O amor do Duvivier

Acho que já não há quem não conheça o Gregório Duvivier e a Clarice Falcão. Primeiro juntos, no fenómeno que é o Porta dos Fundos, depois separados. Partilho do posicionamento político do Gregório e gosto, mesmo muito, das músicas da Clarice. Esta semana o Gregório publicou um texto, sobre gratidão e o amor de uma vida. Eu nunca escreveria um texto destes. Na verdade, nem me atreveria a pensar nestes termos. A minha postura face ao fim de um relacionamento é, invariavelmente, uma de duas: se já não te quero nem me lembro que te conheci ou se já não me queres podes ir morrer longe e espero que apanhes sífilis, gonorreia, escorbuto e peste negra. Mas apesar disso - aliás, precisamente por isso - sei a grandeza e a maturidade emocional necessárias para escrever um texto como aquele. Podem lê-lo aqui - mas vão por mim, não o façam num sítio público. 

24 comentários

  1. Eh pá. É lindo. Eu tenho tipo 0 experiência com estas coisas (namoro com o meu high school love, sou assim tão experimentada na cena ahah) mas o raio do texto é lindo. Se eu teria esta postura? Não sei, é possível. O meu namorado é o meu melhor amigo - e tenho amigos qb, felizmente! - portanto a não ser que houvesse um estouro gigante que nos fizesse nunca mais nos querermos ver à frente, acho que não queria vê-lo fora da minha vida para sempre. Mas também não conseguiria ter esta proximidade e amor todo no fim imediato. Mas é de valor. É de muito valor!

    Jiji

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  2. Não faço ideia como reagiria a um terminar de relação. Namoro com o meu primeiro namorado há mais de uma mão cheia de anos e a nossa relação é tão profundamente cúmplice como a que o Gregório descreveu. No fundo acredito que quando se atinge esse nível, as memórias boas se sobrepõem às más, que a saudade se sobrepõe à mágoa. Sim, sou uma romântica.

    P.S. Depois de ler a carta do Gregório e ficar a choramingar, a única solução que arranjei foi mesmo começar a cantarolar as músicas da Clarice <3

    Parmim

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    1. Eu também sou uma romântica, mas é enquando dura. Como nunca sinto amizade pelos meus namorados, toda a ligação termina ali. E se não for eu a terminar não conheço forma de lidar com a coisa que não envolva demonizar temporariamente a pessoa. Não sei porquê, mas sofreria muito mais se me permitisse sentir algo de bom por alguém de quem ainda gosto e que já está ou vai estar com outra. Isso depois passa, e quando deixo de gostar vai também a raiva, mas também não fica amizade nem saudade. É um mecanismo de auto-defesa meio marado, daí achar admirável a postura do Gregório.

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  3. Já tinha lido e achei lindo. devo ser a unica pessoa que não sabia que eles foram um casal e já não são, mas achei lindo lindo lindo que alguém consiga escrever assim sobre a pessoa com quem já não está. Espero nunca passar por isso mas, se passar (bater na madeira!), gostava de ter esta maturidade emocional.

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  4. Ahahaha eu acrescento SIDA. Brincando, mas sem dúvida é preciso maturidade para enfrentar o fim do relacionamento com cordialidade. Mas este devia ser o caminho normal. Que a maturidade venha até mim, se isso me acontecer no futuro!
    Beijinhoo
    RITISSIMA BLOG

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  5. Não conheço nenhum dos dois. Mil perdões!
    Mas o texto é amoroso, sim. Por acaso, sinto muito carinho pelos meus ex-namorados (mas também os namoros duraram pouco e nem sei se houve amor, para ser sincera). Só lhes quero bem. Por isso, consigo perceber um pouquinho do que ele escreve. Acho que é o que acontece quando há uma amizade enorme, para além do amor. Quando a relação acaba, mesmo que o amor ainda lá esteja, fragilizado, a amizade e o carinho sobrepõem-se. Não sei se faz sentido, mas é isso que penso! :)

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  6. Já li ontem e chorei baba e ranho! É incrivel a "quantidade" de amor que se tem que sentir pelo outro, tendo presente, obviamente, que esse amor não chega para continuarem juntos.
    É tão lindo e tão raro!

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  7. Já tinha lido e achei louvável. Sobretudo, porque eu nunca seria capaz de reagir assim ao fim de uma relação =P

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  8. Pois, eu gostava de ser possuidor desta elevação espiritual, mas também não consigo. Só não desejo quedas de pirilau aos meus ex-namorados porque sou heterossexual, mas desejo o equivalente às minhas ex-namoradas. Temos que evoluir, é aquilo que o Gregório nos diz. Vou pensar nisso. No próximo dia 30 de Fevereiro :P

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  9. acrescenta aí ao «se não me queres» ... «e que tenhas filhos muito feios», digo sempre isso para os meus ex!

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    1. Haha, olha, isso dos filhos está tão longe do meu pensamento que nunca me lembrei disso. Até podem ter uma dezena de filhos lindos de morrer, eu vou sempre considerar-me mais sortuda por não ter nenhum.

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  10. Vou ler!
    Passa pelo meu blog, tenho lá umas perguntas para as leitoras!

    Beijinhos
    That Girl

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  11. Já li o texto. Acho que é mesmo uma questão de maturidade. Se, há uns anos, desejava ardentemente que a pessoa que tanto me magoou tivesse todas essas doenças e mais algumas (peste negra nunca me ocorreu por acaso!!) e que entalasse os dedos na porta todos os dias, hoje já não penso assim. Acho que estou a ficar velha. Ou se calhar estou só num dia zen e amanhã já mudo de opinião e começo outra vez a desejar maldades a todos aqueles que tiverem o desplante de me magoar outra vez!

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  12. Não conhecia mas é completamente maravilhoso... falta pessoas dessas por aí (inclusive eu não tenho tal maturidade)

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  13. Sao palavras bonitas, mas não me causam tamanha comoção. Simplesmente porque nada do que ele diz me é estranho. Tenho certeza que se um dia a minha relação terminar, vou ficar magoada mas jamais transformada. Todos os maravilhosos solavancos que o meu coração teve, todas as borboletas na barriga, todas as gargalhadas e toques estão gravados na alma.
    É isto não serve apenas para as relações românticas. Todas as minhas relações que terminaram e algumas duras, são recordadas com carinho.
    Rancor e sentimentos ressabiados são dores na alma, não devíamos sucumbir a isso.

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    1. Às vezes é só uma forma de nos protegermos. Para mim seria infinitamente pior nutrir sentimentos positivos por alguém que já não quer estar comigo e imaginá-lo com outra pessoa. Mas também não guardo rancor para a vida - acaba por passar tudo e um dia nutro zero sentimentos, bons ou maus, pela pessoa. É o que resulta para mim e nessas alturas estou mais preocupada com a minha sobrevivência emocional do que em ter maturidade, sentir gratidão, etc. Que se lixe, mesmo.

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    2. Claro, cada cabeça é um mundo. Para mim funciona assim, porque não só é o que faz mais sentido na minha forma de ver o mundo mas também, agora de uma forma mais egoísta, sei o quão mal me faz cultivar sentimentos maus. Sou daquelas pessoas que digo o que tenho a dizer na hora, seja duro ou não, depois encerro o assunto e fico com o lado bom. É uma escolha, tão certa como qualquer outra.

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  14. Ola Nádia,
    Já tinha saudades de aqui vir, ler textos magnificos...que texto lindo Meu Deus, no fundo sou uma romântica incurável, mas acabo sempre a ser fria nestes assuntos, a não ser quando estou sozinha, aí choro baba e ranho :).
    Beijinhos.

    misscokette.blogspot.pt

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  15. Realmente é preciso ter muita maturidade e alguma capacidade de distanciamento para escrever algo assim :)

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  16. O texto está simplesmente fantástico e lindo. Não sou muito fã de lamechices e até pensei que o texto se fosse encontrar neste campo, mas a sua simplicidade é simplesmente linda. É mais fácil falar do que o fazer, mas seria óptimo se conseguimos sempre ter este poder de neutralidade no fim de uma relação.

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  17. Algo assim hoje é realmente raro e emocionante, já que ao término de um relacionamento cada um vai para o seu "canto" e não está mais nem aí com o outro, como se a pessoa nunca estivesse feito parte de sua vida...
    Estou seguindo!!

    http://croquiandocomagrazi.blogspot.com.br/

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