Fair trade sem abrir falência

Na sequência deste post em que falei sobre a minha recente preocupação com as condições de produção da roupa que vestimos, comecei a olhar com mais atenção para a proveniência do vestuário de diversas marcas. Uma coisa ficou, desde logo, clara: não é verdade que os produtos de fair trade sejam, por definição, mais caros. As grandes cadeias de retalho que produzem em sweatshops não o fazem por não terem lucro de outra forma, mas sim para maximizar esse lucro. Basta, aliás, vermos que não são apenas as Zaras deste mundo as culpadas por esta forma de escravidão moderna - marcas de gama mais alta apresentam também peças "Made in Bangladesh" e outros países conhecidos pelas suas fábricas com condições de trabalho sub-humanas. Felizmente, a opção fair trade é grande e para todos os bolsos. Não procurei fazer um inventário de todas as marcas de comércio justo (até porque tal já existe, aqui). Em vez disso, escolhi aquelas que reúnem dois atributos decisivos - roupa gira a preços aceitáveis (em média, entre €20-€80). Ora espreitem a seleção, é capaz de vos surpreender:


American Apparel - Todas as coleções são fabricadas nos EUA. É ideal para peças básicas. 


ASOS Reclaimed Vintage - Peças em segunda mão ou stocks de armazém, renovadas em fábricas londrinas. Além de roupa, conta também com malas e acessórios.

 

Change - Marca portuguesa que assenta no conceito de costumização de peças em segunda mão. Vale a pena espreitar, sobretudo para quem gosta de calções de ganga.

 

We Love - Outra marca portuguesa, nascida no Facebook. Lá, encontrarão sobretudo tops e camisolas, bem como uma original coleção de swimwear - tudo a preços muito simpáticos.









ASOS  Africa - Uma pequena coleção para a primavera/verão de 2016, produzida no Quénia seguindo as regras do comércio justo. Espero que surja uma linha de outono/inverno, porque amei a maioria das peças.


Kitess - Marca portuguesa e fabricada em Portugal, muito trendy. Ideal para vestidos de festa e tops.


Ethical Market - Loja multimarcas, com uma grande diversidade de preços. Gosto particularmente da seleção de t-shirts estampadas e com mensagens.


KLING - A KLING é, provavelmente, a minha marca favorita. Infelizmente, não é inteiramente fair trade, mas têm surgido várias peças "Made in Spain", devidamente assinaladas no site.


Spaccio - Presente em vários centros comerciais e na loja online Ponto Fashion, a Spaccio fabrica a maioria das suas roupas em Portugal e Itália. O local de fabrico de cada peça é assinalado na ficha de produto, no website. 





19 comentários

  1. Por acaso, ultimamente comecei a preocupar-me bastante com esse tipo de assuntos, como as roupas que compro feitas por pessoas que trabalham nessas condições sub-humanas. Gostei muito da maioria das lojas, especialmente a Welove, que já seguia no instagram, tem camisolas tão giras!
    Beijinhos

    Saturn's Mermaid

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  2. Excelente artigo, Nádia, vai para os favoritos para o ter à mão para consulta! Estou ligeiramente apaixonada pelas peças da ASOS <3 e o Ethical Market tem t-shirts tão lindas!

    Jiji

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  3. Obrigada, Nádia! Vai dar imenso jeito! :) Ainda não analisei os sites, mas já tenho com que me entreter, durante a tarde. Yeieh

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  4. Super útil (; Acho que ainda estamos longe de conseguir com que as pessoas levem o problema da Fast Fashion a sério. Por muitos documentários que façam sobre a escravidão nas fábricas de roupa, sobre a poluição (a indústria da moda é das mais poluentes em todo o mundo e um grande responsável pelas péssimas condições de vida nos países do terceiro mundo), as pessoas passam a porta do centro comercial e esquecem-se de tudo...

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  5. Desconhecia grande parte das lojas. Reparo essencialmente que as pessoas deixam de ligar à qualidade e preocupam-se mais com o preço. Sei por experiência própria, visto que a maior parte da minha roupa é feita pela minha mãe, que as pessoas preferem ir ao que fica mais em conta mesmo que isso queira dizer que vão ter uma peça de roupa que vai durar pouquissimo tempo.

    Lígia
    Lifestyle&Co.
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  6. Acho óptimo este 'apanhado' com sugestões giras e provenientes de trabalho não-escravo! O certo é que ainda hoje em apaixonei perdidamente por uma saia e umas sapatilhas da Zara. Tenho de continuar a trabalhar a minha consciencialização para este assunto. Um passo de cada vez.

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  7. adorei o post, foi super util
    muitos parabéns por estares a falar disto e por tomares a iniciativa
    beijinhos

    http://umacolherdearroz.blogspot.pt/

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  8. Não conhecia a maior parte, aliás a única que já usei (e uso) é a Spaccio.
    Um grande alerta Nádia. Obrigada pela partilha.
    Beijinhos
    elisaumarapariganormal.blogspot.pt

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  9. Gosto muito destes posts Nádia. :)

    O Fair Trade, originalmente, funciona de Norte para Sul, embora nos últimos anos tenha havido um esforço para acomodar também os países do Norte (funcionando também de Norte para Norte).

    O que é que eu acho? Que deveria ser possível, em qualquer país, trabalhar em condições adequadas, tendo o empregador uma margem de lucro justa e ainda tudo o que aqui está em causa sem ser necessário um nome/iniciativa especial. Isto deveria ser a norma. Óbvio, não é? E, para já, uma utopia.

    Devo dizer, com total honestidade, que não faço muita questão de comprar em marcas com este selo (Fair Trade) pois desde pequena que aprendi que: nem 8 nem 80.

    Olhando para as etiquetas de Zaras e afins, acredito que não há nada de errado em empregar trabalhadores na China, Índia, Paquistão, Bangladesh, etc. É que é triste perceber que, nestes países, grande parte das oportunidades de trabalho se resumem a estes postos. Mas alguma coisa tem de mudar radicalmente.

    Nos vários artigos e documentários que tenho lido/visto reparo sempre neste pormenor: a quantidade de roupa que se compra hoje em dia. Eu sei que, tendo em conta os meus comentários anteriores, estou a tornar-me repetitiva... mas este é o problema de fundo. Se a maioria das pessoas estivesse desperta para esta questão e comprasse menos - muito, muito menos - nas lojas habituais esse seria um indicador determinante para as grandes cadeias (grupo Inditex, H&M, Primark, etc (e também para as marcas de luxo)). Quem sabe, reduziriam finalmente o número de peças criadas (já agora sem lugar a copycats)- sendo mais seletivos - melhorariam a sua qualidade e, finalmente, com algum carácter e sentido ético, garantiriam as condições justas para todos os trabalhadores (inclusive os que trabalham nas lojas; sim, também esses!).

    Mas, sinceramente, acho que teria de haver uma forte onda nas redes sociais neste sentido (uma moda como os sumos detox, a dieta paleo, Adidas Stan Smith e outros que tais) para que realmente se fizesse a diferença.

    Ontem estava a terminar de ver a série espanhola (Grand Hotel) e reparei num pormenor delicioso. Enquanto a mãe da personagem Alicia Alarcón (família distinta) remexia no armário da filha pude reparar no número limitadíssimo de vestidos que esta tinha. Aliás, ao longo da série repete-os - esta e as outras personagens - como aliás era normal até há poucas décadas atrás.

    Hoje em dia é muito diferente. Já tenho ouvido preocupações como as de querer sair à noite sem repetir a roupa (até e desde logo por causa das selfies...). Hum.

    :/

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    Respostas
    1. Ah, mas eu também acho que a existência de fábricas de fast-fashion na China, Bangladesh, etc., não é problemática per se. Só que ao comprar uma t-shirt na Zara não temos forma de saber em que condições foi feita, até porque, estatisticamente, é mais provável que tenha vindo de um sítio que explora os seus trabalhadores. E, não sabendo, o melhor é não comprar. Falo contra mim, que ainda não consegui dar esse passo, que se me apaixono por um vestido esqueço essas preocupações numa fração de segundo.

      Também não percebo essa de não querer repetir a roupa... quando gosto de alguma coisa uso até me fartar :P

      Um beijinho, Carmen.

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  10. Ultimamente, também me ando a preocupar um pouco mais com este problema, mas não sabia muito bem por onde começar... Mas adorei o post, é super útil e vou já dar uma vista de olhos nas lojas que falaste :)

    Beijinhos, xx
    My Little Corner

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  11. Obrigada pelo artigo, Nádia. A consciencialização sobre este assunto é muito importante. Fiquei curiosa com a We Love, tenho de passar pela loja deles um dia destes.

    Beijinho*

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  12. Gosto imenso como não só abordas os assuntos mas expões opções! Uma mais valia!
    Já conhecia algumas das opções mas outras vou sem dúvida pesquisar!

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  13. Vou mudar-me para um local com lojas da American Apparel; vou aproveitar a oportunidade para conhecer melhor a marca, quando for necessário adicionar alguma coisa ao guarda-roupa. Das restantes só conheço as duas "variantes" da ASOS.

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  14. Adorei a ASOS Africa. Tem peças lindas! Quase não compro roupa, só mesmo quando preciso, e cada vez quero investir em coisas de qualidade, que durem, e que não me façam alergias (ou seja, que sejam de algodão). Se adicionalmente ainda conseguir que sejam de marcas conscientes, ainda melhor. Falta-me dar esse passo.

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  15. Já reuniste uma boa lista de marcas! Quando uma pessoa procura encontra. :)
    Realmente a questão de ser acessível é imperativa. E de ter peças giras também :D

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  16. Este artigo foi super útil! Vi o documentário 'The True Cost' e fiquei chocada. No fundo não é nada que nunca me tenha passado pela cabeça sinceramente, mas ali foi quase uma confirmação, o abre-olhos.
    Já há muito tempo que me tenho preocupado mais em fazer compras com mais consciência. Esta lista de marcas vai-me ajudar muito :)
    xx, Ana

    The Insomniac Owl Blog

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