A minha cirurgia estética - 4ª parte: a cirurgia

Sim, ainda é o nariz antigo =)



Comecei a ficar nervosa duas semanas antes da data agendada para a cirurgia. Não que contemplasse a ideia de desistir (pelo contrário, tinha um enorme medo de que, por algum motivo que me fosse alheio - constipação minha, doença do médico, terremoto que destruísse o hospital, ou qualquer outra calamidade - a operação tivesse que ser adiada), mas acho que, à medida que a coisa se vai tornando mais real, é inevitável pensarmos que nos estamos a colocar numa posição de algum risco por motivos estéticos. Não senti um medo paralisante, mas foi o suficiente perceber que uma cirurgia é um caso sério e que não me sujeitaria a algo desta magnitude se só estivesse descontente com um pormenor. No meu caso, o meu nariz era algo que me incomodava diariamente, que sentia que não pertencia no meu rosto, e achei justificado o pequeno risco (presente em qualquer cirurgia) que correria e os subsequentes dias de recuperação em troca de algo que me permitiria olhar ao espelho e ver finalmentea imagem que via dentro da minha cabeça. 


Nos dias que antecederam a cirurgia, tive duas consultas: a primeira, com o médico anestesista e a segunda, na véspera, com o cirurgião. Ambas as consultas ajudaram a reduzir o pouco nervosismo que sentia, e acordei às 7h do dia marcado depois de uma noite bem dormida e confiante de que tudo decorreria tranquilamente. Até às 17h, o tempo voou: terminei de arrumar a minha mala, tomei banho com calma, cheguei ao hospital por volta das 10h, fiz o check-in e muito rapidamente levaram-me para o quarto, onde me deram a roupa que deveria vestir para a cirurgia e um comprimido para relaxar. Eram então 11h e a cirurgia estava marcada para as 12h25. Achei que faltava imenso tempo, mas pouco depois comecei a ficar com sono, adormeci e só acordei quando duas meninas da dietética me vieram visitar para personalizar a minha dieta para a estadia no hospital, visto ser vegetariana. Quando elas saíram, um enfermeiro e uma auxiliar levaram-me para o bloco operatório e uma outra enfermeira colocou-me o catéter na mão (era por essa via que seria administrada toda a medicação). A partir daí, tudo é uma confusão de rostos: como estava um bocado paranóica devido ao comprimido que havia tomado (e também porque sem lentes de contacto vejo muito mal) achava que me tinham levado para o bloco errado, pareceu-me ter ouvido a palavra "neurocirurgia" e achei que iria aparecer nas notícias por ter sido a pessoa que foi fazer uma rinoplastia e ficou sem parte do cérebro. Quando o médico anestesista chegou fiquei mais tranquila (afinal, tinha confiança total nele e no cirurgião) e deve ter começado a sedação porque não me lembro de nada durante algum tempo. 


Fui operada sob anestesia local e sedação, o que significa que estava consciente e a respirar naturalmente, mas num estado menos alerta e, obviamente, sem sentir qualquer dor. Portanto, quando acordei durante a cirurgia, não fiquei assustada. Vi o cirurgião e perguntei-lhe se já tinham começado, e fiquei feliz ao perceber que sim. Durante a cirurgia senti algum desconforto – a dada altura deixei de conseguir respirar pelo nariz e tive que começar a respirar pela boca, senti raspar o osso e o impacto das osteotomias. Ouvi conversas, parece-me ter ouvido música e alguém a cantarolar, vi que tiraram algumas fotografias ao nariz e ouvi-os trocar impressões sobre estar a sangrar mais do que o normal. No final o cirurgião introduziu um tampão em cada narina (que fez muita impressão), o anestesista levou-me para o recobro e disse-me que me tinha portado muito bem. Lembro-me de lhe dizer que não custou nada, e é verdade: o desconforto durante a cirurgia foi mínimo e certamente compensou pela ausência dos efeitos secundários mais comuns em caso de anestesia geral.


Não sei a que horas começou a cirurgia, nem quanto tempo estive no recobro, mas eram 17h quando cheguei ao quarto. Fiquei até às 19h ligada ao soro e depois deixaram-me finalmente levantar e vestir a minha roupa (claro que aproveitei para espreitar o nariz no espelho da casa de banho) e jantar. Foi a minha primeira refeição do dia, e apesar de não conseguir saborear bem os alimentos devido ao nariz bloqueado, soube-me maravilhosamente. Foi depois que a parte difícil começou: à medida em que ia passando o efeito da anestesia, a impossibilidade de respirar pelo nariz começou a incomodar-me cada vez mais. Sempre soube que o bloqueio nasal devido ao tamponamento seria desesperante, porque quando me constipo e fico congestionada fico extremamente incomodada e não descanso, nem durmo, enquanto não volto a respirar. Eram 3h quando consegui adormecer e fui acordando a cada hora, sempre que me esquecia de respirar pela boca. Numa das vezes em que acordei tive um momento de pânico por não conseguir respirar pelo nariz e a pressão que sentia devido ao tampão. Queria arrancar o tampão para poder respirar, e foi o único momento em que pensei “o que é que eu fui fazer?”. Nunca senti qualquer dor, náusea ou dor de cabeça, mas teria preferido tudo isso à sensação de nariz bloqueado. Durante uns trinta segundos, se me tivessem dado a opção de estar em casa a respirar bem com o nariz antigo em vez de congestionada com o novo, teria aceite. No entanto, acabei por conseguir acalmar-me e esperei a manhã seguinte, em que o tampão seria retirado. 


4 comentários

  1. Não sabia que tinhas feito uma cirurgia estética! Muito bem!

    TheNotSoGirlyGirl // Instagram // Facebook

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  2. Como em tudo na vida existem sempre prós e contras, o que interessa é que as coisas boas se sobrepõem às coisas más e no final vale a pena :) Beijinhos*

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  3. Acho que não ia gostar nada da sensação de raspanço da venta, mas, no fundo, o que importa é que tenha corrido tudo bem e que tenhas finalmente o nariz como querias ter. Espero que estejas bem agora =)

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  4. Olá! Não tenho lido muito o teu blogue, mas tenho acompanhado pelo instagram e fui seguindo por lá! Por acaso, sempre me questionei como se sentiam os doentes quando estavam acordados durante as cirurgias (vi várias de otorrino assim). Espero que o resultado seja aquele que queres
    Por onde anda a Sofia?

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