O meu guia vegan - fontes de informação e inspiração



Foi-me pedido um post em que apresente uma lista de fontes de informação úteis a quem estiver interessado em explorar o veganismo. As motivações subjacentes a um estilo de vida que recusa produtos de origem animal nem sempre são claras para quem é introduzido pela primeira vez ao tema. Vivendo numa sociedade que balança a exploração dos animais não-humanos com o afeto a algumas espécies seletas (na sociedade ocidental, os cães e os gatos), a apologia do veganismo tende a provocar uma dissonância cognitiva. Isto é perfeitamente normal, uma vez que o sistema no qual crescemos tem ramificações práticas na nossa vida, e é mais confortável rejeitarmos a reflexão que sermos obrigados a repensar algo tão básico como aquilo que comemos todos os dias. Para quem está preparado para dar este passo, tenho apenas uma recomendação: na procura por informação, sejam uma tábula rasa. Mantendo sempre o espírito crítico, não partam com uma inclinação para nenhum ponto de vista - deixem que sejam os factos, a qualidade dos argumentos e o vosso discernimento a formar uma opinião. Pesquisem, leiam, informem-se, como se o resultado não fosse passível de alterar a vossa vida e os vossos hábitos, deixem que o vosso intelecto trabalhe sem limitações de qualquer espécie, porque só assim estão a ser honestos convosco próprios. Neste sentido, olinks que aqui partilho são só uma base, aqueles aos quais reconheço valor e cujos argumentos reconheço como válidos.


Existem três conjuntos de razões para que alguém escolha uma dieta livre de produtos de origem animal: o bem-estar animal, o ambiente e a saúde. E estas são as fontes de informação que considero mais relevantes para cada um dos três: 


AMBIENTE 

- Cowspiracy: The Sustainability Secret: Documentário que analisa o impacto da pecuária e da pesca sobre a natureza, bem como a atual posição das organizações ambientais sobre a crise ambiental.


ANIMAIS 

- Earthlings: Documentário que revela as práticas habituais nas indústrias que dependem da exploração animal; 

- The Nicest Way to Die: Um curto vídeo que mostra a forma menos violenta de abater os animais que comemos;

- Best  Speech You Will Ever Hear: O famoso discurso do ativista Gary Yourofsky, traduzido em 38 línguas; 

- Beyond Carnism: Nesta Ted Talk, Melanie Joy -psicóloga social- introduz o termo carnismo, definido como a ideologia que nos condiciona a aceitar o consumo de animais;

- Libertação Animal: Livro do filósofo Peter Singer que popularizou a noção de especismo e que aplica o raciocínio ético à problemática da exploração animal. 


SAÚDE E BEM-ESTAR 

- Forks Over Knives: Documentário que demonstra que as principais causas de morte do séc. XXI podem ser previnidas (e muitas, tratadas), com uma dieta plant-based;

Uprooting the Leading Causes of Death: Palestra do Dr. Michael Greger que apresenta estudos corroborando o argumento de Forks Over Knives. Mostra ainda que, nos EUA, os comités oficiais para a nutrição são largamente financiados por entidades como a Sugar Association, McDonald's Council on Healthy Lifestyles, Coca-Cola's Beverage Institute for Health and Wellness, National Dairy Promotion Board, American Meat Institute, American Egg Board, etc; 

- Este gráfico que compara a anatomia de um carnívoro, omnívoro, herbívoro e frugívoro e mostra a qual os humanos mais se assemelham. 


Para além destas fontes de informação e reflexão, existem outras quase tão importantes: as de inspiração. Aqui, os youtubers vegan são cada vez mais e estão a ajudar outros youtubers (alguns com milhões de subscritores) a fazer essa conexão, com um enorme impacto para a causa. Como não respondemos todos aos mesmos estímulos, também aqui escolhi uma seleção de canais que recaem em três categorias: 


LIFESTYLE

- Mango Island Mamma 

- Bonny Rebecca

- Mr. and Mrs. Vegan



INFORMAÇÃO 


- Freelee the Banana Girl 

- That Vegan Couple 

- Vegan Gains 

- Bite Size Vegan 

- Unnatural Vegan (relavante para dicas sobre nutrição) 

- The Friendly Activist


RECEITAS 

- The Vegan Corner (receitas italianas "veganizadas"!)

- FullyRawKristina 

- Hot for Food 




Teria mais informação, mas tentei ser relativamente concisa. Se tiverem pouco tempo, o conjunto Cowspiracy - Earthlings - Forks Over Knives é suficiente para um primeiro contacto com as três facetas problemáticas de comer animais. Espero que os interessados encontrem nesta lista alguma utilidade e, caso tenham sugestões relacionadas com este ou outro tema, peço-vos que as deixem nos comentários.

32 comentários

  1. Não sou vegana nem de perto nem de longe - nada contra, e confesso, falha minha, que sei que é mais fácil simplesmente não pensar nisso, mas sei que quando sair de casa dos meus pais os meus hábitos alimentares vão mudar. Em todo o caso, devo dar-te os parabéns pela visão clara e informada que mostras neste post. Conheço pessoas que passaram a ser vegetarianas/vegan por uma questão de "moda", sem terem nunca pensado nisso a sério, e passados dois meses andavam a comer bifes outra vez. Portanto acho que fazer uma escolha informada é crucial aqui!

    Jiji

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  2. Estou longe de seguir uma dieta deste tipo mas gostei muito da pertinência da tua publicação. Não se aplica a mim mas de certeza que será útil para quem quer optar por uma dieta vegan.

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  3. Não me sinto minimamente preparada para dar este passo, mas acho que vou ler na mesma as coisas que partilhaste aqui, gosto sempre de estar informada =p

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  4. adorei este post!!!! Obrigada pelo post tão bom :)

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  5. Obrigada pela partilha de informação!

    Sendo mais da minha área, fui ver o link que deixaste sobre o gráfico a comparar características entre animais consoante o tipo de dietas. Sinceramente, acho que, embora haja informações correctas, também falta a informação mais importante de todas quando se trata do tipo de alimentação dos animais.
    Nas aulas de anatomia e até nas aulas de animais de zoo, para saber o tipo de alimentação de um animal, o mais importante era sem dúvida avaliar o tipo de dentição e depois o trato digestivo. Uma das maneiras de diferenciar um animal herbívoro de carnívoro é pelo ceco, que naquele gráfico nem aparece. É ele quem permite a fermentação da fibra, que nós no nosso caso não digerimos (o nosso ceco é o apêncice, que hoje em dia é só vestigial) e é por isso que a fibra é importante para promover a excreção de fezes.
    De resto, sei que o importante aqui no gráfico é mais a capacidade de absorver hidratos de carbono, como tu própria referes. Mas mesmo assim, de nada serviria se não tivéssemos a feliz capacidade de conseguir utilizar proteína vegetal, ao contrário dos carnívoros estritos. Os ruminantes como as vacas por exemplo, devido ao ceco conseguem "transformar" fibra em proteína devido à sua flora ruminal.

    Desculpa a "seca", mas só queria corrigir mesmo aquele aspecto, para te ajudar na procura da informação correcta.
    Fico muito curiosa para ver os documentários que aqui deixaste, principalmente sobre o ambiente e saúde, que a realidade da exploração animal já conheço de perto...

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    1. Obrigada pelo esclarecimento!
      Mas o resultado acaba por ser o mesmo, não é? Que a nossa anatomia é mais favorável a uma dieta de um frugívoro que de um omnívoro?

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    2. Anatomicamente não, mas felizmente temos o conhecimento e tecnologia que nos permitem viver de forma saudável sem ter que matar animais para isso :)

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    3. Catarina, escrevi-lhe uma resposta, mas pelos vistos ficou no fim do post.

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  6. Uau que post fantástico!! Tanta informação!!
    Muito obrigada pela partilha!
    Beijinho e bom fim de semana.

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  7. Eu chorei tanto a ver o earthlings, depois de ver esse documentário nunca mais toquei em carne

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  8. Vou ler tudo. As vezes depois de nos informar-mos algo acontece e queremos dar o passo.

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    1. Boa! Chegaste a ver a palestra que deixei no teu post acerca do colesterol? (Também está nesta lista, na parte da saúde).

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  9. Não sou vegan nem estou lá perto, para além de se ter tornado um clichê por causa das pessoas que não passam 2 minutos sem gritarem ao mundo que são vegans (infelizmente conheço muitas), não dispenso frango e perú por nada. No entanto e mesmo considerando as pessoas que referi percebo que o façam e concordo. O post é muito informativo em relação a isso! Beijinhos :)

    NINETEEN MOONS

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    1. Eu por acaso acho que se tornou hábito dizer isso, mas é muito diferente da realidade. Pessoalmente, nunca conheci um vegan que ande com isso escrito na testa.

      No entanto, mesmo que fosse assim, eu compreendia. Pode ser muito frustrante, para quem fez a conexão entre a comida no prato e as vidas dos animais, ver toda a gente à sua volta ainda cega para o problema. Ou não querem saber, ou não ainda não sabem, ou sabem mas estão-se a lixar. Todas as semanas morrem mais animais que pessoas nas duas guerras mundiais juntas, e 98% da crueldade contra os animais vem das indústrias que os exploram. Ser vegan não é só ter uma alimentação diferente daquela que é a norma, é estar desperto para um problema que a maioria tende a ignorar e saber que a cada segundo estão a morrer animais que não precisavam de morrer (http://www.adaptt.org/killcounter.html). É por causa dos vegans chatos que cada vez mais pessoas dizem não ao consumo de animais - se todos tivessem uma atitude complacente, "tu comes o teu bife e eu como os meus legumes", a mudança seria muito mais lenta. E isto é especialmente importante sabendo que existem muitas pessoas que só precisam do acesso à informação certa para mudar a sua visão.

      Não é desrespeitar ninguém, mas sim não concordar com as suas escolhas. Eu não concordo com a escolha de comer animais, mas sei que uma pessoa é muito mais que uma escolha que eu considero errada.

      Espreita este vídeo, explica o que tentei dizer mais claramente: https://www.youtube.com/watch?v=4nsTvAv2M-Y

      Beijinhos :)

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  10. Muito, muito mas mesmo muito obrigada por teres partilhado esta publicação! Depois dela, terei o cuidado para pesquisar e ler com mais atenção sobre o assunto e, assim que tiver algo a dizer, escrevo-te.
    Esta publicação está muito bem organizada. Gostei, particularmente, do facto de teres escolhido os links que, provavelmente, são os melhores para ti. E uma vez mais, muito obrigada!

    A Vida de Lyne

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    1. Espero que ajude! Se tiveres alguma dúvida ou quiseres discutir alguma coisa podes enviar-me um email, OK? Beijinhos =)

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  11. Está mais que na hora de ver o Cowspiracy, coisa que ainda não fiz! Ainda bem que reuniste toda esta informação num só post, vou sem dúvida espreitá-los. Btw, estou a adorar o novo nome do teu blog :D
    The Fancy Cats

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  12. Eu não sou vegana (embora já tenha começado a substituir algumas coisas, mas ainda não retirei a carne da minha alimentação, isto vai aos poucos) mas gosto de saber mais sobre este tipo de assuntos! Gostei imenso do post! :)

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    1. Que bom! Qualquer mudança nesse sentido é positiva :)

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  13. Não sou vegan, nem vegetariana, mas aprecio boas fontes de informação, até para aconselhar a quem quer ser, mas não sabe como começar. Por acaso também ando a ler um documento da DGS (direçao geral de saude) sobre o vegetarianismo e é um muito boa fonte de informação para quem quer saber quais as substituições que deve fazer para não ficar com carências nutricionais. Hei de fazer um post sobre ele, pq acho que o documento está bom
    Blog

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  14. Não sou vegan mas gosto sempre de saber mais, por isso gostei muito de ler o teu post, pois além de escreveres muito bem, tens sempre os posts muito bem estruturados.
    Beijinhos e bom fim de semana.

    misscokette.blogspot.pt

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  15. Catarina, posso estar enganada, mas, pelos seus comentários, estou a assumir que come carne. (Se não comer, o desabafo serve na mesma.) Não resisto a fazer um desabafo, que, juro, não tem maldade ou ironia. Faz-me TANTA confusão que alguém, como a Catarina disse, que conhece a exploração animal de perto, continue a comer carne... A grande maioria das pessoas, aparentemente, não pensa muito sobre o assunto, ou seja, vê um bife quase como um "objecto" dissociado de um animal, que sofre e "chora" quando em apuros e que se afeiçoaria a nós, se vivesse connosco. A carne é uma realidade instalada, acerca da qual não se pensa muito, até porque, na cabeça da maioria das pessoas, não temos alternativa. (Ainda hoje tenho pessoas que perguntam: "Não comes carne?! Então o que é que comes?!", genuinamente espantadas.) Mas as pessoas que conhecem a exploração animal, que sei que são muitas (mas como "apanhei" aqui a Catarina é a si que me dirijo), não, estão a comer carne que sabem que é um bocado do cabritinho que gritou desalmadamente antes de ser morto... Têm de ser pessoas com absoluta (absoluta mesma) indiferença pelos animais (pelo menos, os que não sejam um cão ou um gato). O que, vindo dos veterinários (que necessariamente conhecem a realidade das explorações), me transcende completamente e estou sempre a pensar nisso. Mais uma vez, reitero que não é nada de pessoal com a Catarina (até porque também tenho amigos veterinários, de quem gosto).

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    1. Filipa, só vi a sua resposta agora.
      Tem imensa razão no que diz. Na verdade estou neste momento numa espécie de "transição" para vegetariana. Como ainda vivo em casa dos meus pais e não lhes quero dar chatices (sim, eu sei que a vida de um animal é mais importante do que fazerem-se dois pratos diferentes na mesma refeição), opto por comer de forma vegetariana apenas pela faculdade e quando como fora. Só ainda não faço tudo de forma vegetariana porque ainda tenho muito a aprender e não quero prejudicar a minha saúde, como já aconteceu a pessoas conhecidas que fizeram esta mudança alimentar sem pesquisa nenhuma.
      Digo-lhe também, que muitas das pessoas que trabalham na indústria alimentar formam uma barreira entre elas e os animais, como se fossem realmente uma espécie de objecto, um meio para um fim. É uma espécie de escudo e abafamento da sua consciência, assim como uma vida inteira a acharem que os animais têm tanta consciência como uma planta. Não os culpo, são pessoas simples que provavelmente nunca pensaram muito sobre isso porque foram educadas assim.
      Sobre a dissociação do bife à vaca, por acaso fiz um post sobre isso quando visitei um matadouro pela primeira vez. Sobre a hipocrisia das pessoas que diziam que eu era "coitada" por ter que ir a um matadouro, quando na verdade somos todos os comedores de carne responsáveis por tais estabelecimentos...
      E não levo nada a mal o desabafo :)

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    2. Catarina, muito obrigada pela sua resposta tão simpática e tão honesta. Compreendo o que diz e acho que tem razão. Mas quando essa "barreira", de que fala, vem de veterinários, que são quem é suposto proteger os animais, faz-me especial confusão... De qualquer forma, eu própria ainda faço uso de algumas barreiras/dissociações na minha vida, por isso não sou ninguém para falar.
      Boa sorte no seu trajecto para o vegetarianismo e, espero, veganismo. :)

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  16. Informação a mais não faz falta a ninguém e, por isso, estás de parabéns por este post, que me parece bastante completo. Estou certa que irá ser bastante útil a alguém. Podendo comentar mais sobre isto, por estar muito mais dentro deste assunto do que quaisquer outros do post, não podia deixar de dizer que a realidade tratada no ponto onde mencionas o Dr. Michael Greger está felizmente mais presente no dia-a-dia. Aliás, acho que já não há partes da nossa sociedade que não seja comandadas pelos lobbies (quaisquer que eles sejam). É que são imensos já os comités que estão poluídos por estas empresas que só vêem à sua frente $$$. É uma triste realidade, porque quem sai prejudicada é mesmo a nossa saúde.

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  17. Este é para ser apreciado com calma.
    Boa semana

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  18. Embora não seja a minha onda actual, achei o post muito interessante...

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  19. Ainda tenho um longo caminho a percorrer. Não como carne, não bebo leite e, 90% do meu tempo, a minha alimentação é vegetariana, mas ainda como, muito raramente, algum peixe, ovos e queijo. Grata pelo post, pela partilha, é sempre bom abrir consciências sem o peso da "evangelização" que muitas vezes se vê e lê.

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    1. Por acaso, acho que este é um dos poucos casos em que a "evangelização" é aceitável. Temos que dizer aquilo que a maioria não quer ouvir, e pessoalmente recuso-me a ter uma postura passiva enquanto os animais continuam a morrer. Chamem-me chata, é um pequeno preço a pagar por dizer o que está certo.

      Parabéns pelas mudanças que já fizeste. Vais ver, caso decidas ser vegan, que é mais fácil do que possa parecer :)

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  20. Olá Nádia, gostei de conhecer o teu blog, e especialmente este post, sou vegetariana desde o inicio do ano, não foi de repente, há dez anos que não entrava carne ou leite cá em casa, a razão inicial foi a procura de uma alimentação mais saudável, através das pesquisas que ia fazendo, acabei por me ir apercebendo dos horrores da indústria da carne, e percebi que os animais não são objetos, assim como o meu cão, que até é um membro da família, aos poucos fui deixando o peixe, os ovos, deixando de comprar artigos de pele, o passo completo foi dado no início deste ano, agora já tenho coragem de convidar os amigos ou família e oferecer refeições vegetarianas, já perceberam que cá em casa é assim, sinto-me confiante e estou muito mais feliz, já não há volta a dar, tenho a certeza.

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