Aos unicórnios

Se é verdade que há, atualmente, uma forte corrente que nos encoraja a celebrar aquilo que nos torna únicos, não é menos verdade que todos já encarámos a necessidade de escolher entre conformar ou desafiar padrões. Até o atual exaltar do que é único em cada um de nós vai apenas até certo ponto: persiste uma enorme pressão para a uniformização, empurrando-nos para um molde que dita a forma correta de sentir e de nos relacionarmos com os outros. Eu nunca fui igual. Fui sempre diferente. E, curiosamente, camuflar a minha identidade para encaixar num padrão nunca foi uma opção que considerasse válida: aos 15, aos 18 ou aos 20, eu já sabia que, entre preservar o que me torna especial e esforçar-me para corresponder às expectativas, escolheria mil vezes a primeira. 


Infelizmente, e a menos que tenhamos muita sorte, isto implica fazermos parte do caminho sozinhos. Implica sermos, sempre, os nossos maiores defensores, porque os outros não nos defenderão - lembrem-se, a sociedade não fornece as ferramentas para lidar com e apreciar a singularidade. Envolve um considerável esforço mental para não deixarmos que os julgamentos que fazem sobre nós maculem quem nós sabemos ser - mas, se gostarmos de nós, o esforço é bem menor. Uma das coisas mais importantes que aprendi foi que as pessoas, regra geral, julgam-nos pela sua bitola, assumindo que a nossa motivação numa determinada situação seria equiparável à sua própria forma de reagir numa situação semelhante. Assim, se me cruzo com um conhecido na rua e não lhe aceno, preferindo, quem sabe, fingir que não o vi, é provável que essa pessoa me passe o veredito de antipática, porque essa seria a única razão para ela própria ter semelhante atitude. Na verdade, talvez eu tenha fingido que não a vi porque me estou a sentir particularmente tímida nesse dia. Percebem onde quero chegar? Há muita verdade na afirmação de que cada pessoa é um mundo, e podemos descobrir coisas fantásticas se estivermos abertos a tal. 



Sermos nós próprios é o nosso superpoder. É lamechas, mas uma enorme verdade. Somos o único "nós" no mundo, por que haveríamos de querer transformar-nos num "eles" descaracterizado?

5 comentários

  1. Falou e disse :) acho que fui aprendendo e aceitando isso à medida que cresci, fazendo as minhas cedências aqui e ali. E se quando era miúda me custou horrores sentir-me diferente (ainda assim insistindo), hoje já sei ver o lado bom disso: é o que me permite ser e fazer aquilo que realmente quero. É óbvio que me conformo com algumas coisas, não seria verdade dizer o contrário, mas também bato o pé quando é necessário. Mas sempre com algo em mente: é normal que alguém nos julgue sob aquilo que é a sua perspectiva. Eu própria o faço: o importante é deixar espaço para a versão do outro e respeitá-la. Cada um sabe de si, e assim é que tem que ser!

    Jiji

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  2. Percebo bem onde queres chegar.

    Concordo e sinto igualmente tudo o que disseste!

    Beijinhos.

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  3. Que mensagem tão fixe! Eu sei hoje aos 29 anos o que me distingue dos outros, mas confesso que custou a descobrir :D
    Beijinhooo
    Ritissima Blog

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  4. "(...) camuflar a minha identidade para encaixar num padrão nunca foi uma opção que considerasse válida (...) entre preservar o que me torna especial e esforçar-me para corresponder às expectativas, escolheria mil vezes a primeira."
    Não tenho muito a acrescentar a tudo que escreveste, acredito que isto é mesmo a melhor forma de vermos e vivermos a vida, sendo nós, verdadeiramente nós. Há dias em que acho que não me encaixo no meio de tudo que é "normal", mas fui aprendendo que isso não tem mal. Aliás, as pessoas, vão sempre julgar alguma coisa, por isso, preservo-me e mantenho-me sempre fiel a mim e aos meus objetivos.

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  5. Como me identifico com as tuas palavras... Durante anos lutei para ser aquilo que a sociedade idealiza mas sempre sem ser feliz... Ainda não dei todos os passos, na verdade estou ainda bem no início e a passinhos de bebé, mas algumas coisas já mudaram e fiz ver à "minha" sociedade que não tenho que seguir uma linha, que essa linha não concretiza toda a gente por igual e pouco a pouco a "minha" sociedade vai apoiando e divulgando as minhas novas ideias de vida :P Belas palavras de incentivo as tuas!!

    Beijinhos
    Travel, Tips & Lifestyle

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