Da mini-saia à segregação

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A ocasião em que entendi que há algo profundamente errado na forma como as mulheres são culturalmente percebidas causou-me uma revolta enorme. Estava no primeiro ano de mestrado, com aulas entre as 18h e as 22h, e fui em determinado dia avisada para não vestir a mini-saia que tinha planeado usar porque iria estar na rua, sozinha, até tarde. Embora estivesse já desperta para o fenómeno da objetificação feminina, esse foi o primeiro episódio a fazer com que sentisse a minha liberdade limitada apenas com base no meu género. Se até então a roupa que escolhia usar era uma não-questão, a partir daquele dia o medo instalou-se, passei a ter cuidado e, simultaneamente, a sentir-me mal por adotar essa postura: era como se estivesse a compactuar com a ideia de que as mulheres têm a responsabilidade de evitar o assédio não se vestindo de forma que possa ser considerada provocadora. Quem diz que uma mini-saia ou um decote são usados para atrair atenção esquece-se de que, grande parte das vezes, é o oposto que acontece: raparigas e mulheres abdicam de vestir o que gostam porque vão voltar tarde para casa, ou porque vão sair sozinhas, ou porque aquela zona específica da cidade é considerada perigosa. Maldita cultura que sexualiza até uma mini-saia. 


Detesto que me tenha sido implantada uma preocupação que não representa a minha forma de pensar. Afinal, sabemos que os abusos sexuais acontecem independentemente da roupa que se usa. Mais que isso, sabemos que, na vasta maioria dos casos, os abusos sexuais partem de um conhecido da vítima. Um namorado, marido, companheiro, familiar, colega ou conhecido. O que significa que, de forma predominante, o abuso tem muito menos a ver com sexo do que com a afirmação de poder do agressor sobre a vítima. Ainda assim, compreendo e solidarizo-me com quem não se sente livre para vestir o que quiser: é um medo que nos é imposto, e mesmo quando discordamos dos pressupostos que o regem é difícil ignorá-lo. 


Se percebo que uma mulher se sinta mais protegida usando jeans em determinados ambientes, condeno profundamente uma medida que segue a mesma linha de "proteção", mas que considero grave por ter caráter institucional. Falo de uma notícia recente através da qual somos informados que uma operadora de comboios alemã passou a ter carruagens só para mulheres, como forma de evitar o assédio sexual. É só a mim que isto parece uma versão light da imposição da burka para impedir que as mulheres afegãs sejam alvo de olhares lascivos? Sim, para as mulheres que são assediadas no comboio a medida pode trazer a leveza de um alívio, uma segurança. Mas não nos podemos vergar ao medo. Tal como somos menos livres quando decidimos não vestir aquela saia, perdemos outro pedaço de liberdade quando entramos na carruagem da segregação. É por isto que defendo que para combater o sexismo e a misognia não é suficiente atacar os "grandes assuntos". De pouco nos servem, a longo prazo, os julgamentos em tribunal pelos casos de violência doméstica e abuso sexual se permitimos que se perpetue uma cultura que vê as mulheres como objetos. Urge erradicar o sexismo na base: nas representações culturais das mulheres em sociedade e nos média (vamos falar sobre a pornografia como principal fonte de educação sexual dos rapazes?) e toda a miríade de veículos de manutenção do patriarcado. Uma sociedade em que um grupo se acha no direito de objetificar outro nunca será uma sociedade livre de violência de género.




35 comentários

  1. Texto verdadeiramente realista! O avanço de mentalidades na sociedade aconteçe de forma muito lenta e muitas vezes tomam-se atitudes retorgadas.
    http://cocojeans.blogspot.pt

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  2. Tens toda a razão. Foi aprovada no final do ano passado uma lei que criminaliza o assédio, que pode dar direito até três anos de prisão. Mas como tu dizes, penso que são necessárias medidas mais elaboradas e uma intervenção mais precoce, de forma a mudar-se a mentalidade e não apenas punir quem já fez sofrer alguma vítima

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  3. Bom,ja sei q me vais "cair em cima",mas nao concordo nada com o uso de certo vestuario q exibe deliberadamente certas partes mais intimas do corpo. Acho q isso e puro exibicionismo!Natalia

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    1. Nem tem que concordar, a escolha da roupa cabe à pessoa que a usa.

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    2. Bom,mas quem anda na rua a mostrar as suas "partes mais intimas" anda assim por algum motivo,ou nao sera? Quem anda com mini saias a mostrar o traseiro e porque quer que os outros o vejam. E se quer que os outros o vejam e para que? Por este andar,se eu me apetecer ir sem saia e sem cuecas para a rua tambem posso ir porque ninguem tem nada com isso?Como em tudo tem de haver bom senso.Natalia

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    3. Eu nunca vi uma mulher na rua com as suas "partes íntimas" à mostra. As partes íntimas ainda são a vagina e as mamas, certo? E veja lá que até as mamas à mostra não são uma vergonha em todas as partes do mundo.

      Não posso falar pelas outras mulheres, mas quando uso uma mini-saia é porque gosto de usar uma mini-saia. As minhas pernas não são um objeto sexual, o problema está na cabeça de quem sexualiza tudo.

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    4. As coxas sao um objeto
      sexual. Ponto!Natalia

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    5. AHAHAHAHAH! Obrigada, Natalia, por me fazer lembrar porque é que tenho um blog. É urgente mudar estas mentalidades.

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    6. Nadia,pode rir a sua vontade mas,na sociedade ocidental onde ambas vivemos, as coxas e o rabo sao partes do corpo com uma carga erotica muito grande. Nao vale a pena nega-lo. E eu ja vi,muito recentemente,no Metro, duas raparigas com as mamas quase de fora dos tops. So faltava mesmo ver-se os mamilos. Foi de tal forma "forte"esta visao que quer homens,quer mulheres estavam,literalmente,de boca aberta. Natalia

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  4. O pior é que vamos ouvindo isto desde pequeninas. "Não te sentes assim", "olha que estás de saia, vão-te ver as cuecas", "uma boa menina não se veste assim", "vais sair de casa dessa maneira)", "se vais vestir esse decote todos vão olhar para ti" etc e tal. "Cuidado para não vires sozinha embora", "pede ao teu amigo x para te trazer a casa", "não te esqueças que logo chegas mais tarde, leva outra roupa". Enfim, tudo isto impondo a culpa de tudo nas mulheres. A pressão para a segurança é sempre nossa! Porque é que não ensinam os homens da mesma maneira? "não passes a vida a olhar para o decote da tua amiguinha", "as tuas amiguinhas vestem o que querem, porque elas querem, não é para te agradar!"... O problema é que, desde cedo, começam também a impor aos homens esta sexualização... essa coisa de que são muito machos se olharem para os decotes, se tentarem apalpar as amiguinhas, se lhes levantarem as saias no recreio. Um miúdo que não veja uma amiguinha como "gaja boazona que quero saltar para cima" também tem alguma coisa de errado. E depois eles crescem a achar que efetivamente as mulheres estão à disposição deles, que se vestem para eles, que eles podem (e devem!) olhar, comentar, tocar, forçar. O problema não está só na forma como se vê as mulheres mas também na forma como os homens "devem ser".

    estes assuntos deixam-me tão transtornada.

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    1. м♥, já ouvi dizerem a uma criança de 10 anos para não usar determinado vestido porque lhe acentuava o rabo... sim, em 2016, em Portugal. Também em 2016, vi um menino de 9 anos a dizer que ia pesquisar "mulheres porcas" no Google. O ónus da culpa recai sempre sobre as mulheres, . Até na pornografia, as porcas são as mulheres. Quem vê é apenas um gajo normal, saudável. Enfim...

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    2. Caiu-me o queixo com essa, Nádia o.O

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  5. Posso bater palmas? Vou bater palmas. Caramba. Concordo a 100% contigo - até no sentimento de culpa por não me vestir "à vontade". Eu não gosto de mini-saias. Olho para o espelho e penso "estás demasiado provocadora". MAS PORQUÊ?! Eu não devia fazer esse tipo de julgamento a mim mesma, caramba! Mas faço. E não saio à rua de pernas à mostra quando sei que vou para sítios manhosos. E não visto a peça x ou y para o trabalho porque sei que há homens que vão reparar no meu rabo e que vão olhar como se tivessem o direito de me inspeccionar. É ridículo. E temos que ser nós a combater esse tipo de pensamento, porque para a maioria das pessoas está tão metido na cabeça que nem o vão questionar.

    Essa das carruagens para mulheres...é só ridículo. É, once again, a penalização da vítima. "Boys wiil be boys"? Não, os rapazes vão ser quem os ensinarmos a ser. E enquanto se continuar a retirar liberdade às mulheres "para sua própria segurança", nada vai mudar. Aliás, se mudar, é para pior.

    Jiji

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    1. O mais ridículo é que, antes de ser avisada, nunca tinha pensado que estava mais provocadora de mini-saia que de calças. Era uma peça de roupa que gostava de vestir e que achava que me ficava bem, só. E apesar de continuar a pensar assim, deixei de conseguir vestir uma mini-saia sem ponderar todos os fatores: vou estar sozinha? Vou andar em que zonas? Torna-se ridículo seguirmos regras que não nos representam, mas também é difícil não o fazer. E a história das carruagens (que já existiam noutros países) segue a mesma linha de pensamento, a de que são as mulheres que têm que se proteger, resguardar. E o perigo que isso representa para aquelas que decidirem não usar as carruagens específicas? Já li relatos, vindos do Brasil, de mulheres assediadas por não estarem na "sua" carruagem. É como a roupa: se não estás na tua carruagem, estás a pedi-las.

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    2. Creepy as hell. Também já ouvi dessas, numa saída à noite em que resolvi ir de coxão à mostra, levo uns piropos foleiros e a seguir levo uns "pois, também a sair assim à rua não admira, Joana" dos meus "amigos". Muito bom. É impossível não ficar demasiado consciente...

      Jiji

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  6. Também vi isso dos comboios e achei absolutamente patético... é como tu dizes, é mais uma forma de contribuir para a discriminação. Em vez de se ensinar os homens a verem-nos como iguais, ensinam-nos a sentirmo-nos diferentes.

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  7. Não podia concordar mais com este texto! Gostei imenso!
    Beijinhos

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  8. Quando vi a notícia das carruagens exclusivas para mulheres, o primeiro pensamento que me ocorreu é que parece que estamos a regredir. Espero que este tipo de coisas não se comece a alastrar, porque me assusta o caminho que pode seguir.

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  9. Vamos por partes. Concordo com quase tudo do que disseste. Contudo, tens que aceitar que uma mulher de mini saia e mamocas à mostra chama mais à atenção do homem do que outra com calças de ganga e toda tapada. Daí o assédio, os piropos....
    Agora, a maior parte das mulheres não gosta desse tipo de comportamento por parte dos homens, por isso das duas uma, ou estão-se nas tintas para esses piropos/assédios e continuam-se a vestir da mesma maneira, ou se não gostam, tapam-se mais. Infelizmente os homens continuam a olhar e a ter comportamentos rebarbados...não há como fugir disso, vocês têm todo o direito de se vestirem como querem... contudo qualquer direito tem uma consequencia.. boa ou má. Há apenas que aceitar o que demora a mudar (a mentalidade do homem).
    Eu tb já fui vítima de assédio, num dia de greve, no hall de entrada do comboio cheio, um velho encosta o braço e mão na zona da "piloca" e acredita... não estava de mini saia :))))) Levou logo uma pisadela.

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    1. Eu não acho que seja assim tão linear. Não é só uma saia ou um decote que desperta a atenção (vê este vídeo em que a mulher está t-shirt e jeans https://www.youtube.com/watch?v=b1XGPvbWn0A). Mas sim, é verdade que há formas de evitar um bocadinho. Pessoalmente, se estou num dia normal visto o que quiser, quer seja uma mini-saia ou uns mom jeans, sem pensar duas vezes no assunto. Se estiver num dia mais sensível em que não consigo aturar disparates, visto-me de forma a evitar atenção indesejada. Mas é triste que eu -ou qualquer mulher- tenha que saber isto. A hiper-sexualização do olhar masculino tal como socialmente construído é um disparate e é limitadora. É a mentalidade que deve mudar, não o tamanho das saias.

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  10. Vivemos numa sociedade onde até amamentar, um dos gestos mais naturais do ser humano, é sexualizado. Somos levadas desde miúdas a acreditar que a nossa liberdade é proporcional ao tamanho da nossa saia.
    Como tu, levei um soco na cara, quando depois de ser perseguida e assediada na rua tive de ouvir que ao andar com um vestido tão curto estava-me a "por a jeito". A mulher há muito que se tornou um objecto sexual e esta é para mim a batalha mais complicada que vamos ter de travar.
    Acredito que um dia vamos ser equiparadas intelectualmente aos homens pela sociedade mas seremos eternas escravas do nosso corpo, uma forma de inferiorização muito mais ampla e simples de propagar.

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  11. Muito bem escrito Nádia. Isto vai de encontro àquela 'teoria' horrenda de que as mulheres que são abusadas/violados o são porque se 'puseram a jeito'. Enquanto a sociedade como um todo pensar desta forma, enquanto houver o tal medo de que falas, que é incutido às mulheres desde cedo, não vamos longe. Outro caso que é encarado como 'provocação' é a amamentação, como refere acima a 'pequenasvontades'. Há muitas mulheres que são 'convidadas' a sair de determinado local ou a procurar um outro 'mais resguardado' para alimentar o seu bebé. Como é que estas cabeças conseguem sexualizar um acto tão natural como a amamentação? Enquanto a mentalidade não mudar, enquanto não se começar a educar as nossas crianças para a igualdade de género, este tipo de 'teorias bacocas' irão continuar.

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  12. Texto muito bom Nádia, parabéns...disseste muitas verdades. Mas as coisas só irão mudar quando a educação mudar....
    Beijinhos e bom fim de semana.

    misscokette.blogspot.pt

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  13. Para começar, concordo completamente com a ideia da existência destas carruagens. Trata-se de um país onde se vai nu para as saunas e só recentemente foram criadas saunas exclusivamente para mulheres, logo isto é claramente um retrocesso.
    No entanto, na publicidade e no cinema também só aparecem homens sexy e musculados, mas não ouço ninguém dizer que isso é fazer do homem um objecto. Não me lembro de ter visto um gordo numa passagem de modelos, mas nunca ouvi dizer que isso cria pressão nos meninos para serem magros e musculados. Já chateia a conversa de vitimização das mulheres como se isto fosse um assunto de género. Passa-se o mesmo com ambos os sexos.

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    1. Não é um assunto de género? A sério? Quantos homens são vítimas de violência de género? Quantos morrem, por ano, à mão das esposas ou ex-companheiras? Quantos têm que pensar duas vezes na roupa com que saem à rua com medo de atrair atenção indesejada e predadores? Quantos são assediados e calam a resposta por receio? Quantos são violados e, para além das mazelas físicas e mentais, têm ainda que lidar com a misoginia de uma sociedade que insiste em culpar a vítima, perguntando-lhe o que tinha vestido e se tinha bebido? Quantos homens de sucesso já ouviram a pergunta “como é que consegue conciliar os filhos com o trabalho?”… Etc, etc, etc. Sim, realmente não existem questões de género.

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  14. Não sei se gosto mais do teu texto - que acertou simplesmente em cheio na questão - ou de algumas respostas tuas - que estão mesmo excelentes - a comentários. Até posso entender o que as pessoas querem dizer com certas partes estarem à vista e não ser qualquer coisa que se queira ver, mas daí a estarmos a chamar à atenção vai uma distância monumental. O que as pessoas ainda não entenderam é que o problema não está naquilo que se veste, mas está sim nas pessoas - e sim maioritariamente do sexo masculino - que não conseguem conter os seus impulsos. E claro, no cerne disto tudo está o facto de a educação estar completamente virada para aceitar tudo o que os homens fazem, deixando as culpas todas recair nas mulheres. E desculpem-me lá a algumas das pessoas que fizeram comentários, lá porque uma rapariga gosta de usar mini-saias ou umas camisolas que mostrem mais pele do que outras, não quer dizer que se esteja a pedí-las. A nossa sociedade pode ter uns quantos aspectos positivos, mas ainda há muito que percorrer para mudar muitas mentalidades.

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    1. Obrigada, Maria =)
      Eu acho que mais do que aceitar tudo o que os homens fazem, há um incentivo ativo a que os homens objetifiquem as mulheres, que são muitas vezes reduzidas apenas ao corpo. Sim, ser humano comporta necessariamente uma componente sexual, mas a sexualização das sociedades é completamente exagerada. Os homens são tão incentivados a pensar constantemente em sexo que depois acham anormal que alguém, durante a maior parte do tempo, não esteja nem aí para a atenção que pode receber do sexo oposto.

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  15. É incrível como a forma de vestir de uma mulher é vista pelos outros, como se nos vestíssemos para agrada-los e não agradarmo-nos a nós. É triste só porque num dia alguém decide vestir uma blusa mais decotada, ou uns calções mais curtos é porque quer provocar alguém, não porque se sente bem assim. Todas devemos ter o direito de sair à rua como queremos, sem ouvir piropos ou outros tipos de comentários que nos faltem ao respeito. Somos livres ou não somos?

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  16. No Brasil essa carruagem já existe há anos. E, se não estou em erro, existe até uma «hora de recolher» para as mulheres, em que a partir de X hora do dia não DEVEM andar na rua (não sei se é no Brasil inteiro ou só numa parte específica). Mais ainda acho que queriam implementar um autocarro só para mulheres. Confesso que o assunto mini-saia/vestido me toca directamente pois desde os 4 anos que NÃO CONSIGO usar nem uma nem outra. Muitas vezes nem calções consigo. Compro vestidos, porque gostava de os usar mas quando me visto tenho de trocar de roupa pois não consigo sair à rua assim vestida. Isto porque quando era pequena a minha mãe vestia-me vestidos e na pré-escola um colega meu achava muito divertido tocar-me por baixo do vestido. Deixei de ser capaz de o fazer, passei a só vestir calças e ainda hoje sinto-me desprotegida se mostrar mais perna aqui ou ali. Isto irrita-me pois gostava de ser livre mas é um peso tão grande que carrego no meu peito e na minha mente...Que não consigo mesmo. Já cheguei a ter um ataque de ansiedade porque vesti um vestido e ia ter com o meu namorado ao centro da cidade e eu queria sair de casa, cehguei até ao elevador mas depois tive de voltar para trás pois sentia-me muito mal, quase como se soubesse que assim que saísse do prédio iria ser atacada... O que me irrita mais nesta sociedade regida pela estereotipação e misoginia é o facto de fazer coisas para «proteger» as mulheres e não para «educar» os homens! Não somos nós que temos de ter carruagens de comboio exclusivas para nós! São os homens que devem aprender a respeitar uma mulher e a sua vontade!

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    1. Por acaso sigo uma página feminista brasileira (se não conheces vais gostar: https://www.facebook.com/MocaVoceEMachista/?fref=ts) e sabia dessas carruagens. Mas não sabia do recolhimento obrigatório, é um horror. É que sabemos como funciona a mente dos misóginos: se não estás na tua carruagem estás a pedi-las, se estás na rua depois da hora de recolhimento o teu corpo está disponível a qualquer homem que te queira (parece exagerado, mas é assim que funciona a mente dos predadores criados pelo machismo). E é como dizes, essas medidas para proteger as mulheres limitam as potenciais vítimas, não os potenciais agressores. É à vítima que cabe proteger-se; qual o sentido disto? Eu percebo que o mudar de mentalidades não seja instantâneo e há que conter os danos até lá, mas por que raio se opta por medidas que diminuem a vítima em vez de reforçar o policiamento das ruas e dos espaços públicos? Porque são medidas que derivam do quadro mental do sexismo e do machismo...

      Em relação às saias, percebo bem que isso te tenha impactado. E são situações que por mais que racionalizemos não conseguimos alterar, o medo está lá implantado.

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  17. Não se podem mudar as mentalidades dos outros e quando isso acontece, o melhor é mesmo fazer o que está ao nosso alcance para evitar perigos, mesmo que isso "limite" a nossa liberdade.

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    1. Claro que se podem mudar mentalidades. Chama-se educação. Até lá é controlar os danos feitos pelas mentalidades atuais, mas nunca com segregação. Neste caso em específico, um aumento do policiamento nos comboios seria a solução adequada.

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    2. Ainda bem que tens fé. Estamos num país que até é alfabetizado e no entanto todos os dias vejo comportamentos arcaicos e não distingue classes sociais. Podemos mudar mentalidades? Daqui a quantos anos? Porque agora está tudo igual....

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  18. Vivemos numa sociedade violenta. Eu não deixo de vestir minissaia porque não uso. Não me fica bem. Mas na zona onde moro, tenho o cuidado de deixar a aliança e a carteira em casa, quando vou passear o meu animal de estimação na mata.
    Não é uma comparação muito feliz, admito. Mas de um modo geral, temos que andar atentos, pois o mal pode estar ao virar da esquina. E se não é muito correto comparar o roubo de bens materiais ao roubo da dignidade das mulheres, não deixa de ser triste que numa sociedade que se diz livre e democrática, o medo esteja sempre presente na nossa vida. Não me sinto muito confortável com as generalizações que se fazem acerca do sexo masculino, mas percebo-as quando eu sou o primeiro a temer pela integridade da filha e lhe dou "dicas" para se precaver contra os prováveis atos violentos contra as mulheres.
    No fim somos um pouco "prisioneiros da liberdade". Ou do (mau) uso que os outros fazem liberdade. Mas se vivêssemos na selva, não era melhor. Corríamos risco de vida todos os dias, às garras dos predadores.
    Não há mundos perfeitos. Como já ouvi dizer, o comunismo não é mau: o problema são os comunistas. E nós, seres humanos, somos os maiores inimigos da espécie. Estamos sempre a tentar passar por cima do esqueleto do próximo... ou da próxima. xD

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  19. Gosto de vir aqui e ler os teus textos e as tuas opiniões! Enquanto tomo café é um bom momento sem dúvida! Super interessante sempre o teu blog! Adoro!
    Beijinhos
    elisaumarapariganormal.blogspot.pt

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