É possível gostar de animais e não ser vegetariano?





Há dias, recomendaram-me que respondesse a este post sobre vegetarianos, não-vegetarianos e o amor pelos animais. Abre com uma declaração de compatibilidade entre gostar de, e comer, animais, mas acaba por abordar temas que são comuns a discussões sobre este tema. Este post parte da leitura desse, sem ser uma resposta ponto por ponto. Antes de começar, impõe-se uma advertência: não tenho a pretensão de agradar a toda a gente através de um discurso zen-fofinho. Ninguém me ouvirá dizer que, ainda que não coma animais, não me incomoda que outros o façam. A minha posição é a de que comer animais é errado de um ponto de vista ético. Isto não é um ataque a quem os come, é uma defesa daqueles que não têm voz. E o facto de não respeitar a vossa escolha não invalida que vos respeite enquanto indivíduos e humanos. Amigos como antes, sim?


Começemos pela justificação mais singela, que é, de certa forma, a mais sincera: gostar de carne. OK, percebo perfeitamente. Se determinada prática nos é querida, socialmente aceite e enraizada pela força do hábito, para quê aboli-la do nosso quotidiano? Só que eu não conheço nenhum vegetariano que não gostasse de algum produto de origem animal. Eu fui grande admiradora de coisas tão ecléticas como cozido à portuguesa, sardinhas assadas no pão ou Grana Padano. Mas apreciar um sabor perde peso quando percebemos que os nossos apetites são uma futilidade quando do outro lado da balança está a vida de um ser senciente. O que para mim era uma refeição, para eles era o fim da existência. Quando comecei a minha transição para o vegetarianismo, mal conhecia a cozinha vegetariana. Nunca tinha ido a um restaurante específico, não sabia cozinhar nem se algum dia iria gostar. Mas isso não era relevante, porque eu sabia que não tinha o direito de dispor das vidas daqueles animais para agradar as minhas papilas gustativas e os meus hábitos enraizados. Saber que continuaria saudável bastava-me (uma dieta vegetariana adequada é considerada saudável em todas as fases da vida. Ver, por exemplo, aqui e aqui). Mudamos porque é o nosso dever ético, não por não gostarmos dos sabores com que crescemos. 



Comer carne não é o problema. Precisamos apenas de reduzir a quantidade e alterar os métodos de produção. Quando dizemos que comer carne não é errado de um ponto de vista ético, estamos a dizer que podemos justificar eticamente o abate de um animal não-humano saudável sem que exista uma necessidade real para tal (e, se estão a ler este texto na parte ocidental do globo, é pouco provável que tenham uma necessidade real de matar um bovino, um suíno ou outro animal cujo consumo é socialmente aceite). É dar o nosso cunho de aceitação a que se mate alguém (alguém, não algo) que sente dor, medo e stress. Eu acho que qualquer mudança é positiva. Se reduzirem o vosso consumo de carne para duas vezes por semana, já estão a fazer alguma coisa, no mínimo, pelo planeta e pela vossa saúde. Mas esta posição perpetua a visão dos animais não-humanos como bens que estão à nossa disposição ao invés de indivíduos com o direito básico à vida. Quando afirmamos que basta reduzir o consumo e criar melhores condições para os animais da pecuária, estamos a dizer que é correto matar alguém que não quer morrer. 


Os animais carnívoros também matam para comer e isso não é imoral.  Certo. Do mesmo modo, também não é imoral quando um leão mata as crias de machos rivais, mas isso não não significa que um macho humano possa andar por aí a matar as crias de outros homens. O que quero dizer com isto é que há uma tendência para usar o argumento da natureza conforme mais nos convém. Defendemos que podemos comer animais porque também somos animais, ao mesmo tempo que atribuímos um valor inigualável à espécie humana porque somos diferentes dos outros animais. Ora, a espécie humana só existe como tal por ser um híbrido de natureza e cultura. É impossível regermo-nos pelos padrões dos animais não-humanos, e estou certa de que a maioria das pessoas que justifica comer animais porque "é a natureza" não quereria ver a mesma lógica aplicada a outros assuntos. 


Uma dieta vegetariana é mais dispendiosa. A resposta concisa é "não". Talvez fiquem com uma ideia mais clara que disser que gasto entre quinze a vinte euros no supermercado numa semana normal. Às vezes gasto mais porque quero (assim como um omnívoro pode comprar um bife mais barato ou outro muito mais caro), e é engraçado notar que a que minha dieta é mais saudável quando gasto menos, porque significa que como menos alimentos processados, que são aqueles que elevam o custo de uma dieta vegetariana. 


As plantas também são seres vivos. Esta é uma justificação que traz implícita a ideia de que matar, por exemplo, um bovino, equivale a arrancar uma alface do solo. Mas reparem que, se consideram que a vida humana tem mais valor que a vida de um bovino, daí decorre, numa ordem de pensamentos lógica, que devem considerar a que a vida de um bovino tem mais valor que a de uma alface. Se vêem a atribuição do valor da vida como um continuum, é certo que algumas das características que encontram num humano e que tornam a sua vida superior à de um bovino se encontrarão de forma mais expressiva num bovino que numa alface. Se, ainda assim, quiserem colocar as plantas no mesmo patamar que os animais não-humanos tradicionalmente usados na pecuária, reparem que, para que que vocês comam a vossa carne, os animais tiveram que comer plantas, e em maior quantidade que aquelas que vocês comeriam. Assim, se estiverem realmente preocupados com os níveis de senciência das plantas, o passo lógico é comê-las e não aos animais que as comem, eliminando, assim, um elo da cadeia do sofrimento. 


Tens que respeitar a minha escolha de comer animais. Este argumento assenta no pressuposto de que a vida humana é tão superior à vida de um animal não-humano ao ponto de os animais não terem o direito de não serem mortos, enquanto que os humanos que os matam têm o direito a nem sequer ser confrontados com as consequências das suas escolhas. Quando um vegetariano afirma que comer animais é desrespeitar os mesmos, estamos a falar de tirar vidas. Quando alguém que come animais se queixa que um vegetariano não respeita a sua escolha, está em causa o questionar da validade de uma conduta. É só isso, a vossa vida não está, de forma alguma, ameaçada. Queiram desculpar-me se estou mais preocupada com ser uma voz para aqueles que não têm voz que em ferir a vossa sensibilidade. Dito isto, parece-me evidente que o ataque pessoal não é uma forma eficaz de ativismo. Mas afirmar que é impossível respeitar uma escolha que tira vidas não é um ataque - é um ato de respeito para com as vítimas.


Comer carne não faz de mim melhor pessoa, seres vegetarian@ não faz de ti melhor pessoa. Concordo até certo ponto. O conceito de "boa pessoa" é algo muito lato e certamente que todos fazermos coisas certas e erradas, pelo que é difícil avaliar quem é "melhor" ou "pior" com base num único comportamento. No entanto, se considero eticamente reprovável comer animais, daí decorre que se a pessoa X deixa de comer animais, todos os seus outros comportamentos se mantendo, a pessoa X é melhor pessoa que anteriormente. Isto é, acho que qualquer pessoa que deixe de comer animais se torna melhor face a uma versão de si própria que os coma. 


No final, estes argumentos só são possíveis porque quem os faz parte do pressuposto enraizado da intocabilidade da vida humana versus o estatuto contestável da vida não humana. Só que a ideia do caráter único da vida humana só é justificável se acharmos que existe um Deus que nos criou à sua imagem. Porque, na verdade, entre as características (mais ou menos arbitrárias) que usamos para definir o valor da vida, existem poucas que todos os seres humanos possuam e, aquelas que são comuns a todos, são também partilhadas com animais não-humanos. Não fui eu quem descobriu isto, foi Peter Singer. Notem também que os argumentos acima expostos e que procuram justificar o ato de comer animais parecem ser apenas válidos para alguns animais - os animais explorados pela atividade pecuária. Dificilmente alguém dirá que respeita a vossa escolha de não bater no vosso cão, mas que espera que respeitem a sua escolha de maltratar o seu. Se é possível gostar de animais e não ser vegetariano? Talvez, dependendo do significado que atribuirmos a este gostar, e de que animais estejamos a falar. Muitas vezes dá-se o caso de que as pessoas que afirmam gostar de animais gostam, na verdade, de cães, gatos, e do leque de espécies que compõem a megafauna carismática. E parece-me à partida muito redutor falarmos em animais como se estes formassem uma entidade unificada, quando as espécies existentes são contabilizadas em milhões - neste sentido, a terminologia humano/animal serve para perpetuar a dicotomia nós/eles, fortalecendo conceptualmente a "nossa" superioridade sobre milhões de espécies. É muito fácil dizer que gostamos de animais quando os vemos como um construto ao invés de os encararmos como indivíduos, portanto acredito realmente que alguém possa sentir que gosta de animais, assim conceptualizados ao nível da abstração. Infelizmente, aos animais explorados pela pecuária, de pouco serve este gostar. Uma coisa é certa: enquanto eles continuarem a morrer em vão, haverá quem fale por eles.

49 comentários

  1. "Mas apreciar um sabor perde peso quando percebemos que os nossos apetites são uma futilidade quando do outro lado da balança está a vida de um ser senciente. O que para mim era uma refeição, para eles era o fim da existência. "
    TÃO, MAS TÃO BEM DITO.
    O que deixa de pé atrás neste tipo de posts é que geralmente começam com ataques, sobre os vegetarianos pensarem ser melhores que os outros. Isto, por si só, mostra que os omnívoros não estão bem. Porque nenhum vegetariano se sente superior a ninguém - e é essa a razão pela qual são vegetarianos.
    Li num dos comentários desse post uma pergunta muito pertinente. Então se gostas assim tanto de animais e gostas de os comer também, pdoemos presumir que comerias o teu cão, gato, piriquita, wtv. Aposto que a maioria dos omnívoros com animais de estimação gritaria logo que não na sua cabeça. Então, qual é a diferença? A diferença é que somos hipócritas. Contra mim falo, obviamente, porque antes de seguir uma dieta vegan comi carne e tinha animais de estimação que amava. Mas posso jurar a pés juntos que nunca gostei tanto de animais como agora.
    Portanto, para mim, é imossível gostar de animais no verdadeiro sentido da palavra e participar numa indústria que ajuda a que as vacas fiquem separadas dos filhos, sejam usadas dias e dias para a produção de leite. uma indústria que mantém porcas sem se conseguirem mexer. Uma indústria em que o mau-estar animal é motivado pelo dinheiro e pela ambição sem escrúpulos.
    Somos animais. Racionais. Temos alternativas para ter uma dieta saudável, sem falta de nutrientes sem que para isso o coração de alguém tenha de parar de bater. Só não vê isto quem não quer.

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    1. Concordo, tambémm acho um bocado impossível dizer que gostamos de animais e ainda assim os comemos. A não ser que as pessoas reduzam e digam "gosto de cães, gatos, piriquitos". Aí já se torna mais compreensível.

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  2. Eu comecei a ler, ia desistindo logo no primeiro paragrafo onde a rapariga disse que os vegetarianos não eram hippes que toda a gente pensa que são (wtf?) e depois no fim algo sobre uma guerra dos vegetarianos contra os omnivoros e verem o vegetarianismo como religião. Nem me dei ao trabalho de comentar. Demonstra muita falta de conhecimento sobre os vegetarianos. Talvez só tenha conhecido os vegetarianos da moda, nao sei.
    Sobre o teu post, palmas, como sempre. Falas sempre com eloquência, sem ofender ninguém e defendendo os animais no ponto. Parabéns!

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    1. Se tu tivesses lido o post até ao fim, tinhas percebido que o objetivo deste não era atacar os vegetarianos, mas sim partilhar a minha perspetiva pessoal sobre o assunto. Além disso, não ler até ao fim mostra que não sabes aceitar que os outros pensem de maneira diferente de ti.
      Eu não pretendo perpetuar a guerra entre os omnivoros e os vegetarianos. O meu objetivo foi mostrar uma perspetiva diferente que nunca ninguém viu, porque os omnivoros têm todos medo de falar por causa de comentários como o teu.
      Para tua informação, eu tenho muitos amigos vegetarianos e que, ao contrário de ti, são mais respeitadores e mais tolerantes. E não podes afirmar que se eu demonstrei falta de conhecimento ou não porque tu nem leste o post até ao fim.

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    2. Eu nunca disse que não li até ao fim. Disse que ia desistindo. É bem diferente. Comentei o início e comentei o fim. Tu é que não leste ate ao fim.
      Nada, mas nada a ver. Não sei como pressupões coisa sobre mim baseado num comentário que leste mal. Eu falei dos hippies, que nem o porque de teres dito isso (e se vires bem não fui a única) e falei de dizeres que o vegetarianismo é uma religião. Além disso disse que nem comentei. Comentei aqui estes dois aspectos que são os mais errados possíveis e sim, demonstra falta de conhecimento porque vegetariano não é uma religião.
      Não te ofendi de alguma forma mas tu foste bastante bruta, só porque não gostaste de ler que eu ia desistindo... Parabéns por isso.

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    3. Não vejo aqui intolerância nenhuma. Desculpa, Cherry, so mesmo a tua. Tem mais calma e lê as coisas com cuidado. Caíste no erro de falar de uma forma que não devias.

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    4. Cherry, esse julgamento era escusado só porque alguém não gostou do teu post.
      Não li que ela/ele não leu o teu post inteiro. Mas sim, eu concordo. Aquela frase sobre os hippies era muito escusada. Mas isto sou eu...

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    5. Anónimo das 19h22, peço desculpa então pela falta de interpretação. Deu-me a entender que só tinhas lido no inicio, percebi mal.Contudo, não posso deixar de ficar ofendida quando me dizes que só conheço os vegetarianos da moda, quando tenho muitos amigos meus vegetarianos, que aliás leram a minha publicação e compreenderam o meu ponto de vista sem partir para insultos. Desculpa se pareci bruta, mas não gostei do facto de dizeres que eu não estou bem informada, quando tentei escrever com coerencia e respeito, sabendo o impacto que a publicação iria causar. Mas realmente não agi corretamemte, pareci mais bruta do que aquilo que queria, quando na verdade so te queria chamar a atenção para isto.
      Anonimo das 19h42, nao pretendia que a frase dos hippies fosse interpretada dessa forma. Era só para retratar a forma exagerada e satirica como algumas pessoas vêem os vegetarianos, que eu também não apoio.

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    6. Peço desculpa, mas foi o que retirei do teu texto. Que não estavas bem informada sobre o que é o vegetarianismo/veganismo. E isto não é nenhum insulto, por isso não precisas ficar ofendida. É normal, infelizmente, porque desinformação é o que não falta, omnívoros que nao estão bem com as nossas escolhas alimentares também - como se tivessem algo a ver com isso. Não retiro o que disse, porque é mesmo aquilo que passa para mim. Da mesma forma que já conheci nutrionistas que apoiam, já conheci nutricionistas que dizem que vamos morrer. A desinformação é lixada e, regra geral, só quando ingressamos no mundo que queremos conhecer é que sabemos tudo a 100% - ou perto.
      Além disso, eu não te insultei. Se passo a vida a ouvir comentários idiotas sobre as minha alimentação sem insultar ninguém, (tipo "vais morrer na mesma!") não iria certamente insultar alguém que não conheço.
      Há vegetarianos da moda, sim, que tornam a desinformação ainda mais crítica. Os "vegetarianos" que comem peixe, por exemplo. Um sem numero de pessoas que pretendem ficar bem no instagram sem grandes razões para mudarem de alimentação, porque não precisas de querer, apenas, o bem-estar animal para te tornares veg. Podem existir razões de saúde, como bem deves saber. No entanto, o número de pessoas que muda porque é moda, é assustador. E não me interpretes mal, eu gosto e quero que as pessoas mudem. O problema de mudarem sem saber bem porquê é, precisamente, a desinformação que criam e ajudam a perpetuar. E, mal a moda passe, esquecem-se das escolhas que fizeram antes (espero que não).
      Não se trata de compreender o ponto de vista, ou até de respeitar. Tens todo o direito em exprimir a tua opinião. Mas tal como eu posso não concordar com o que dizes, tu também não precisas de concordar comigo. E sim, continuo a achar que é mais um post de um omnívoro que usa os mesmos argumentos de toda a gente ("os leoes também matam, ahaha e esta hein"), que não tem mais informação importante do que tantos outros. Porque dizer que "não é preciso parar de comer carne, é preciso reduzir" é perpetuar crueldade. E isso é desinformação. Porque pensar que "os leões também matam" é contraditório. Porque se nós matamos porque eles matam, deviamos andar de garras e dentes, não com crueldade. Ou bem que somos racionais ou bem que somos animais. E eu acho que somos racionais, há alternativas e não se justificam mortes para que possamos comer.
      Valorizamos mais a vida animal do que a qualidade de vida, isto está tão errado que até me doeu. Se conheces vegetarianos sabem que a qualidade de vida melhorou depois de alterarem a alimentação. Não conheço um único que tenha piorado - se necessário têm de ser acompanhados, mas you get the point.
      "As plantas também são seres vivos" eh pá, poupem-me. Umé um ser senciente o outro não. Estás a entender? os omnivoros são contraditórios, e adoram arranjar argumentos parvos, na realidade, para nos mostrar o quão errados estamos.
      Daí eu ter dito o que disse. Continuo a achar que há desinformação no teu post, mas naõ tens de concordar comigo. E pronto, não comentei no teu post o que achei, mas comentei aqui. Afinal li até ao fim ;)

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  3. Olha, pronto, haja equilíbrio. Não sou vegetariana e, sim, trago comigo uma certa culpa por isso, embora defenda que com a produção correcta, poderíamos garantir dignidade a todos os seres vivos - e vejo uma certa superioridade na vida humana, confesso. Construção social? Provavelmente. Certamente. Ainda assim, acho que faz sentido. Mas isso não invalida que perceba os teus argumentos e que concorde com grande parte deles, particularmente no impacto no que toca ao ambiente e à qualidade de vida dos animais.

    Em todo o caso, acho que esta é uma abordagem assertiva ao assunto, e sem agressividade - e acho que esta "luta" vegetarianos vs omnívoros se cinge a isso: se não houvesse agressividade de parte a parte, e em vez disso se recorresse a argumentação com pés e cabeça, provavelmente até já havia mais vegetarianos no mundo e não havia tanta necessidade de ninguém provar que é melhor do que ninguém. Mas enfim. Bicho homem, coisa estranha.

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  4. A pergunta do título prendeu-me logo a este post e pus-me a pensar na resposta. Gostei mesmo da tua maneira de ver as coisas e de todas as justificações. Incluindo a resposta que deste à pergunta. Ponho-me muitas vezes a pensar neste assunto, porque é algo que me diz muito, por isso deixo aqui o meu contributo.

    Não sou vegetariana, mas tenho uma grande empatia por TODOS os animais. Tanto que sou incapaz de comer pato, coelho, leitão, cabrito — até me custa estar na mesma mesa que alguém que coma estas carnes (não é só porque sim, custa-me mesmo fisicamente, chego a ficar mal disposta). Hoje em dia praticamente só como peixe, frango e perú. Mas adorava ser vegetariana, vegan até, tenho todas as razões, toda a motivação, mas falta-me algo muito importante: gostar de vegetais e comida vegetariana no geral. Sou muito (mais que muito!) esquisita a comer, desde que nasci. É algo que não consigo facilmente mudar, porque já tentei comer de tudo e chego a ficar com vontade de vomitar. Por outro lado, o tempo passa e custa-me cada vez mais comer animais. Não sei como dar a volta a isto e admiro de verdade todas as pessoas vegetarianas e vegan pela força de vontade e pelo passo que dão todos os dias para mudar o mundo.

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    1. O teu paladar muda. Eu também não gostava de bróculos, ervilhas, beterraba e tantos outros legumes. À medida que vais comendo mais vegetais que gostes e menos produtos animais o teu paladar vai alterando. Tanto que eu antes adorava frango de churrasco e hoje, se passar numa churrasqueira, só me apetece vomitar porque não me cheira bem.
      Eu fiz um processo gradual porque sempre tive problemas de ferro e foi uma das melhores decisões que tomei. Aposto que aos poucos também consegues! :) Força!!!

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    2. Entre os meus dias...
      Eu ate ha uns meses atras teria escrito praticamente o mesmo que escreveste. Tenho 40 anos e ha muito que tinha a luta de adorar animais e saber o que sofrem mas ainda comer alguns ( os mesmos qur tu ) sempre ouvi dizerem-me que era esquisita com a comida...e ha coisas que detesto e sempre detestei...mas na verdade ha muita coisa que gosto e aprendi a gostar.
      Parece mais dificil do que é 😊
      Onde sinto mais dificuldade é em comer fora em certas situaçoes e nos cafes...mas vou tentando fazer o que posso e consigo. Em casa ja nao entra nada de origem animal.
      Podes fazer uma transiçao ao teu proprio ritmo nao tem que ser de num dia para o outro, mas tenta...vai reduzindo e vai descobrindo coisas novas, ha muita informaçao em grupos de facebook, blogs, instagram, youtube, etc...vai-te informando e introduzindo refeiçoes novas...vais conseguir 😉

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  5. Palmas, Nádia!
    Que os vegetarianos ou vegans continuem a ter voz por meio de palavras como as tuas.
    Quanto ao outro post, estou com uma anterior comentadora deste post: quando a rapariga disse que toda a gente pensa que os vegetarianos são hippies (?!?!) - suponho que eu deva ser um case study, uma beta-vegetariana - também já só continuei a ler o post dela na diagonal!...
    De qualquer modo, posso dizer que a ideia daquele post tem a ver com a questão (que abordaste) de se falar em “animais” para significar “animais domésticos”. Ou seja, essas pessoas nunca comeriam cães ou gatos e, por outro lado, nunca amariam uma vaca ou um porco (a menos que fosse um mini pig - que fica lindamente em fotografias de instagram) ou uma galinha. A questão é: isso NÃO é “adorar animais”, é “adorar cães e gatos”, quanto muito.
    Enfim.
    Obrigada pelo teu blog. Acima de tudo, por dares voz aos que a não têm. Mas não só. Por concomitantemente gostares de roupas e de coisas igualmente mundanas (e pouco hippies!). Por escreveres tão bem (grammar nazi ftw). Por seres gira (agora ainda mais :)). Por seres inteligente. Por defenderes os teus ideais acérrima e diplomaticamente, ao mesmo tempo.
    Beijinhos.

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  6. Gostava de perguntar à autora, por exemplo, no verão quando aparecem mosquitos lá em casa, o que faz? Deixa que lhe mordam, mata-os diretamente ou intoxica-os com RAID?
    E já agora, quando há uma incursão de formigas a alguma peça de fruta mais madura? Deixa que se crie ali uma colónia? Porque claro que se pegar na fruta para deitar fora vai esmagar algumas formigas... Insetos também são animais, portanto ou se defende as coisas a 100% ou então não vale... Digo eu.

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    1. ...
      Já faltava um omnívoro que não foi ofendido de nenhuma forma ficar ofendido só porque vegetarianos existem.

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    2. Pessoalmente, não vejo necessidade de matar uma mosca ou uma aranha, estou fora dessa mentalidade de, se é animal, é para matar. No entanto, sugiro-lhe uma releitura do meu texto, particularmente o trecho em que afirmo considerar redutor falarmos em "animais" como se estes formassem uma entidade unificada, quando as espécies existentes são contabilizadas em milhões. Não lhe parece estranho que exista conceptualmente um divisão entre humanos (um espécie) e animais (milhões de espécies), o que dá azo a comentários como o seu, que colocam os humanos fora da equação e colocam todos os animais não humanos no mesmo patamar? É que, se acha que os humanos são superiores porque têm um conjunto de características que os distingue, é apenas lógico achar que alguns animais não-humanos partilham em maior medida dessas características que outros.

      Eu não mato, literalmente, uma mosca, mas consigo vislumbrar a diferença entre uma mosca e um bovino. O anónimo encontra mais similaridades entre uma mosca e um bovino que entre um bovino e um humano?

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    3. E já agora, o anónimo considera que só os vegetarianos têm a obrigação de "defender as coisas a 100%", como refere? Diria a uma pessoa omnívora que tem cães e gatos que, uma vez que provoca a morte de outros animais não-humanos, não deveria ter o direito de ter animais de estimação? Ou a uma pessoa que come carne duas vezes por semana que ou bem que não come nunca, ou esse esforço não serve para nada? Pensa realmente isto ou é apenas sobre os vegetarianos que recai a responsabilidade da coerência em todos os atos?

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    4. Insetos também são animais, portanto ou se defende as coisas a 100% ou então não vale..

      Até parece que os restantes seres humanos "defendem as coisas a 100%". Tipo "ai os sem-abrigo têm de ser ajudados" mas "ai, servir sopa aos pobres na noite de natal? Nem pensar!". Só um pequeno exemplo, até porque aposto que a sua coerência não existe em mjito destes assuntos.

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    5. Esses comentarios sao mera provocaçoes...ha maneiras de fazer por evitar e afastar os insectos e outros animais menos desejados em casa sem ter que os matar!

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    6. A sério que depois de um texto brilhante destes digno de se deitar o chapéu e bater palmas por largos minutos, é tudo o que tens a dizer? Existe um repelente chamado citronela que não deixa os mosquitos picarem te a pele sabias? Ah e se tens fruta madura e há formigas se calhar deverias cuidar melhor da tua fruta? Do género fazer um smoothie? É por causa de pessoas como tu que ainda por cima nem dão a cara escondendo.se atrás de um anónimo que o nosso planeta está neste estado, pessoas que só atacam outras, pessoas que não são capazes de ter uma atitude positiva perante a vida, pessoas que só conseguem pôr defeitos, pessoas com consciência pesada que tentam enaltecer o seu ego com perguntas ridículas. Ups não quis atacar ninguém mas saiu-me. Agradece antes à Nádia por teres dispendido uma hora da sua vida a escrever um texto cheio de argumentos válidos que nos fazem reflectir sobre os animais.

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    7. Como disse Luke Skywalker: "Amazing. Every word of what you just said was wrong".
      Primeiro: se tiveres cuidado os mosquitos não entram Nunca tive uma melga em casa, por exemplo. Segundo: há formas de os repelir sem os matar. Terceiro, e este é preocupante: como é que a tua cozinha é tão descurada de limpeza para aparecerem formigas?!?! É que mosquitos da fruta é "relativamente fácil", mas formigas?!?!
      Quarto: seguindo o teu pensamento os vegetarianos/vegans tinha de levitar para existirem. Mas não levitam, matam insectos com os pés, logo... Não podem ser vegetarianos.
      Muitos parabéns, nunca vi tanta eloquência junta.
      P.S.: Só para que não hajam mal entendidos, estou a ser irónica, claro. Já agora, sabes que há muita diferença em matar porque sim, como é o caso da indústria da carne/laticinios e matar uma formiga porque se pegou numa maçã estragada certo? Se não sabes, temo por ti.

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    8. O veganismo visa reduzir, na medida do possível e praticável, todas as formas de exploração e crueldade animal. Ora matar para nosso prazer e entretimento é completamente desnecessário. Sim, comer carne e derivados não é, na maior parte das vezes, uma necessidade no mundo ocidental. Come-se carne e derivados porque isso nos dá prazer.

      Isso não quer dizer que as pessoas que optam por deixar de financiar na medida do possível, industrias cruéis que lucram com a exploração e crueldade animal sejam uma panhonhas incapazes de se defender. Ora se alguém nos ataca, seja ele um insecto, um urso ou um pessoa, nós defendemo-nos obviamente!!!!! Ou acha que somos mártires sem amor pela própria vida? Isso não quer dizer que vamos andar a chacinar insectos, ursos ou pessoas no nosso dia a dia, só porque isso nos dá prazer.

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  8. Aos que argumentam que as plantas também são seres vivos, a resposta mais eficaz será aquela que lhes faz ver que estes seres não são sencientes, não possuem sistema nervoso e, por conseguinte, não sentem dor. Apesar de haver quem o faça, não é razoável comparar a vida de uma alface com a de uma vaca e chega até a roçar a desonestidade intelectual. Excelente post, Nádia. Parabéns.

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  9. Antes de mais, espero que não interpretes o meu comentário como uma afronta. Admiro-te imenso como blogger, acho que és sempre irreverente e inovadora, e escreveste um bom texto de argumentação, apesar de não eu não partilhar o mesmo ponto de vista que tu. Tal como já te tinha dito, acho muito interessante debatermos este tema, para conhecermos perspetivas diferentes. Só tenho pena que este tipo de posts dê sempre aso a comentários insultuosos ( como os que eu recebi e como os que tu já recebeste aqui de anónimos).
    Bem, já sabes qual é a minha opinião pelo que leste do meu post, pelo que não me vou repetir. Percebo a paixão e amor que tens pelos animais, e o motivo pelo qual te tornaste vegan. O meu único problema com a tua perspetiva é passar a mensagem de que, se não fizermos as coisas a 100%. Isto invalida os esforços de todas as pessoas que não são vegetarianas mas nutrem empatia e amor pelos animais. Porque, de certeza absoluta que a maior parte dos veterinários, ambientalistas e todas as pessoas que contribuem para a proteção das espécies não são vegetarianas. E gostam menos de animais por isso? Não. Além disso, se tu pensares bem, mesmo sendo vegan, mesmo usando produtos de maquilhagem que não testam em animais, mesmo não comprando peles nem nada que tenha vindo de animais, tu ainda assim estás a contribuir para a exploração de animais. Muitas pastas de dentes tem produtos de origem animal (glicelina), alguns sacos de plástico utilizam gordura animal para aumentar a elasticidade, pneus, ... São apenas alguns exemplos de uma lista assustadoramente longa. É triste, mas é a realidade.
    Não acho que dizer para reduzir a carne perpetue a visão de que o ser humano é superior aos animais e que, por conseguinte, não mude grande coisa. Muito pelo contrário, uma pessoa que sinta empatia por animais vai consumir menos carne/peixe possível. Eu, de momento, só como carnes brancas e peixe e, quando recuperar de um problema de saúde que tive e que agora me limita em termos de dieta, pretendo reduzir ainda mais.
    Respondendo ao parágrafo em que tu responde à questão se é possível gostar de animais e comê-los, sim, há muitas pessoas que consideram animais apenas o cão e o gato, mas existem muitas outras que falam em animais num nível muito mais abrangente.
    Admito que o meu post falhou numa parte: após o ter publicado muitos vegetarianos me mostraram como realmente uma dieta vegan pode ser barata. Eu tinha esta noção errada porque existem lojas vegan que vendem produtos caríssimos.
    Resumindo, eu acho que isto de " só podemos gostar de animais se formos vegans" um bocado radical. E, na minha opinião, este extremismo afasta as pessoas, faz com que menos pessoas adiram ao estilo de vida vegan e que continuem a consumir carne desenfreadamente porque " ah, já que ao comer carne não estou a fazer nada pelos animais, mais vale comer mais e viver à grande".
    Beiijinhos,
    Cherry
    Blog: Life of Cherry

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    1. Normalmente uma pessoa que segue um estilo de vida vegan sabe perfeitamente que não consegue eliminar totalmente a exploração e crueldade animal da sua vida. Mas isso não lhe serve de desculpa para não tentar fazer o melhor que consegue dentro do que é praticável.

      É essa a diferença entre uma pessoa que gosta de animais mas continua a financiar industrias que exploram esses mesmos animais de que tanto gosta, e a outra que opta por não fechar os olhos e tenta fazer o melhor que pode para reduzir o sofrimento e exploração de seres inocentes.

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    2. Ora essa, claro que não levo a mal :)

      Não consegui escrever tudo o que queria porque o texto tornar-se-ia demasiado longo, mas eu não sinto esse amor pelos animais. Como escrevi, acho um termo tão vasto que acaba por essencializar os sujeitos e reduzir algo que é tão plural a, neste caso, um conjunto de características fofinhas. Não me faz sentido dizer que adoro animais, tal como não digo que adoro humanos, crianças, pessoas ruivas ou com um metro e oitenta. E, no entanto, não como animais, porque considero éticamente errado. Disse explicitamente no post que, por exemplo, reduzir a quantidade de carne que se come é positivo. É bom para o planeta e para a saúde de quem o faz. O problema é que mantém a visão dos animais da pecuária como bens de consumo. Para mim, seria o equivalente a ter escravos e tratá-los um pouco melhor. Não é ético, e só conseguimos dizer que reduzir é bom, mas que matar não é errado, porque há uma dessenssibilização em relação aos animais explorados pela pecuária.

      É impossível eliminar totalmente a exploração das nossas vidas, mas isso não quer dizer que não devamos tentar o nosso melhor. Por exemplo, até ao ano passado não era eu que comprava os meus produtos de higiene e, como essas compras eram feitas no supermercado, não tinha forma de comprar champôs e desodorizantes cruelty-free e vegan-friendly. Faria sentido atirar a toalha ao chão e decidir que, se não podia viver totalmente sem exploração, mais valia comprar também um frango assado?

      E mesmo hoje não faço tudo certinho, longe disso. Mas teria exatamente a mesma opinião se comesse animais. Acho que um "problema" com que as pessoas que comem animais se deparam ao falar sobre este assunto é partirem para a discussão com um objetivo (o de justificar que não é errado comer animais) em vez de assumirem uma postura de abertura aos argumentos e, a partir daí, chegar a uma conclusão isenta. Há um interesse pessoal à mistura que torna o processo de pensamento um pouco viciado, e veterinários, ambientalistas e afins não são isentos a essa ratoeira mental.

      Há uns dois anos atravessei uma fase estranha de desconexão em que comi peixe duas ou três vezes. É claro que tentei justificar a mim própria que o que estava a fazer não é errado... não consegui. Todos os argumentos eram facilmente desmontáveis e os que sobraram foram: "porque me apetece" e "porque a lei me permite". Tenho a certeza que a maioria das pessoas que come carne concordaria com os princípios do veganismo caso essa posição não tivesse impacto nas suas vidas, porque a maioria das pessoas não gosta de magoar e matar animais. Falta só colocar as vidas desse tão martirizado conjunto de espécies à frente do nosso paladar e dos nossos hábitos.

      Beijinhos e obrigada pela troca de ideias saudável :)

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  10. "Além disso, se tu pensares bem, mesmo sendo vegan, mesmo usando produtos de maquilhagem que não testam em animais, mesmo não comprando peles nem nada que tenha vindo de animais, tu ainda assim estás a contribuir para a exploração de animais. Muitas pastas de dentes tem produtos de origem animal (glicelina), alguns sacos de plástico utilizam gordura animal para aumentar a elasticidade, pneus, ... São apenas alguns exemplos de uma lista assustadoramente longa. É triste, mas é a realidade."

    Desculpa, mas estou chcoada. Não podes assumir que a Nádia ou qualquer outro vegan usa algo proveniente de origem animal. Existem mil e uma coisas que infelizmente não são aptas para vegan, sim, mas hoje em dia existem alternativas para tudo. Detergentes de casa, lixivias, tudo. Felizmente já aparecem no nossa país bastantes opções. Para um vegetariano/vegan que queira uma vida sem exploração animal é das primeiras coisas que faz: uma pesquisa sobre o que pode mudar em casa, no corpo, etc! Tudo! Qualquer vegetariano sabe, logo à partida que todos os produtos que usa no corpo podem conter algo de origem animal ou serem testados em animais. Isso é logo das primeiras coisas a mudar (reforço, claro, para quem pretende viver sem participar nessa exploração). Sacos de plástico? Tens de pano. Basta uma pessoa informar-se que encontra logo informação. Agora, a marca dizer que é cruelty-free e não ser? Isso é outra questão.

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  11. Muitos, muitos parabéns Nádia. Falas muito bem, sem ofender ninguém e expondo argumentos excelentes. Fossem todos como tu.

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  12. Mais uma excelente reflexão! Como já te disse, fiz a transição para o vegetarianismo quando comecei a estudar e a praticar Reiki. um dos princípios do Reiki é 'sou amável e bondoso com todos os seres'...ora, a parte do TODOS OS SERES começou a ecoar na minha cabeça e então achei que estava na altura de mudar, por uma questão de coerência. E o certo é que comecei a gostar muito mais de comer e até de cozinhar a partir do momento em que deixei de comer carne. Claro que isso não significa que todas os mestres de Reiki ou terapeutas holísticos tenham de ser vegetarianos mas, para mim, faz sentido sê-lo.

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  13. Nádia consegues colocar por palavras argumentos que eu não consigo expor. Parabéns! :)

    Deixei de comer carne há três meses pela razão que tu expões tão bem aqui: "Mas apreciar um sabor perde peso quando percebemos que os nossos apetites são uma futilidade quando do outro lado da balança está a vida de um ser senciente. O que para mim era uma refeição, para eles era o fim da existência. " A diferença é que eu nunca fui assim grande fã de carne em geral. Pouca comia e de preferência que tivesse mesmo pouco sabor a carne, por isso, não tem sido grande sacrifício não comer um hamburguer. Só tenho pena de não ter tomado a decisão há mais tempo. Confesso que talvez por preguiça ou por ser mais fácil na hora de cozinhar ou jantar fora em encontrar pratos de origem animal não o fiz há mais tempo. A verdade é que depois de ter investigado sobre alguns detalhes e visto alguns documentários preferi mesmo cortar. E com isto tudo o meu namorado também já não come carne (embora por razões diferentes das minhas - para ele tem mais a ver com a industria e a não sustentabilidade da mesma) e inclusive amigos meus cortaram a carne também. Para mim o mais difícil está a ser largar os ovos e queijos. Ainda não consegui.
    É um tópico complicado, mas expondo os argumentos sem atacar ninguém e mostrar alternativas acaba por fazer sempre alguém pensar de uma forma menos superficial sobre o assunto. E as alternativas vegetarianas são de babar! :)

    The Black Blush

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    1. Experimenta os queijos da violife! eu precisei de 2 anos até ter "coragem" de tomar a decisão de deixar de consumir queijo, mas quando deixei não custou nada e não faz falta nenhuma no dia a dia.

      Contudo de vez em quando gosto de uma boa pizza ou de uma tosta decadente e aí... queijo da violife to the rescue! Não me parece que seja uma alternativa mt saudável (nem barata) para o dia a dia, por isso é algo que só como de vez em quando.

      Quando digo que o queijo não me faz falta, foi porque não o tentei substituir no meu dia a dia. Pelo contrário, abracei esta mudança como uma oportunidade para criar novos hábitos e experimentar novos sabores e texturas (dica: explora a cozinha internacional (médio oriente, indiana, etc) é uma boa fonte de inspiração!)

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  14. O que os vegans/vegetarianos não entendem é que é precisamente este vosso fanatismo que afasta as outras pessoas de evetualmente seguirem os vossos passos.
    Eu pessoalmente quando quero mostrar a alguém que há um caminho melhor tento-o a bem. Toooda a gente sabe os vossos argumentos. Não há cá novidades. São coerentes! Claro que são. E então? Então não chega para eu mudar hábitos de toda uma vida que além de tudo me dão prazer. Tento ser vegetariana 2 dias por semana. Posso vir a tentar ser mais mas com certeza não será lendo comentários como os acima.
    A historia dos insetos tem lógica... Como para mim também não serve apenas não comer carne mas comer peixe. Ou é ou não é. Sejamos humildes para perceber que fazemos na mesma distinções entre os outros animais não racionais... Temos pena da vaquinha mas não dá terrível mosca. À força nunca vão convencer ninguém de que é errado comer carne. E ainda bem... Se o mundo se tornasse todo vegetariano têm noção do caos? Correto? Empresas, paises tão ganadeiros e já tão pobres como brasil... A bolsa, toda uma serie de coisas que levaria o mundo à rutura. Sejamos coerentes. O mundo vai mudando, aos poucos... Talvez daqui a muuuuitos anos sejamos todos vegan mas ROMA E PAVIA NÃO SE FIZERAM NUM DIA. Stressem menos porque esse histerismo pode levar a acharmos que o organismo está com falta de alguma coisa...

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    1. lol realmente há histerismo e muito mais... nas suas palavras :|

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    2. Estive a uma unha negra de não aceitar este comentário. Só aceitei porque essas acusações de "fanatismo" e "histerismo" trazem aí muita culpa recalcada, e tendo a sentir compaixão quando vejo alguém a sofrer.

      Já agora, eu sou vegetariana estrita (isto é, não como carne, peixe, leite ou ovos), mas qual a lógica de dizer que tenta ser vegetariana duas vezes por semana, mas que aqueles que comem peixe e não comem carne já são incoerentes?

      A história dos insetos só tem lógica para quem não quer mexer uma palha. Eu não vejo necessidade de matar melgas nem moscas, não me incomodam nem ameaçam a minha vida, mas desparasito os meus gatos caso tenham pulgas. E? Já que não consigo viver sem matar pulgas, vou também ao supermercado comprar pedaços de animais mortos? Há aqui tanta falta de lógica, e sempre os mesmos argumentos, que me leva a crer que muitos não-vegetarianos como aqui a anónima colocam a si próprios uma barreira mental para não terem que ir mais longe que certo tipo de argumentos desgastados e bacocos. Eu teria vergonha de me limitar dessa forma.

      Não é "fanatismo" nenhum que afasta as pessoas. As pessoas são responsáveis pelos seus atos, os vegetarianos não têm o dever de convencer ninguém a não comer animais. Esse terá que ser um trabalho de cada pessoa. É muito desonesto admitir que come animais por prazer, mas depois são os vegetarianos que a afastam. Engraçado que nunca vi ninguém dizer que gostava muito de ser vegetariano mas que não é porque os vegetarianos foram maus para eles no recreio.

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    3. Não é o fanatismo que afasta pessoas, é a estupidez mesmo. É o terem um 2+2=4 bem à vossa frente e ainda assim quererem ver 2+2=5.
      Deus nos livre da estupidez alheia.

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    4. Parece mesmo uma situação daquelas pessoas que dizerem querer ir a X sítio e depois "OHHHH, que pena, entrou um pequenino grão de areia no meu sapato, já não posso ir, ohhhhh".
      Já agora, não é vegetariana 2 vezes por semana. Não se é vegetariana se come peixe. Ou é, ou não é. Onde é que eu li isto? Huuum, já sei, foi a anónima que disse 8D

      Ou é ou não é, minha cara. E duas vezes por semana não é vegetariana. Duas vezes por semana você, no máximo, come uma refeição sem animais mortos. Mas isso não é ser vegetariana.

      Mas já agora, nem sequer entendo como é que alguém que diz ser "vegetariana" duas vezes por semanas E QUEM SABE mais dias por semana tem um discurso de ódio destes. É que ainda por cima não vi fanatismo nenhum, em nenhum dos comentários/publicação. Só mesmo de quem não é vegetariano/vegan ;)

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  15. Nádia, honestamente, tu escreves tão bem, eu sei que devia comentar este post com algo relacionado ao assunto, mas, já lá vamos... tenho mesmo de reconhecer a tua eloquência e simplicidade estudada na escrita que nos transmite as tuas opiniões de forma tão clara, concisa e coerente. É incrível.

    Não sei se chegaste a ler o meu comentário no post da Cherry, porém, uma das primeiras coisas que lhe disse foi exactamente isso da dieta vegetariana não ser mais cara que a dieta mediterrânica, pelas mesmas razões que apontas. Maior parte das pessoas diz: «A secção onde os vegetarianos compram tem produtos caríssimos!» e eu acho alguma piada a estas afirmações, porque, como referiste, fica caro comprar produtos processados EM QUALQUER dieta, e estes não são propriamente necessários.

    Além disso, acho que é um erro muito comum afirmar que, por os outros animais matarem os mais «fracos» para sobreviverem, nos é concedida uma certa liberdade neste aspecto. Porém, isto faz a minha barriga torcer-se. Não podemos comparar a vida selvagem e a luta pela sobrevivência às condições em que nós humanos vivemos.

    Por fim, e não me querendo alongar muito, penso que a Cherry tinha boas intenções com a publicação dela e não esperava ser interpretada nalguns aspectos como foi. De qualquer forma, a pergunta final - É possível gostar de animais e não ser vegetariana? - ainda me deixa meia reticente. Até acho que seja possível... e refiro-me a todos os animais - mesmo às cobras, às aranhas, aos cavalos e aos falcões, aleatoriedade no máximo! -.
    Aliás, eu acho que a mudança sustentável e ética pode começar por passos mais pequenos, como referes, tento fazer a minha parte, principalmente, porque me começa a pesar a consciência.

    Admito que depois de ler um e outro post ainda estou mais confusa, mais esclarecida e com mais informação, o que pode parecer uma contradição, mas, interiormente, faz todo o sentido.
    Obrigada por escreveres sobre este assunto!
    Beijinhos,
    Joaninha.

    P.S. - Um dia podias falar sobre zoo's, oceanários e parques, como o Badoka Park. Adorava ler a tua opinião sobre isso, embora pense já saber onde se encaixa.

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  16. Melhor resposta ao outro post era impossível!! Conseguiste transmitir o que todos os vegetarianos/vegans querem dizer mas, às vezes, não conseguem ou não querem para não causar mais problemas e discussões!! Não podia concordar mais contigo. Infelizmente este tema ainda causo muito conflito e as pessoas levam as nossas palavras e argumentos como uma critica ou ofensa o que , na maioria das vezes, não são!!!
    As vezes, tento dar o meu ponto de vista para este assunto mas nunca consigo transmitir a mensagem se que as pessoas me levem a mal!!
    Sou vegan mas não é só por isso que tenho de concordar com o teu texto todo, mas também porque sou humana! (E isto não é nenhuma "boca" para os meat-eaters!)

    Acho, realmente, que devias falar mais sobre este tema pois as pessoas precisam de perceber o (nosso) lado dos animais.

    Beijinhos!!
    Black Rainbow / Instagram

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  17. Não tem absolutamente nada a ver com o assunto do post, mas a página sobre do blog está por preencher. Adoro ler essas páginas :)

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  18. São dois conceitos diferentes: ética e bem-estar e acho que acabam por estar um pouco confundidos quando falamos destes temas. Será ético matar um animal para consumo humano? Será ético explorar um animal (para leite, queijo, lã) para consumo humano? Sinceramente, não sou vegan, tenho uma alimentação maioritariamente vegetariana e questiono-me muito sobre isto e ainda não cheguei a uma conclusão para mim. Mas a ética é muito pessoal e há n correntes éticas que defendem que sim, ou que não, ou que sim com limites. Acho a questão do bem-estar mais importante porque é inviável pensar que, a curto ou médio prazo, vamos viver num mundo onde não há consumo de animais ou dos seus produtos. Até porque, nesse mundo, esses animais não existem. Se não houver exploração de vacas, cabras, ovelhas, vai deixar de haver cabras, vacas, ovelhas… O mundo rege-se pelo consumismo/capitalismo. Acho mais urgente, mais prioritário, considerar e melhorar o bem-estar dos animais (instalações maiores e melhores, informar os consumidores do que devem consumir…) e minimizar ao mínimo o sofrimento E sim, é possível um animal de produção viver feliz e contente no pasto a vida toda e ter uma morte sem qualquer sofrimento. E sim, acho que é possível não ser vegan/vegetariano e gostar de animais.

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    1. Não acho que a ética seja muito pessoal. É aceitável, de um ponto de vista ético, que um homem bata na esposa? E ter escravos, é ético? As lutas de cães? O problema é que estamos tão dessenssibilizados, enquanto sociedade, para a empatia em relação a um conjunto de espécies (aquelas exploradas pela pecuária) que tentamos justificar o que fazemos com argumentos que não aplicaríamos a outros casos de exploração. A diferença é que este é um tipo de violência (e não há uma forma não violenta de matar alguém que não quer morrer, mesmo que tenha tido a melhor vida do mundo) que é permitida por lei e reproduzida social e culturalmente.

      Quanto à questão da extinção dessas espécies caso toda a gente se torne vegetariana, não me parece ético que animais individuais (porque cada animal é um indivíduo, não uma abstração nem um conceito) sejam explorados para manter uma espécie. Não é verdade que as espécies se extinguiriam porque provavelmente existiriam santuários/reservas naturais, mas entre a extinção e a existência para vidas de exploração, a extinção seria certamente o caminho mais ético.

      É possível não ser vegetariano e gostar de cães, gatos, outros animais fofinhos... ou então nunca ter pensado nestas questões ou visto que há alternativa. Mas quem considera que o seu paladar vale mais que uma vida, "gosta" desses animais como um homem "gosta" da mulher que espanca.

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  19. Nádia, respeito perfeitamente que consideres que não é ético. Tal como expliquei, já me debrucei muito sobre o assunto e ainda não encontrei a melhor resposta para mim. O que quero dizer é que há muitas correntes éticas em relação aos animais e eu concordo com alguns pontos de umas e outros de outras. Quando tiveres um tempinho sugiro que faças o questionário deste site: http://www.aedilemma.net
    É muito bom, tem questões sobre ética relacionada com os animais e, no final, explica a corrente com que mais te identificas.
    Não concordo muito com "A diferença é que este é um tipo de violência (e não há uma forma não violenta de matar alguém que não quer morrer, mesmo que tenha tido a melhor vida do mundo) que é permitida por lei e reproduzida social e culturalmente." Porque os animais não têm noção de que vão morrer, ou de que a vida deles durou menos tempo do que seria natural porque foram mortos para consumo humano. Não têm qualquer percepção disso. Só nós é que temos. De qualquer forma, acredito que chegaremos a um ponto em que a sociedade verá como não ético o consumo de animais. A questão é que isso é uma perspetiva a longo prazo e a curto/médio prazo acho mais importante considerar as questões de bem-estar e de dar a melhor vida possível a estes animais que vão continuar a ser explorados nas próximas décadas.

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    1. Claro que é importante pensar nas questões de bem-estar enquanto os animais continuarem a ser mortos. No entanto, isso não significa que adotemos uma postura bem-estarista em detrimento de uma postura que reconhece que é éticamente errado comer animais. Que se trabalhe para que as condições sejam melhores enquanto acontece, sem se perder de vista o objetivo de fazer com que deixe de acontecer. Não que ache que a espécie humana vá, algum dia, deixar de comer animais - devido ao nosso ego, húbris e ignorância geral, penso que nos extinguiremos antes que isso aconteça.

      Quanto ao não saberem que vão ser mortos, isso não é verdade. Qualquer relato de alguém que tenha trabalhado num matadouro diz claramente que aqueles animais sabem o que lhes vai acontecer. O que os animais não-humanos não têm é a capacidade de pensar sobre a própria morte, isto é, pensar que vão morrer um dia. Mas um bebé de um ano também não tem essa capacidade e isso não vês ninguém a dizer que está certo matar bebés de um ano, certo?

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  20. "Qualquer relato de alguém que tenha trabalhado num matadouro diz claramente que aqueles animais sabem o que lhes vai acontecer." Não concordo minimamente, que sintam stress/medo pela situação em si concordo, mas que saibam o que lhes vai acontecer não.

    "Que se trabalhe para que as condições sejam melhores enquanto acontece, sem se perder de vista o objetivo de fazer com que deixe de acontecer. Não que ache que a espécie humana vá, algum dia, deixar de comer animais - devido ao nosso ego, húbris e ignorância geral, penso que nos extinguiremos antes que isso aconteça." Concordo com a primeira parte mas não com a segunda, acho que estamos num bom caminho (lento, muito lento) para que as perspectivas éticas mudem e, embora como já disse eu não seja vegetariana/vegan, espero no futuro que o mundo (e eu própria) evoluam nesse sentido.

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  21. I'm still comfortable, despite all the noise... So, your noise isn't working.

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  22. Parabéns pelo teu texto. Simplesmente fenomenal.

    Segui o teu blogue,

    Beijinho!

    https://anaritaferreira83.blogspot.pt/

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