Strangelove #1: Afinal, escolhemos ou não por quem nos apaixonamos?

Faz parte da minha rotina diária visitar um blog de partilha de segredos intitulado Shiuuuu. Sei, até, o dia e o ano em que fui lá parar pela primeira vez: o dia deste post da Cat, um dos pouquíssimos blogs que seguia antes de decidir criar o meu. 2012, portanto. Se não conhecem o Shiuuuu, evitem formar a vossa perceção desse espaço a partir deste segredo antigo. É que, por cada confissão fofinha que nos restaura um bocadinho da esperança na humanindade, há cinquenta de fazer arrancar os cabelos. Ora, nos últimos tempos, tenho reparado especialmente que os segredos sobre relações amorosas são os mais comentados, sendo frequentemente palco de verdadeiras batalhas entre comentadores. Não diria que sou uma pessoa muito impressionável, mas por diversas vezes pensei deixar de visitar o site pela nuvem negra que parece pairar sobre a maioria destes segredos. Assusta-me, por exemplo, perceber que há uma quantidade significativa de pessoas a achar que trair o parceiro é coisa perfeitamente corriqueira e que tal não deve ter peso na felicidade conjugal. Tenho muitas coisas a dizer sobre isso, mas ficará para o próximo post. O de hoje trata de um assunto mais leve, mas que denota a mesma tendência das pessoas para se desresponsabilizarem das suas ações: a ideia de que não temos qualquer poder no que diz respeito à paixão. 


Quando tinha treze ou catorze anos e, na verdade, até aos dezassete, estava sempre apaixonada por alguém. Paixões platónicas, na maioria: o bonitão que andava no nono ano quando eu ainda estava no sexto, o rapaz belga por quem estava sempre a procurar no hotel em que estava hospedada, na Tunísia, o professor de Educação Física que tinha menos de trinta anos, etc. Certa vez escrevi uma carta ao Daniel Radcliffe porque o tinha visto de mãos dadas com a Emma Watson na première de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban e aquilo não me estava a parecer nada bem. É claro que tudo isto decorria muito do poder da sugestão: uma criança cresce a ver o Titanic todos os fins de semana e começa a achar que estar apaixonada é o ponto maior da experiência humana, nem interessa bem por quem. E isto só começa a representar algum perigo quando as relações evoluem de platónicas para concretas. Foi aí, num momento em que um namoro me fez temer pela minha segurança física, que percebi que isto não é uma brincadeira e que temos que ter cuidado com as pessoas que escolhemos convidar a participar da nossa vida.


É verdade que raramente conhecemos completamente alguém, que as pessoas mudam de acordo com as experiências e as relações com a passagem do tempo. Ser cuidadoso, atento e inteligente não nos vai poupar a relações falhadas. É claro que vamos, em algum momento, sentir tristeza no contexto de uma relação ou porque esta chegou ao fim, mas ainda assim podemos evitar sofrer estupidamente. E, de certa forma, podemos escolher por quem nos apaixonamos. Não - não  escolhemos o que sentimos por determinada pessoa, mas decidimos se nos colocamos, ou não, numa situação em que os sentimentos possam surgir. Eu posso apaixonar-me por alguém no espaço de um dia, mas se tal acontece é porque tomei a decisão consciente de passar o dia com essa pessoa. Exceto casos em que as circunstâncias forçam duas pessoas a passar muito tempo juntas e a interagir num certo nível de proximidade, a escolha de estar com alguém é a prerrogativa de cada um. 


Parece-me, então, sensato fazer as perguntas importantes numa fase prematura. Regra geral, prefiro ter algum conhecimento prévio da pessoa ainda antes de um primeiro encontro, porque sou bastante tímida e prefiro relegar essa conversa para um plano de comunicação menos pessoal, mas pessoas mais desinibidas podem perfeitamente ter essa conversa numa primeira saída. Sim, pode ser meio estranho perguntar a uma pessoa que mal conhecemos se já traiu uma ex-namorada, mas é um desconforto necessário. Pessoalmente, quando engraço com alguém gosto de saber qual é a sua posição acerca do modelo de relação monogâmico (não devemos assumir que todas as pessoas o são só por ser essa a norma da nossa sociedade), se é sensível às questões do feminismo e se é vegetariano/vegan ou está, pelo menos, alerta para o problema e com vontade de explorar essa possibilidade. Obviamente que cada pessoa terá os seus requisitos - estes são os meus mínimos e só com respostas favoráveis a estas questões pondero, sequer, encontrar-me com a pessoa. Esta comunhão de valores básicos não significa que me irei apaixonar - se não acontecer, tudo bem. Mas, se acontecer, tenho a segurança de me estar a apaixonar por uma pessoa que é semelhante a mim no essencial e sei que, embora as coisas possam correr mal ou terminar num futuro mais ou menos próximo, fiz o que podia para garantir a minha segurança física e emocional.


Há coisas difíceis na vida, mas as relações pessoais não são, para mim, uma delas. Na verdade, parece-me que basta uma dose generosa de discernimento, honestidade e amor-próprio. Não escolhemos o que sentimos, mas escolhemos colocar-nos numa posição que permita descobrir o que sentimos. Pela minha parte, sei que estou a preservar-me de cultivar sentimentos românticos por alguém que um dia me possa dizer que vai assistir a uma corrida de touros, ou que anda na rua a reparar em cada rapariga com quem se cruza, ou que espera que lhe passe a roupa a ferro. E este cuidado não impede que, quando de facto me permito apaixonar, continue a achar que essa é a mais gratificante das experiências humanas.

35 comentários

  1. Excelente texto! Passei pela mesma fase. E olho para trás e bem...era muito parvinha. Basicamente tinha tanto amor-próprio que me apaixonava por cada rapaz que dissesse algo simpático sobre mim lol claramente, isto trouxe-me muitos desgostos de adolescente, alegria nem vê-la nesse campo :p

    É uma questão recorrente. Mas não acontece só na adolescência, vejo por aí muito boa alminha a ter como objectivo de vida arranjar namorado/a. E depois dizem "não estou preparado para uma relação" mas toca a andar nos Tinders desta vida. E "vamos com calma" mas vão tomar café todos os dias e ficar no carro a ver o mar. Enfim. Acho que devia haver aulas de como nos amarmos a nós antes de querermos amar outra pessoa.

    E também gosto de ir cuscar o Shiuuuu :p

    Jiji

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  2. Também sou seguidora do shiuuu há anos e fico parva com estes segredos sobre relações. Parece que se perderam os valores todos que fazem de nós pessoas racionais, fiéis, conscientes e, acima de tudo, boas pessoas para estar na vida e numa relação. Chateia-me a facilidade com que as pessoas traem, se chateiam, desistem de relações só porque sim, sem se sentirem minimamente culpadas ou acharem que podem estar erradas ou a ser precipitadas. Não sei, faz-me confusão.

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  3. Muito bom texto, adorei...devia haver uma disciplina de auto estima é amor próprio , talvez as coisas se passassem melhor...
    Também conheço o Shiiuuu e gosto de ir passando por lá .
    Beijinhos


    misscokette.blogspot.pt

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  4. Tb adoro o Shiuuuu :)
    E quando era novinha também me apaixonava facil só porque era giro e tal :)

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  5. Deixei de visitar o Shiuuuu, há muito tempo. Para perturbada, chego eu. Aquilo, consumia-me a paciência, às vezes.

    No restante, vou ser muito básica e dizer apenas que concordo. :)
    Não desenvolvo, porque sou muito fria, nessa coisa das paixões e gente que acha que é uma marioneta delas, em vez de tomar controlo das suas vidinhas, nesse aspecto. Fruto de muitos anos de burrice.

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  6. Tens razão que devemos ter bom senso, discernimento e que a escolha de mergulharmos numa relação com alguém é nossa e sobre a qual podemos medir os prós e os contras. Mas os teus requisitos são questionáveis, especialmente a parte do ser vegan até porque acredito que 99% da população come carne e é feliz, o que para uma pessoa que coloca como requesito o ser vegan ou estar aberto à tentativa de o ser está logo limitada a encontrar alguém que aceite essa condição sendo que o outro lado terá que aceitar sujeitar-se a ser moldado,mas cada um tem os seus ideais, acredita no que quer e, obviamente, os requisitos são algo pessoal portanto não vou alongar-me sobre isso.
    Mas este teu texto faz-me pensar que as relações, no teu ponto de vista, são superficiais, desculpa se interpretei mal alguma coisa mas, sei lá, como se houvesse em ti toda uma vontade exacerbada de ter tudo controlado, até mesmo se a pessoa com quem estás vai reparar em mulheres na rua (nós também não o fazemos?) ou se vai a uma corrida de touros, etc.
    Príncipes não existem, mas sim, podes (podemos!) decidir com quem queremos estar. Na minha visão das coisas, apaixonar é uma coisa tão simples tão bonita, claro que há decisões a tomar e não basta o amor e uma cabana para ter uma relação duradoura, mas acho que querer controlar tudo acaba por tornar uma coisa bonita demasiado pensada, tirando-lhe a "graça" toda, e viver uma relação em que tiveste que "estuda-la" toda antes de embarcar nela... É esquisito.
    Mas pronto, é a tua maneira de pensar e viver a vida e as relações, e eu respeito isso.

    Beijinho
    www.blogasbolinhasamarelas.blogspot.pt

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    1. Entendeste-me mal. Eu não trato as relações superficialmente - pelo contrário, uma relação romântica é a ligação mais profunda que consigo manter com alguém. E quando eu penso em estar com alguém, o meu objetivo é sempre uma relação a longo prazo, porque para mim não faz sentido estar com uma pessoa se não for esse o objetivo. O fim das relações custa-me imenso e sei que não quero passar por isso muitas vezes.

      Eu não quero controlar nem moldar a pessoa que esteja comigo, quero estar com alguém com quem seja compatível. Muitas pessoas que estão em relações tornam-se frustradas e andam a chorar pelos cantos porque apaixonaram-se primeiro e conheceram realmente a pessoa depois, e quando conheceram não gostaram do que viram. Para mim, os requisitos que enumerei são fundamentais. Não, não conseguiria estar a longo prazo com um não-vegan, porque esse é para mim um dos valores mais fulcrais, a par do feminismo. Existiria sempre um fosso entre mim e essa pessoa, um desentendimento a um nível fundamental. Gostarias de estar com uma pessoa que tem como passatempo ver lutas de cães? Presumo que não - da mesma forma, eu não conseguiria estar com alguém que vai a uma corrida de touros. E é assim com o resto que referiste - eu não sou uma pessoa comum (isso não é bom nem mau, é a verdade), não sou a rapariga média, e por isso muitas das coisas que o rapaz médio faz causam-me confusão e estranheza. Eu não ando na rua a reparar em rapazes - não o faço solteira nem quando estou numa relação, não sinto esse apelo, e não percebo bem o que leva uma pessoa a ter sempre a antena sintonizada para isso. Sou monogâmica por natureza e, para mim, há certos comportamentos que são um sinal de que a outra pessoa não é (falarei disso no próximo post desta rubrica).

      Eu acho que estar apaixonado é uma das melhores experiências, mas escolho apaixonar-me por alguém com quem esteja em sintonia no fundamental - e, repito, estas coisas são, para mim, fundamentais. As minhas relações não são menos genuínas por isso, esta é uma precaução que tomo antes e que previne que mais tarde passe por sofrimentos desnecessários.

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  7. Texto fantástico! Fez-me pensar bastante!

    www.daysstyle.blogspot.pt

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  8. Adorei o texto! Concordo com tudinho o que escreveste e procuro as mesmas coisas numa pessoa. Termos ao nosso lado uma pessoa que seja compatível com os nossos ideais é meio caminho andado para uma relação feliz e duradoura (e não estou a falar só de relação amorosa. Por vezes, não há aquele "clique" e estamos melhor como amigos). Só acrescentava uma coisa que procuro, que é uma pessoa que saiba rir. De si próprio e com os outros (nunca dos outros). Fui criada num ambiente com muito riso, muitas piadas e muita diversão à mistura e isso, para mim, é fundamental, aliado com o facto de ser vegetariano/vegan ou, pelo menos, aberto a isso e de ser monogâmico. As relações hoje em dia estão a perder muito a sua essência de partilha, amor e lealdade e isso faz realmente muita falta :)

    Há giveaway a decorrer no blog, participa! ♥
    Beijinhos, xx
    mylittlecorner7.blogspot.pt

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  9. Amei este texto. E identifico-me. Com o passar dos anos fui ficando mais exigente no que diz respeito ao sexo oposto. Para mim seria impensável estar com alguém que não goste de cães e gatos, por exemplo, ou que não seja feminista também. Quanto à pontaria para encontrar essas pessoas é que o caso muda de figura. No outro dia, conheci um rapaz até querido e com umas ideias parecidas com as minhas. Acho que até podia estar ali algo a desenvolver quando ele me diz que só cá estava de férias e que não tencionava deixar Amesterdão nos próximos anos (e eu não acredito em relações à distância, infelizmente). É assim a minha sina! Quanto ao assunto traição, parece que virou moda. Quase todos os dias oiço casos desses e sinto-me completamente deslocada deste mundo. A aguardar ansiosamente a tua reflexão sobre o tema!

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  10. Do alto dos meus quase quarenta anos (ai! jesus! credo!) tive poucos relacionamentos. Porque assim o quis. Porque sou uma pessoa bastante racional. Porque nunca achei que era mais mulher (ou pessoa) por ter um namorado ao meu lado. Porque sempre me senti muito bem a viver sozinha, a desfrutar da vida comigo própria (pode parecer banal. não o é. muita gente não consegue viver consigo mesma. por isso é que tem de estar sempre num relacionamento.)

    Dos poucos relacionamentos que tive e que acabaram, não guardo qualquer mágoa, ressentimento ou tristeza maior. Porque nunca me desiludiram. Porque soube escolher as pessoas que me pareciam certas para mim. Ou, melhor - vendo as coisas com algum distanciamento - escolhi as pessoas que não me iriam fazer sofrer. E não sofri. Mas o certo é que, mais uma vez com este distanciamento, também nunca estive verdadeiramente apaixonada por essas pessoas. Acho sinceramente que a paixão não entra nessas perguntas pré-requisitadas que mencionas aí. Pelo menos, para mim, não.
    É óbvio que há alguns aspectos em que tem de haver compatibilidade. É certo que há certas e determinadas opiniões, atitudes, comportamentos que são, à partida, absolutamente dissuasores de qualquer aproximação para um qualquer relacionamento, seja ele amoroso ou não. Mas as coisas não são assim tão lineares. As coisas demasiado certas e controladas podem tornar-se chatas.

    Para terminar, por mais que uma pessoa faça mil e uma perguntas para conferir compatibilidades, nunca pode estar certa de que a pessoa do outro lado está a ser sincera. E isso também pode ser um factor problemático...

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    1. Eu acho que a paixão depende das respostas a estas perguntas, contanto que saiba efetivamente as respostas. Nunca me interessaria por alguém se soubesse, à partida, que acha que cabe às mulheres cuidarem da casa, ou que gosta de corridas de touros, como disse acima. O interesse não surgiria, de todo. No entanto, se não soubesse estas particularidades e conhecesse apenas a pessoa pela sua personalidade poderia apaixonar-me, e é precisamente isso que não quero. Porque a paixão é muito gira mas é apenas uma fase da relação e, quando a paixão acalmar, não quero perceber que estou encalhada com uma pessoa que não reconheço como um igual. Já estaria apaixonada, mas não conseguiria identificar-me com essa pessoa nos níveis mais fundamentais que, para mim, são a essência do sucesso de uma relação longa. Uma situação assim seria uma fonte de sofrimento, que para mim é sofrimento desnecessário e pateta... os valores são tão importantes quanto a personalidade, e se procuramos conhecer a personalidade antes de nos apaixonarmos, porque não os valores?

      E sim, ninguém (ou quase ninguém) vai admitir "sim, sou um cabrãozito, enganei todas as minhas namoradas e nenhuma chegou a saber". Há que ser inteligente e perspicaz na forma como abordamos as questões para as quais queremos respostas.

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  11. completamente apaixonada pelo teu blog! Continua assim!
    Segui, beijinhos!
    https://minimalmariana.blogspot.pt/

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  12. O texto está fenomenal! É bom haver blogues com assuntos diferentes :)
    Beijinhos!

    http://missweetie.blogspot.pt/2016/08/revelacao-by-sweetie-mes-de-julho.html

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  13. Nossa que delícia de ler um texto com amanha capacidade emocional. Confesso que nunca fui muito afetiva nesse aspecto, entenda-me tive inúmeros namorados, quer dizer, casos. Não digo nem namorados e tudo bem, não foram inúmeros, mas com certeza foram mais de três. E na minha adolescencia inteira eu era igual a você, pulava de uma paixonite para outra. Nunca fiquei completamente sozinha, porque sempre tinha um rolinho aqui, outro ali. Uma paquera aqui. Confesso que eu gosto mais daquele jogo de sedução do que de fato conseguir MESMO, ficar coma pessoa. Me parece um pouco feio falar isso, mas passo a perder certo interesse. Talvez eu não pense de uma forma muito mecânica com as meninas, pensam de forma emocional. Eu nunca me apaixonei por alguém que eu não pudesse ter. De verdade. Eu me apaixono por coisas possíveis, o impossível eu deixo em aberto para minha própria imaginação. Personagens que crio. Aliás, é um talento meu, me apaixonar por personagens. Acho bacana sabe ? Experimentar. Erro e acerto. Mas dizer que uma pessoa não vive sem a outra, para mim parece um tipo de vida que não sei viver. É como a musica do Backstreet boys diz " não é que eu não queira te esquecer, é que não quero nem tentar." acho que algumas pessoas se alimentam do ilusório. Não consigo ser assim.
    amei o texto. Falei demais. Desculpa

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  14. Adorei o texto! Tenho que ir visitar esse blog!

    Há giveaway a decorrer no blog! Participa!
    Beijinhos
    http://that-g-i-r-l.blogspot.pt/

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  15. Não conheço o Shiuuuu e provavelmente não estou a perder nada, que tesourinhos deprimentes sobre relações amorosas não me faltam devido à coscuvelhice que era a minha escola secundária. Mas a curiosidade chamou mais alto e lá fui ler uns posts e uns comentários. Resultado: "not going back there". Acho que é o local ideal para perder a fé na humanidade em menos de cinco minutos; então no post sobre as traições, aqueles comentários são do mais assustador possível.

    Experiência em relações é absolutamente nenhuma e como não somos propriamente o animal mais simpático do Reino Animal, até tenho medo de saber o que me poderá calhar na rifa no futuro. Pode parecer uma abordagem um bocado brusca para algumas pessoas, por aquilo que escreveram nos comentários, mas fazer a outra pessoa passar por um pequeno interrogatório no início também sempre foi uma ideia na minha cabeça. Ainda que com questões diferentes, penso que o essencial seria sempre ficar a saber quais são os pilares da personalidade da outra pessoa. Pode ser a minha experiência nula a falar mais alto, mas não vejo como é que se consegue começar uma relação ao fim de se conhecer uma pessoa há uns cinco dias. Ainda há quem advogue que se vai conhecendo a outra pessoa enquanto se está na relação, mas não vejo como é que isso é produtivo. E já nem falo apenas em questões emocionais, mais vale conhecer os "podres" da outra pessoa (que sim, é sempre difícil conhecer-se a outra pessoa a 100%) de ante-mão antes de estarmos demasiados investidos na relação.

    E neste assunto vem (quase) sempre a questão de as mulheres terem uns critérios muito elevados (os tais high standards), como se nós fossemos as más-da-fita e eles os pobres dos santos. Honestamente, e tendo muito em conta os casos de violência doméstica ou quaisquer outros abusos, e ainda os números de homicídios, eu cá prefiro continuar a ser catalogada como "bitch" por ter high standards e conseguir chegar a velha sem mazelas.

    E concordo bastante com o que disseste acerca de escolhermos ou não por quem nos apaixonamos. Os sentimentos são fruto apenas do nosso coração (e daquilo que os nossos olhos também acham), mas cabe à nossa cabeça/consciência saber se avançamos em frente ou não.

    R.: hahahah compreendo os teus nervos, que eu mesmo indo já para o meu 18º ano lectivo também não sou imune a eles. Boa sorte! Espero que corra tudo bem :)

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    1. Eu também tenho que deixar de lá ir. Foi bom ter conhecido aquele blog, percebi o quão desprovidas de moral as pessoas podem ser, mas começa a fazer-me mal confrontar, todos os dias, o mesmo. O meu mundo nunca vai ser o daquelas pessoas e dispenso tanta maldade na minha vida, ainda que em segunda mão.

      Em relação ao meu texto, julgo que tod@s temos requisitos, algumas pessoas apenas consideram que os meus são secundários, quando na realidade ser feminista e vegan/vegetariano, é-me tão central quanto não ser racista e não comer cães e gatos.

      E tô nem aí para se alguém me acha a má da fita por ter critérios... é muito giro dizer que apaixonarmo-nos deveria ser tão simples como respirar mas depois quem se lixava, e chorava, e ficava presa numa relação insatisfatória era eu. Também prefiro prevenir as mazelas ;)

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  16. Adoro sempre tudo o que escreves. Tens o poder das palavras em ti e fazes-me querer ler sempre mais!
    Beijinhos,
    An Aesthetic Alien | Instagram

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  17. Sem perceber como, de repente, a muitos milhares de quilómetros do local onde nasci e vivi, apaixonei-me.
    Já lá vão vinte anos do resto das nossas vidas.

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  18. De certa forma, concordo contigo, cometi uma vez o erro de gostar muito muito muito de uma pessoa que, pelos vistos, não conhecia assim tão bem e saí bastante magoada.
    Por isso, como tu, antes de sair com quem quer que seja ou dar uma oportunidade nesse campo, tento conhecer ao máximo a pessoa em questão, verificando como tu se verifica alguns requisitos. Acho que não é vergonha nem tem mal nenhum dizeres que gostavas mesmo que fosse vegan e estivesse a par do feminismo. Quer dizer, se tu és contra uma coisa, é óbvio que não vai correr muito bem se namorares alguém que é a favor!
    Foi sem dúvida das posições e opiniões mais interessantes que já li até agora sobre este tema. Mal posso esperar pelas próximas publicações da rubrica.

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  19. Oi! Adorei o seu raciocínio sobre o assunto! "Parece-me que basta uma dose generosa de discernimento, honestidade e amor-próprio" - é isso!! Vi tantas meninas (colegas e amigas) sofrerem por meninos que claramente não valiam a pena que aprendi do erro delas. Sempre considerei que o esforço - porque manter uma relação exige muito trabalho - e o interesse deve vir dos dois lados. Também acredito que não se deve "buscar o amor", deve-se estar aberta(o) para quando ele aparecer. E tudo começa quando aprendemos a aceitarmos a própria essência.

    http://madamebr.com

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  20. Leio o shiuuu assiduamente e gosto bastante. Acho fascinante a forma díspar como seres humano inseridos no mesmo contexto social geral podem ter perspectivas tão distintas.
    Claro que depois há opiniões só parvas mesmo, mas isso é algo que existe demais no mundo.

    Desde sempre fui uma pessoa pouco enamorada pelo amor romântico. Tive namorados claro, mas nunca sonhei acordada. Apenas quando conheci o E, conheci o que era amor, sem um pingo de lamechice aqui.
    Porque pela primeira vez tive vontade de me dedicar a alguém e não só a mim.
    E acho que é essa a questão principal, não tanto "escolher quem se ama, mas sim "escolher" a quem queremos direccionar esse amor.

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  21. Eu gosto bastante do shiuuu! Já li por lá com cada coisa que me fez arrepiar. Acerca disto, só tenho que concordar porque é a verdade. Muitas pessoas apaixonam-se sem sequer conhecer a pessoa - e não digo quando somos miúdas - mas conhecer primeiro antes de avançar acho muito importante! Não digo ficar meses a conhecer (e se for assim que seja!) mas pelo menos conhecer o mínimo para darmos um passo e esse passo não tem que ser já oara namorar mas é aquele passo para um possível encontro!

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  22. Não conhecia o Shiuuu, mas fiquei apaixonada, acho uma ideia super magnética criar um sítio onde são partilhados segredos. Fiquei um pouco decepcionada com a crueldade de alguns comentários que li, esperava mais compaixão pelas pessoas que, ainda que anonimamente, colocam a alma na frente.
    Quanto à tua partilha concordo plenamente, não somos donos do nosso coração, mas é uma ilusão apaixonarmo-nos por alguém que nos maltrata por exemplo. Apaixonamo-nos sim pela ideia de mundo perfeito sobre essa pessoa (claro que esta é apenas a minha opinião).
    Um beijinho
    http://her-concept.blogspot.com

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    1. Eu gosto do conceito do Shiuuuu, mas incomoda-me muito perceber como muitas pessoas pensam, nomeadamente a respeito de relacionamentos. É de ficar com medo!

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  23. Muito bom texto! Tens imenso jeito para escrever e as tuas opiniões são tão assertivas.
    É bem verdade o que dizes, às vezes apaixonamo-nos por alguém sem conhecer. Como é possível se não conhecemos a pessoa, se não sabemos se é boa ou má, se tem os mesmos gostos e os mesmos valores?
    É importante reflectir sobre isso!

    http://popupbyana.blogspot.pt/

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  24. Concordo plenamente com o que disseste "Não escolhemos o que sentimos, mas escolhemos colocar-nos numa posição que permita descobrir o que sentimos". E quanto ao shiuuuu, não conheço, mas com este teu post fiquei com bastante curiosidade e vou lá dar um salto :o

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  25. Já conhecia o nome do Shiuuuu há algum tempo, mas só 'de passagem', não costumo lê-lo. Neste género de sites 'conhecidos' a coisa desliza sempre para a crítica gratuita, negatividade, mostras de falta de moral... É incrível como tudo o que se torna algo popular na internet provoca a revelação do mau lado das pessoas, em parte devido ao anonimato.
    O que dizes faz sentido, e esse 'mecanismo' acaba até por servir como uma espécie de proteção pessoal. Talvez se mais pessoas fizessem o mesmo houvesse menos problemas neste campo :)

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  26. Que texto maravilhoso!

    www.kailagarcia.com

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  27. Não conhecia a shiuuuuu.... Obrigada por me dares a conhecer...
    Revi-me nas tuas palavras, desde as pessoas que me assustam, às paixões platónicas, etc...

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  28. Uma pergunta mesmo difícil de se responder. Revejo-me em t-u-d-o o que escreves! Beijo

    thebrunettetofu.blogspot.pt

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  29. Nunca estive envolvida num relacionamento amoroso, mas isso não me impeliu de concordar contigo. Há que ter cautela quando decidimos partilhar da nossa vida com alguém. E acho que exposeste de maneira magnífica o teu ponto de vista!

    A Vida de Lyne

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