lojas. Porque é que comecei a gostar? Porque aprendi, em grande parte subconscientemente, que o valor de uma mulher vem muito da sua aparência física. E por isso passei a desejar ser bonita e comecei a ir com mais vontade às compras, até eventualmente começar a gostar. Fui completamente condicionada pela sociedade, mas pelo menos sei-o. É imperativo desnaturalizar o que é cultural. E, voltando ao tema inicial, é nesse sentido que vai a medida do McDonald's. Caso tenhas interesse nestes assuntos, sugiro-te um livro chamado "A Dominação Masculina", do sociólogo Pierre Bourdieu. Ajudou-me a "limpar as lentes" através das quais via o mundo.

      Beijinhos e obrigada :)

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  18. Sofri demais com essas histórias por sempre adorar carros telecomandados!

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    1. Eu tinha a ideia de que era raro as meninas serem criticadas ou impedidas de brincar com brinquedos associados aos meninos, o preconceito contra os meninos é pior nesse sentido. Mas não és a primeira a falar disso nos comentários, já aprendi alguma coisa :)

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  19. Concordo, felizmente os meus pais sempre nos deram liberdade para sermos crianças, crianças livres. Um dos meus brinquedos preferidos era um carro de F1 e um avião. O meu irmão sempre teve bonecas e até chegou a ter uma nancy, só não foi às Barbies porque era to mouch para ele, brincadeirinha. As crianças têm de ser felizes e livres nas brincadeiras, brinquedos são isso mesmo, brinquedos que incentivam a imaginação das crianças.
    Como ex funcionária do McDonald’s, nunca me neguei a trocar brinquedos, havia muitas meninas a querer os brinquedos dos meninos e vice-versa, por vezes havia pais que perguntavam aos filhos qual dos brinquedos queriam.
    Não me parecia absurdo haver brinquedos diferentes como não me parece absurdo agora haver apena um. A mentalidade das pessoas essa sim por vezes parece-me um absurdo!

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    1. Não passou a haver apenas um brinquedo, continua a haver dois, apenas passam a ser designados pelos nomes :)

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  20. Esta atitude por parte do mcdonald's é de aplaudir. Visto que trabalho com crianças uma das coisas contra a qual mais luto é acabar também com essa distinção. Acho até positivo que todos possam brincar com tudo, afinal de contas quando crescemos todos lutamos por igualdade entre géneros. Porque não começar desde novos? Eu própria brinquei com carros e adorava fazê-lo. Joguei futebol. Mas também brincava com bonecas e fingia ser mãe de todas elas. Ter essa abertura tornou-me na pessoa que sou hoje: sem preconceitos.

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  21. Uau, adorei o texto, parabéns, e obrigada p me informares tb, pq desconhecia por completo esta nova norma do mcdonalds! Como nc como lá, nem reparo ou estou a par de coisas q, claramente mudam, à sua maneira, preconceitos e mentalidades!

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  22. O texto está muito bom... concordo que as crianças devem e podem sem dúvida brincar com qualquer brinquedo... eu também brinquei com brinquedos de menina e de menino... talvez porque como tinha um irmão, podia brincar com os brinquedos dele também... mas mesmo pelos meus pais acho que não havia stress... aliás o meu primeiro brinquedo que o meu pai me ofereceu foi um carro telecomandado heheheheh e um orgão... Parabéns pelo post.
    Beijinhos grandes
    Ana Negrão Makeup

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  23. Parabéns pelo teu texto!
    Sempre achei a diferenciação de brinquedos um pouco ridícula. Eu era miúda e tive montes de barbies e cozinhas de brincar. Mas também tive bolas de futebol, de basket, carros telecomandados e pistas de corridas! Tive um primo que sempre me foi muito próximo e também nunca sofreu diferenciação. Brincamos com tudo.
    Cada vez mais olho à minha volta e percebo que o sexismo existe nas mais pequenas coisas. E não faz sentido... Criam-se os estereótipos e quem não os segue é quase visto como 'anormal'. Tirei um curso da área das ciências, para a maioria das pessoas do meio onde vivo foi um escândalo. Porque eu era uma rapariga, fui para um curso maioritariamente masculino e não segui letras como a maioria do sexo feminino. A música que ouço está muito ligada ao sexo masculino, e para quem está de fora desse estilo, é sempre uma surpresa que eu, por ser mulher, 'goste daquilo'.
    Entendia que as pessoas se surpreendessem, apenas se fosse por ser algo fora do comum, no aspeto geral (se bem que continua a não ter muita lógica, na minha opinião). E não por ser uma rapariga/mulher.
    Como li aí num comentário acima, eu sou mulher e já mudei pneus de carro. Não preciso que alguém me leve o saco das compras ou me abra algum frasco. Se precisar, peço ajuda sem o mínimo de problema. E se vir alguém numa situação difícil, ajudo. Independentemente se ser homem ou mulher, mais novo ou mais velho. Chama-se educação, simples!
    Resumindo, acho muito bem esta mudança por parte da empresa. Baby steps, mas chegaremos lá.
    É preciso que as pessoas percam os preconceitos.
    xx, Ana

    The Insomniac Owl Blog

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    1. Penso como tu, o sexismo está nas mais pequenas coisas e só assim é que se tem mantido. (Quase) toda a gente condena os grandes problemas, como a violência doméstica, o abuso/exploração sexual e a desigualdade de salários, agora falta perceber que essas coisas são perpetuadas porque estão inscritas num cenário muito maior que diz respeito à perceção cultural de ambos os géneros. Olha o caso da Bárbara Guimarães, por exemplo, a quem calhou uma juíza que mostrou ter uma visão completamente sexista e enviesada do processo. É mesmo com mudanças pequenas que vamos lá, de nada adianta combater os grandes problemas se na base persiste uma dicotomia absoluta entre masculino e feminino, com os preconceitos e estereótipos associados.

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  24. Eu acho que foi uma excelente ideia da Mcdonalds...Acaba por fazer com que as crianças tenham ali um bocadinho de reconforto ao poder ter um brinquedo que até ali era considerado só para meninas ou só para meninos, sem os fazer sentir culpados por estarem a brincar com algo que a sociedade recrimina....

    Beijinho*

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  25. Isto é um assunto muito delicado para responder e não me quero estar a alargar muito nas palavras, portanto só queria dizer que adorei o teu texto e concordo contigo! :)

    http://free-colors.blogspot.pt/

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  26. Este texto está mesmo excelente e concordo plenamente com a mensagem do mesmo. Realmente nós já saimos formatados dos ventres das nossas mães, mas lá pelo meio há uns quantos que saem um pouco menos formatados. E abençoadas sejam estas pessoas, que vêm com a pestana mais aberta para esta situações, e que possam transmitir a não-formatação às gerações seguintes. É claro que há problemas muito maiores e muito mais graves, mas eu acredito que é mais fácil começar a mudar algo pela parte mais pequena e ir ganhando terreno assim, do que querer fazer uma alteração gigante e acabar por ainda criar uma situação pior. Se bem que em muitos casos, o que a sociedade precisava era de uma valente viragem a 180º. Eu li alguns dos comentários acima e acho curioso dizerem que agora é que há mais problemas. Mas como bem disseste, o que há agora é mais percepção destes problemas. Não me venham dizer que se vivia numa sociedade igualitária na Idade Média. Simplesmente nessa altura quem não era conforme a norma não tinha um pingo de voz na matéria; e agora, felizmente, vamos todos conseguindo aumentar o alcance das nossas vozes.

    Eu sou da opinião de que ao invés de termos aulas de formação cívica no Básico em que não se faz nada, deviamos era ter umas aulas/debates em que se falásse destes assuntos - no fundo abrir a pestana de muita gente, que é o que faz falta a esta sociedade. Não no ponto de fazer toda a gente pensar de uma certa forma, mas pegando neste exemplo dos brinquedos, seria mais com o objectivo de fazer todos os alunos (neste caso) perceber qual é que era este ponto de vista e porque é que ele estava a ser discutido, quer concordássem com a divisão ou não dos brinquedos por género. Eu tenho lindo uns artigos sobre assuntos destes, por acaso todos na Suécia, e têm-se demonstrado ser muito interessantes. Por exemplo eles têm estado a implementar na sociedade o uso de um pronome unissexo (cuja palavra já não me lembro, infelizmente).

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  27. Sou da área das ciências sociais e não podia concordar mais. Tenho um menino que irá brincar com o que quiser e terá que aprender a fazer as lides domésticas tal como muitas mães ensinam às meninas. Não é por ser homem que se esquiva :)

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    1. Tão bom :))

      Estudar ciência sociais faz maravilhas pela nossa perceção destes assuntos.

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  28. O que referes é bem verdade. Infelizmente, o ambiente/círculo cultural em que um determinado indivíduo se insere teima na maioria das vezes em toldar a visão de algumas pessoas. Quando as pessoas se permitem distanciar desse ambiente e observar através de outro paradigma, desmistificam-se preconceitos estúpidos.

    Veja-se que em pleno século XXI – que pessoalmente caracterizo de idade da informação - onde qualquer indivíduo possui as ferramentas necessárias para se tornar autodidata o suficiente sobre os temas que mais lhe suscitam interesse, deparamo-nos com uma coluna de comentários nos jornais online capaz de levar às lágrimas (de riso, obviamente).

    Compreendo que cada um tem direito à sua própria opinião, por mais irrisória que seja, mas daí a tornar isso numa busca incessante por assuntos para começar a destilar ódio por tudo o que é rede social, simplesmente não faz sentido. E depois temos de lidar com os justiceiros da paz de fazer inveja ao Michael Knight.

    Percebo bem o teu ponto de vista, trata-se pura e simplesmente de uma alteração. Alteração esta que passava despercebida aos meus olhos, mas que pelos motivos que ainda estou a tentar encontrar é capaz de colocar pessoas a espumar da boca.

    Apesar de vivermos numa sociedade em volta entre questões alarmantes: mercados financeiros, crises políticas, terrorismo, corrupção, desemprego jovem isso não invalida o facto de podermos preocupar-nos com outras matérias que não são expostas na ribalta. Mas essa é uma característica muito peculiar nossa. Não vem mal ao mundo por consertarmos pequenos assuntos e alcançarmos pequenas metas desde que esse não seja o único foco.

    Quantas vezes me debrucei sobre assuntos cuja resposta que obtive foi : "Há crianças a morrer à fome na Etiópia João, menos!". Eu bem sei que sim, infelizmente, e não digo isto por estar a escrever muito confortavelmente no escritório em casa. Ou aquela tão famosa "Tens apenas 21 anos, sabes lá o que é importante na vida!" - esta muita das vezes proferida por pessoas que sofrem do síndrome trabalho-casa, e que infelizmente quando confrontadas com tópicos que remetem para o seu espírito crítico "têm coisas mais importantes para fazer".

    Apenas acho, lá no meu íntimo, que somos capazes de nos preocupar com múltiplos assuntos sobre diversos temas sem descurar a evolução do País como um todo. Mas isto dito por um jovem, que quando tinha os seus 4 anos de idade, retirava dos armários as panelas de pressão e tudo o que fosse utensílios e espalhava pelo chão da cozinha para brincar; ou que tomava a liberdade de raptar as barbies da irmã com o intuito de arranjar uma companhia feminina para os Action Man – já era um insurgente na altura e nem sabia :D

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